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Milagre eucarístico de Bergen (1421): hóstias com sangue

Em 1421, hóstias consagradas jogadas na água teriam aparecido com sangue em Bergen. Veja o relato, as versões e o que restou.

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Igreja em ruínas de Bergen, antiga igreja de São Pedro e São Paulo do milagre de 1421
Bergen, Ruïnekerk foto3 2009-04-05 13.35. Foto: Michielverbeek, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Bergen, na Holanda, é datado de 1421. Segundo o catálogo da exposição de São Carlo Acutis, um pároco que duvidava da presença real jogou na água as Hóstias consagradas que tinham sobrado da Missa, e meses depois elas foram encontradas flutuando, impregnadas de sangue. O fato fez de Bergen um lugar de peregrinação, mas as fontes não informam que a relíquia exista hoje.

O que aconteceu em Bergen?

O relato do catálogo segue esta ordem:

  1. Durante meses, o pároco da igreja local viveu em dúvida sobre a presença do Corpo e do Sangue de Cristo na Hóstia consagrada e não demonstrava devoção ao Santíssimo Sacramento.
  2. No primeiro domingo de Pentecostes de 1421, depois de celebrar a Missa, ele pegou as Hóstias consagradas que restavam e as jogou num dos canais.
  3. Alguns meses depois, pescadores encontraram as Hóstias boiando na água, manchadas de sangue coagulado.
  4. A notícia se espalhou depressa, e logo começaram a chegar muitos peregrinos.

Uma versão local diferente

Em Bergen, na província da Holanda do Norte, circula outra versão da tradição, contada pela emissora regional NH Nieuws por ocasião dos 600 anos do fato. Segundo ela, uma tempestade rompeu o dique de Petten e o mar invadiu a aldeia, inclusive a igreja. No dia seguinte, encontrou-se num campo de Bergen, junto a uma vala, uma caixa de madeira com um cálice que continha Hóstias consagradas. O pároco de Petten, um dos poucos sobreviventes, consumiu as Hóstias, e a água do mar que restava no cálice foi guardada numa tigela na igreja de Bergen. Em Pentecostes, cerca de meio ano depois, a água tinha sumido e no fundo havia uma substância vermelha, tida como o Sangue de Cristo.

As duas versões concordam no essencial: Hóstias consagradas ligadas à água, sangue que aparece meses depois, Pentecostes e o início das peregrinações. Os detalhes, porém, são diferentes, e o leitor deve saber disso.

Leia também: Milagre eucarístico de Volterra (1472): hóstias no ar

Onde fica Bergen e o que restou?

Há um ponto de confusão no catálogo. O texto descreve Bergen como Bergen op Zoom, cidade do sul do país, às margens do estuário do rio Escalda. Mas a tradição do milagre e a igreja de peregrinação que dela nasceu estão em Bergen, na Holanda do Norte, perto de Alkmaar.

Ali, segundo o inventário de monumentos Archimon, uma pequena capela foi construída depois do milagre, e no século XV se ergueu uma igreja maior para receber os peregrinos. Em 1574, tropas protestantes destruíram o edifício. As autoridades locais impediram a demolição completa, e o coro foi reconstruído entre 1594 e 1597 para servir ao culto reformado. As paredes que sobraram da nave deram ao conjunto o nome atual: Ruïnekerk, a igreja em ruínas.

Nenhuma das fontes consultadas informa onde estão hoje as Hóstias ou a tigela, nem se ainda existem.

A Igreja reconheceu o milagre de Bergen?

O catálogo diz que o culto foi aprovado pelo bispo, sem informar o nome nem a data. Acrescenta que, com a Reforma Protestante, o culto ficou proibido por um longo período, mas os católicos mantiveram viva a memória do fato em silêncio. No século XX, segundo o catálogo, o culto foi restabelecido, e há várias iniciativas populares que recordam o milagre.

Leia também: Milagre eucarístico de Fiecht (1310): o sangue no cálice

O que o milagre de Bergen ensina sobre a Eucaristia?

Na versão do catálogo, o milagre responde à dúvida de um padre. A dúvida sobre a presença real não é nova: quando Jesus anunciou que daria a sua carne como alimento, muitos discípulos acharam a palavra dura e foram embora (Jo 6,60-66). Pedro respondeu: "Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna" (Jo 6,68).

A Igreja ensina que Cristo está presente na Eucaristia de modo único, verdadeiro, real e substancial (CIC 1374), e que essa presença permanece enquanto durarem as espécies (CIC 1377). Por isso as Hóstias que sobram da Missa são guardadas no sacrário, e não descartadas. O gesto do padre de Bergen é o oposto do cuidado que a Igreja pede.

A fé na presença real, porém, não se apoia em Hóstias que sangram. Ela se apoia na palavra de Cristo, transmitida pela Igreja. Os milagres podem ajudar quem duvida, mas ninguém é obrigado a crer neles.

Perguntas frequentes

Quando aconteceu o milagre eucarístico de Bergen?

Em 1421. O catálogo situa o gesto do padre no primeiro domingo de Pentecostes desse ano. O inventário Archimon fala em 1422 ao tratar da capela.

O milagre foi em Bergen op Zoom ou em Bergen da Holanda do Norte?

O catálogo cita Bergen op Zoom, mas a tradição e a igreja de peregrinação ligadas ao milagre estão em Bergen, na Holanda do Norte.

A relíquia do milagre de Bergen ainda existe?

As fontes consultadas não informam. A igreja de peregrinação foi destruída em 1574, e restam as ruínas e o coro reconstruído.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); NH Nieuws, reportagem sobre os 600 anos do milagre de Bergen; Archimon, inventário de monumentos da Holanda (verbete da Ruïnekerk de Bergen).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.