O milagre eucarístico de Veroli aconteceu na Páscoa de 1570, na igreja de Santo Erasmo, nessa cidade da região do Lácio, na Itália. Segundo o relato da época, durante as Quarenta Horas de adoração, os fiéis viram o Menino Jesus na Hóstia exposta, envolta por uma luz em forma de estrela. A Hóstia não existe mais, mas o cálice em que ela estava exposta continua guardado na igreja e é usado uma vez por ano, na terça-feira de Páscoa.
O que aconteceu em Veroli?
Em 1570, a Páscoa caiu em 26 de março. Naquele dia, a igreja de Santo Erasmo mantinha o Santíssimo Sacramento exposto para as Quarenta Horas, uma prática de adoração pública que se espalhava pela Itália no século XVI. As confrarias da cidade se revezavam diante do altar, cada uma por uma hora, vestidas com seus hábitos.
A forma da exposição ajuda a entender o relato. A custódia com vidro, comum hoje, ainda era pouco usada. Em Veroli, a Hóstia Consagrada ficava fechada num pequeno relicário cilíndrico de prata, colocado dentro de um grande cálice, também de prata, coberto com a patena e envolto em tecido de seda.
O catálogo da exposição idealizada por São Carlo Acutis registra que, enquanto a Confraria da Misericórdia rezava, os presentes viram sobre o cálice uma estrela muito brilhante e, sobre ela, a Hóstia, do tamanho daquela que o sacerdote usa na Missa. Depois, segundo as testemunhas, apareceu na Hóstia a figura do Menino Jesus, cercada por pequenas crianças semelhantes a anjos. O relato acrescenta que muitas graças foram atribuídas ao acontecimento.
Os testemunhos escritos
O documento principal sobre o fato foi redigido pela Cúria logo depois do ocorrido e guarda os depoimentos juramentados das pessoas presentes. Ele está no arquivo da igreja de Santo Erasmo. Entre as testemunhas, o catálogo destaca um certo Giacomo Meloni, que descreveu com detalhes a estrela e a aparição.
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Onde está a relíquia hoje?
A Hóstia de Veroli não se conserva. Segundo o catálogo, as espécies sagradas foram consumidas cerca de 112 anos depois do milagre. O que permanece são os objetos ligados ao fato:
- o cálice e a patena em que o Santíssimo estava exposto, guardados entre as relíquias da igreja de Santo Erasmo;
- a custódia de prata;
- o documento da Cúria com os testemunhos;
- uma antiga pintura e uma lápide comemorativa que recordam o fato.
O portal oficial de turismo da Itália descreve o cálice como uma peça de prata dourada do século XIV, conservada na capela do Sacramento da basílica de Santo Erasmo.
Como é a devoção hoje?
Todos os anos, na terça-feira de Páscoa, Veroli recorda o milagre com uma Missa solene, que conta com a presença do bispo. É nessa celebração que o cálice do milagre volta a ser usado. O jornal da diocese de Frosinone-Veroli-Ferentino informa que, após a Missa, há procissão com o Santíssimo Sacramento.
O catálogo lembra ainda que, em 1970, no quarto centenário do fato, a diocese celebrou ali o seu terceiro Congresso Eucarístico. E registra um costume local: em cada primeira sexta-feira do mês, a adoração ao Santíssimo acontece na igreja do milagre, e as outras igrejas da cidade permanecem fechadas.
A Igreja reconheceu o milagre de Veroli?
O catálogo não menciona um decreto formal de reconhecimento. Ele informa que a Cúria registrou por escrito, logo depois dos fatos, os testemunhos juramentados dos presentes. Informa também que o bispo participa todos os anos da celebração da terça-feira de Páscoa. Isso mostra que a memória do fato é acolhida pela Igreja local, mas não equivale a uma declaração de que o milagre foi comprovado.
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O que o milagre de Veroli ensina sobre a Eucaristia?
O relato de Veroli nasce num momento de adoração. Não acontece durante a Missa, mas diante do Santíssimo exposto. Isso combina com o ensino da Igreja: Cristo permanece presente na Hóstia consagrada mesmo depois da celebração, e por isso ela é adorada (CIC 1378 e 1379).
O Catecismo ensina que, no Santíssimo Sacramento, estão contidos verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue de Cristo, com a sua alma e divindade (CIC 1374), e que essa presença dura enquanto durarem as espécies eucarísticas (CIC 1377). Jesus mesmo disse: "Eu sou o pão vivo descido do céu" (Jo 6,51).
A imagem do Menino lembra que quem está no altar é o mesmo Filho de Deus que se fez criança em Belém. Mas a fé católica não depende dessa visão. A Igreja não obriga ninguém a crer em prodígios ou revelações particulares (CIC 67). A fé na presença real se apoia na palavra de Cristo e no ensino da Igreja.
Perguntas frequentes
Quando aconteceu o milagre eucarístico de Veroli?
Na Páscoa de 1570, que caiu em 26 de março, durante as Quarenta Horas de adoração na igreja de Santo Erasmo.
Ainda é possível ver a Hóstia do milagre?
Não. Segundo o catálogo, a Hóstia foi consumida cerca de 112 anos depois. Conservam-se o cálice, a patena, a custódia e o documento com os testemunhos.
Quando é a festa do milagre de Veroli?
Na terça-feira de Páscoa, com Missa solene na basílica de Santo Erasmo, em que se usa o cálice do milagre, seguida de procissão com o Santíssimo.
O que são as Quarenta Horas?
É uma adoração contínua ao Santíssimo Sacramento exposto, feita por cerca de quarenta horas, em memória do tempo em que o corpo de Cristo esteve no sepulcro.
Para aprofundar
- Carlo Acutis e a catalogação dos milagres eucarísticos
- Milagre eucarístico de Alatri
- O que é o Santíssimo Sacramento e a adoração
- O que a Igreja diz sobre os milagres eucarísticos
Fontes
Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 67, 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Portal oficial de turismo da Itália (italia.it), página da basílica de Santo Erasmo; Avvenire Lazio 7, jornal da diocese de Frosinone-Veroli-Ferentino (31 de março de 2024).
As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.