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Milagre eucarístico de Volterra (1472): hóstias no ar

Durante a guerra com Florença, em 1472, um soldado profanou Hóstias em Volterra. Veja o relato, as testemunhas e o que ele ensina.

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Catedral de Santa Maria Assunta, em Volterra
Volterra-duomo assunta-facciata1. Foto: Davide Papalini, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Volterra aconteceu em 1472, nessa cidade da Toscana, na Itália, durante a guerra com Florença. Segundo o relato, um soldado florentino roubou da catedral a custódia com várias Hóstias consagradas e, fora da igreja, atirou-a contra uma parede. As Hóstias teriam se elevado no ar, cercadas de luz, diante de muitas testemunhas. O catálogo não informa que exista hoje alguma relíquia do fato.

Qual era o contexto em Volterra em 1472?

Volterra vivia sob a influência de Florença, então dominada por Lourenço de Médici. A disputa pela exploração de minas de alúmen na região, mineral muito valioso na época, opôs a cidade aos florentinos. Em 1472, Volterra foi tomada e saqueada pelas tropas a serviço de Florença, comandadas por Federico da Montefeltro, senhor de Urbino (que só receberia o título de duque em 1474).

O catálogo da exposição de São Carlo Acutis lembra que, depois da conquista, a cidade sofreu um tratamento duro: muitas famílias abastadas emigraram e seus bens foram vendidos a preço baixo. Foi nesse cenário de violência e saque que, segundo a tradição, aconteceu o milagre.

Leia também: Milagre eucarístico de Poznań (1399): relato e história

O que aconteceu em Volterra?

O relato, em ordem, é este:

  1. Um soldado florentino entrou na catedral de Volterra e foi direto ao tabernáculo.
  2. Levou a custódia de marfim que guardava várias Hóstias consagradas, junto com outros objetos sagrados.
  3. Ao sair da igreja, tomado de raiva contra Jesus Sacramentado, arremessou a custódia contra uma das paredes externas.
  4. As Hóstias saíram da custódia e, segundo as testemunhas, subiram no ar, brilhando, e ficaram suspensas por bastante tempo, como se fossem seguradas por uma mão invisível.
  5. O soldado caiu ao chão, assustado, e começou a chorar arrependido.

O catálogo destaca que muitas pessoas presenciaram a cena. O detalhe do arrependimento do soldado é importante no relato: o prodígio não aparece como castigo, mas como chamado à conversão de quem tinha profanado o Sacramento.

Quais documentos narram o fato?

Segundo o catálogo, a testemunha mais confiável é o frade Biagio Lisci, que viu o fato e deixou um relato escrito, hoje conservado no arquivo da igreja de São Francisco, em Volterra. Há também atos da comuna guardados na Biblioteca Municipal da cidade.

Onde está a relíquia hoje?

O catálogo não diz o que aconteceu com as Hóstias depois do prodígio nem menciona relíquia conservada, festa própria ou procissão em memória do fato. Por isso, não é possível indicar um lugar onde a relíquia seja venerada hoje. Quem visita Volterra encontra a catedral, palco do relato, e a igreja de São Francisco, onde está o texto de frei Biagio.

Leia também: Milagre eucarístico de Bergen (1421): hóstias com sangue

A Igreja reconheceu o milagre de Volterra?

O catálogo não menciona decreto de reconhecimento por parte do bispo ou da Santa Sé. Ele apresenta o fato com base no relato de uma testemunha direta, um frade, e em documentos da administração da cidade. É uma tradição registrada por escrito na época, mas sem notícia de aprovação formal.

Vale lembrar que a Igreja é prudente com relatos desse tipo. Mesmo quando aprova o culto ligado a um milagre, ela não impõe a ninguém a obrigação de crer nele. O artigo sobre o que a Igreja diz sobre os milagres eucarísticos explica esse critério.

O que o milagre de Volterra ensina sobre a Eucaristia?

O relato de Volterra fala de profanação e de reparação. O soldado tratou as Hóstias como objeto qualquer, e o prodígio, segundo a tradição, mostrou que ali havia Alguém. A Igreja ensina que, depois da consagração, Cristo está presente inteiro em cada espécie e em cada parte dela, de modo que partir a Hóstia não divide Cristo (CIC 1377).

São Paulo lembra a seriedade com que se deve tratar o Corpo do Senhor: "Todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado do corpo e do sangue do Senhor" (1Cor 11,27). O arrependimento do soldado recorda também que nenhum pecado é maior que a misericórdia de Deus, oferecida no sacramento da Confissão.

A fé na presença real não precisa de Hóstias suspensas no ar. Ela se apoia na palavra de Jesus: "Minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue é verdadeiramente bebida" (Jo 6,55). Os milagres, quando acontecem, são sinais que ajudam, não fundamento da fé.

Perguntas frequentes

Quando aconteceu o milagre eucarístico de Volterra?

Em 1472, durante a guerra entre Volterra e Florença, que terminou com a tomada e o saque da cidade.

O que aconteceu com as Hóstias de Volterra?

Segundo o relato, depois de jogadas contra a parede, elas subiram no ar envoltas em luz e ficaram suspensas. O catálogo não diz o destino delas depois disso.

Quem testemunhou o milagre de Volterra?

O catálogo cita o frade Biagio Lisci, testemunha direta, cujo relato está no arquivo da igreja de São Francisco, além de atos da comuna de Volterra.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); estudo sobre a oração de Bartolomeo Scala em louvor de Federico da Montefeltro pela tomada de Volterra (publicado em rivisteweb.it).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.