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Milagre eucarístico de Herentals (1412): as hóstias na sebe

Cinco hóstias roubadas foram achadas intactas num campo, em forma de cruz. Conheça o relato de Herentals e o santuário De Hegge.

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Capela De Hegge, em Poederlee (Herentals), santuário do milagre eucarístico
Heggekapel in Poederlee 02. Foto: Sally V, licença CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Herentals aconteceu em 1412, na região de Antuérpia, na Bélgica. Segundo o relato, cinco hóstias consagradas roubadas da igreja de Poederlee foram encontradas oito dias depois num campo, junto a uma toca de coelhos, intactas apesar da chuva, cercadas de luz e dispostas em forma de cruz. No local do achado existe hoje o pequeno santuário "De Hegge", e as hóstias, segundo o catálogo de São Carlo Acutis, foram guardadas em Herentals e Poederlee até o século XVI.

O que aconteceu em Herentals?

Em 1412, um homem chamado Jan van Langerstede se hospedou numa estalagem perto de Herentals. Segundo o catálogo, ele vivia de roubar objetos sagrados das igrejas e revendê-los enquanto viajava pela Europa. Pouco depois de chegar, foi à vizinha aldeia de Poederlee, entrou na igreja paroquial sem ser notado e levou o cálice e o cibório, o vaso onde se guardam as hóstias, com cinco partículas consagradas.

As hóstias escondidas no campo

Na volta para Herentals, num lugar chamado "De Hegge" ("a sebe"), conta o relato que Jan sentiu uma força misteriosa que o impedia de seguir viagem. Tentou se livrar das hóstias jogando-as no rio, mas não conseguiu. Quase desesperado, viu um campo com uma grande toca de coelhos e escondeu ali as partículas. Depois disso, voltou à cidade sem dificuldade.

Enquanto isso, o juiz de Herentals, Gilberto De Pape, já investigava o furto em Poederlee. Jan estava entre os suspeitos. A busca na sua bagagem encontrou o cálice e o cibório. Ele confessou o roubo, mas não disse o que tinha feito com as hóstias, e foi condenado à forca.

A confissão a caminho da forca

Segundo o catálogo, quando Jan já era levado ao patíbulo, um sacerdote o exortou a pôr a alma em ordem antes de morrer. Ele então confessou tudo e indicou o lugar onde tinha escondido as hóstias. O juiz suspendeu a execução e mandou que ele mostrasse o local exato.

Uma grande multidão foi junto. Ao chegarem ao campo, conta o relato, todos viram as hóstias resplandecentes, dispostas em forma de cruz e intactas, apesar do mau tempo dos oito dias anteriores. Elas foram levadas em procissão, parte para Herentals e parte para Poederlee. O catálogo não informa o que aconteceu depois com o ladrão.

Leia também: Milagre Eucarístico de Siena: hóstias intactas há séculos

A Igreja reconheceu o milagre de Herentals?

O catálogo diz que, em 2 de janeiro de 1442, o milagre foi declarado autêntico pelo magistrado de Herentals, ou seja, pela autoridade da cidade. A fonte não cita um decreto de bispo. Ela registra, porém, que a capela erguida no local foi visitada por vários prelados, entre eles Jean Malderus, bispo de Antuérpia, em 1620, o que mostra que o culto foi acolhido pela Igreja local.

Por isso, o mais preciso é dizer que houve uma declaração civil de autenticidade e um culto antigo, mantido com a presença de bispos, sem um ato episcopal formal descrito pela fonte.

Como é a devoção hoje?

No lugar onde as hóstias foram encontradas foi construída uma pequena capela. Segundo o catálogo, Elisabete de Görlitz, filha de João de Luxemburgo, financiou a sua ampliação, e a capela acabou transformada em santuário, conhecido como "De Hegge".

A história é contada numa série de pinturas do artista Antoon van Ysendyck (1801 a 1875), chamada "O milagre da sebe", guardada na igreja de Santa Valdetrudes, em Herentals. Todos os anos, duas dessas telas são levadas em procissão até o campo do santuário, onde se celebra uma Missa comemorativa com muitos fiéis.

  • Igreja: Santa Valdetrudes, em Herentals, com as pinturas do milagre.
  • Santuário: capela "De Hegge", no local do achado.
  • Hóstias: segundo o catálogo, ficaram em Herentals e Poederlee até o século XVI; a fonte não diz que ainda existam.

Leia também: Milagre eucarístico de Wilsnack (1383): as três hóstias

O que o milagre de Herentals ensina sobre a Eucaristia?

O relato tem dois movimentos. O primeiro é o das hóstias, que permanecem intactas num campo aberto. O Catecismo ensina que a presença de Cristo na Eucaristia começa no momento da consagração e dura enquanto subsistirem as espécies eucarísticas (CIC 1377). Por isso a Igreja guarda as hóstias consagradas no sacrário e as trata com reverência.

O segundo movimento é o do ladrão, que só revela a verdade quando é chamado à conversão diante da morte. A história lembra que Cristo, presente na Eucaristia, é o mesmo que veio chamar os pecadores. Jesus prometeu a vida a quem come o pão vivo descido do céu (Jo 6,51), e São Paulo pede que cada um examine a própria consciência antes de se aproximar da mesa do Senhor (1Cor 11,28).

A fé na presença real, contudo, não se apoia em prodígios. A Igreja não obriga a crer em milagres particulares como o de Herentals; ela crê porque confia na palavra do Senhor na Última Ceia (CIC 1374 e 1375).

Perguntas frequentes

Quando aconteceu o milagre de Herentals?

Em 1412, depois do furto de cinco hóstias consagradas da igreja de Poederlee, perto de Herentals, na Bélgica.

Onde as hóstias foram encontradas?

Num campo junto a uma toca de coelhos, no lugar chamado "De Hegge", onde hoje existe uma capela.

Quem declarou o milagre autêntico?

Segundo o catálogo de São Carlo Acutis, o magistrado de Herentals, em 2 de janeiro de 1442.

Existe procissão em honra do milagre?

Sim. Todos os anos duas pinturas de Antoon van Ysendyck são levadas em procissão ao santuário, onde se celebra uma Missa.

Para aprofundar

Fontes

Este artigo se baseia em: Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.