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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Weiten-Raxendorf (1411)

Um ladrão perdeu a hóstia roubada no caminho. Dias depois ela foi achada cercada de luz. Conheça o relato e a igreja de Heiligenblut.

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Igreja paroquial de Santo Estêvão, em Weiten, vista do leste, de onde a Hóstia foi roubada em 1411
Kath Pfarrkirche hl Stephanus in Weiten - Ostansicht. Foto: Duke of W4, licença CC BY-SA 3.0 at, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Weiten-Raxendorf aconteceu em 1411, na Baixa Áustria. Segundo o relato, um ladrão roubou uma hóstia consagrada da igreja paroquial de Weiten e a perdeu no caminho; dias depois, uma mulher a encontrou junto a uma sebe, cercada de luz, partida em duas partes unidas por fios de carne ensanguentada. No local foi erguida uma capela e, depois, uma igreja de peregrinação; o catálogo de São Carlo Acutis não informa se a hóstia ainda existe.

O que aconteceu em Weiten?

O catálogo explica o contexto: no século XV, houve na Áustria vários furtos de hóstias consagradas, e por isso os religiosos da região passaram a guardar as partículas na sacristia. Mesmo assim, em 1411, segundo as crônicas da aldeia de Weiten, um ladrão entrou na sacristia da igreja paroquial e levou uma hóstia consagrada, que escondeu dentro de uma das luvas.

Ele montou a cavalo para ir à aldeia vizinha de Spitz, às margens do Danúbio. Em vez da estrada principal, tomou um caminho lateral que passava pela depressão de Mühldorf, num trecho conhecido como "Am Schuß".

O cavalo que não andava

Conta o relato que, num certo ponto do caminho, o cavalo parou e não se moveu mais, por mais que o dono tentasse. Camponeses que trabalhavam nos campos ao redor viram a cena e foram ajudar, mas o animal parecia petrificado. De repente, o cavalo disparou a galope. Nesse movimento, a hóstia escondida na luva caiu no chão sem que ninguém percebesse.

Poucos dias depois, uma senhora de sobrenome Scheck, de Mannersdorf, passava pelo lugar e viu, junto a uma sebe, uma luz muito forte com uma hóstia no centro. Ela a recolheu e notou, admirada, que a partícula estava partida em duas partes, que continuavam ligadas entre si por filamentos de carne ensanguentada.

Da capela à igreja de peregrinação

Comovida, a mulher mandou construir, à sua própria custa e exatamente naquele ponto, uma pequena capela em ação de graças. Quando a notícia se espalhou, muitos fiéis passaram a ir ao local. Mais tarde foi preciso construir uma igreja maior, capaz de receber as multidões que chegavam todos os anos em peregrinação.

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Como é a devoção hoje?

A igreja de peregrinação ligada ao milagre se chama Heiligenblut, que em alemão quer dizer "Santo Sangue", e fica no município de Raxendorf, vizinho de Weiten. A enciclopédia austríaca Austria-Forum descreve o templo como uma igreja gótica tardia de três naves, com o coro de meados do século XV, e associa à capela original o milagre de 1411. O interior tem um sacrário em forma de torre com cerca de oito metros de altura, vitrais dos séculos XV e XVI e um altar-mor de cerca de 1730.

O catálogo mostra ainda a igreja paroquial de Weiten, com uma pintura antiga que representa o milagre, e uma capelinha construída no lugar onde a hóstia foi encontrada. Hoje há também roteiros de caminhada que passam por Heiligenblut, usados por peregrinos e visitantes.

Quanto à hóstia em si, o catálogo fala da veneração da "preciosa relíquia" nas peregrinações, mas não diz se ela ainda existe nem onde estaria guardada atualmente. Por isso, não é possível afirmar que ela possa ser vista hoje.

A Igreja reconheceu o milagre de Weiten-Raxendorf?

O catálogo de São Carlo Acutis não menciona decreto de reconhecimento de bispo ou papa. O que ele registra é a construção da capela, a afluência de peregrinos e a necessidade de uma igreja maior, sinais de um culto que a Igreja local acolheu e manteve. A existência de uma igreja de peregrinação dedicada ao Santo Sangue mostra que a devoção foi permitida, mas a fonte não traz um ato formal de aprovação.

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O que o milagre de Weiten ensina sobre a Eucaristia?

O ladrão tratou a hóstia como um objeto que se esconde numa luva. O relato responde mostrando que ali não havia um simples pedaço de pão. O Catecismo ensina que Cristo está presente na Eucaristia de modo verdadeiro, real e substancial (CIC 1374), e que essa presença dura enquanto durarem as espécies eucarísticas (CIC 1377).

O mesmo número do Catecismo lembra que Cristo está todo inteiro em cada espécie e todo inteiro em cada uma das partes, de modo que a fração do pão não divide Cristo (CIC 1377). A imagem da hóstia partida em duas e ainda unida ajuda a recordar essa verdade: quando o padre parte a hóstia na Missa, o Senhor não fica dividido.

Jesus se apresentou como o pão vivo descido do céu e prometeu a vida eterna a quem dele comesse (Jo 6,51). Por isso a Igreja guarda as hóstias consagradas com cuidado no sacrário e pede respeito a elas. Mesmo assim, a fé na presença real não depende de prodígios: a Igreja não obriga ninguém a crer em milagres particulares como este, que servem apenas como convite à reverência.

Perguntas frequentes

O que aconteceu em Weiten em 1411?

Segundo o catálogo de São Carlo Acutis, uma hóstia roubada da igreja de Weiten caiu no caminho e foi encontrada dias depois, luminosa, partida em duas partes unidas por fios de carne ensanguentada.

Quem encontrou a hóstia?

Uma senhora de sobrenome Scheck, de Mannersdorf, que depois mandou construir uma capela no local, à sua custa.

Qual é a igreja ligada ao milagre?

A igreja de peregrinação de Heiligenblut, no município de Raxendorf, além da igreja paroquial de Weiten, onde há uma pintura antiga do milagre.

A hóstia do milagre ainda existe?

O catálogo não informa se a hóstia ainda existe nem onde estaria guardada hoje.

Para aprofundar

Fontes

Este artigo se baseia em: Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Austria-Forum (enciclopédia AEIOU), verbete sobre Raxendorf.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.