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Milagre eucarístico de Benningen (1216): a hóstia do moinho

Um moleiro escondeu uma hóstia no moinho do rival para acusá-lo. Ela sangrou, e o povo ergueu a Riedkapelle, visitada até hoje em Corpus Christi.

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Riedkapelle, em Benningen, capela erguida em honra do milagre de 1216
Benningen 2008 26.10.2008 13-35-12 3072x2304. Foto: Bene16, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Benningen aconteceu em 1216, numa aldeia da Suábia, no sul da Alemanha, perto de Memmingen. Segundo um documento antigo citado pelo catálogo, um moleiro roubou uma hóstia consagrada e a escondeu no moinho do vizinho, com quem brigava havia anos, para caluniá-lo. A hóstia começou a sangrar e o caso veio à tona. A relíquia se perdeu ao longo dos séculos, mas a capela erguida em memória do fato, a Riedkapelle, continua de pé e recebe todo ano a procissão de Corpus Christi.

O que aconteceu em Benningen?

O relato fala de dois moleiros de Benningen que viviam em disputa. Um dia, depois de mais uma briga, um deles foi à Missa, comungou e guardou a hóstia em vez de consumi-la. Depois a escondeu entre as pedras do moinho do rival. A intenção era fazer o outro parecer culpado de profanar o Santíssimo Sacramento.

Durante a festa de São Gregório, a hóstia começou a sangrar com tanta abundância que toda a aldeia ficou sabendo. O bispo também foi informado. O moleiro que tinha roubado a hóstia se arrependeu e confessou o que tinha feito.

O quadro sobre o altar da capela retrata o desfecho. Nele, o bispo de Augsburgo, diocese a que Benningen pertence, leva a hóstia para a igreja de São Martinho, em Memmingen, e a coloca num relicário. O catálogo chama esse bispo de Frederico. As listas dos bispos de Augsburgo daquela época não trazem esse nome, por isso o dado pede cautela.

Leia também: Milagre Eucarístico de Orvieto: a origem de Corpus Christi

Como é a devoção hoje?

Poucos anos depois do milagre, os moradores começaram a construir uma capela em honra do fato. O catálogo dá o ano de 1221. O nome completo registrado no painel é Riedkapelle zum Hochwürdigen Gut.

Entre 1674 e 1718, a Riedkapelle foi reformada e ampliada para acolher os peregrinos, que eram muitos.

Todos os anos, na festa de Corpus Christi, a paróquia de Benningen vai em procissão até a Riedkapelle para recordar o milagre. É o principal momento de devoção ligado ao fato.

As pinturas de Sichelbein

As telas que contam a história foram pintadas por Johann Friedrich Sichelbein. Uma das obras, citada no painel, representa a procissão com a hóstia milagrosa. O teto de madeira traz ainda pinturas da Paixão de Cristo e de cenas do Antigo e do Novo Testamento.

Durante muito tempo se pensou que as pinturas da capela fossem cópias de originais guardados no museu do mosteiro de Ottobeuren. Só na restauração de 1987 se descobriu que os originais eram justamente os de Benningen.

Onde está a relíquia hoje?

A hóstia não existe mais. O catálogo diz que, por causa de acontecimentos históricos adversos, perdeu-se o rastro da relíquia ao longo dos séculos. O que permanece é a capela, as pinturas e a procissão anual.

Leia também: Milagre eucarístico de Liège e a origem do Corpus Christi

A Igreja reconheceu o milagre de Benningen?

O catálogo não menciona um decreto formal de reconhecimento. O relato diz que o bispo tomou conhecimento do fato e levou a hóstia para a igreja de São Martinho, em Memmingen, o que indica que ela passou a ser guardada com honra pela autoridade da Igreja. A construção da capela e a procissão que a paróquia mantém até hoje mostram que a devoção é vivida dentro da vida da Igreja local.

O que o milagre de Benningen ensina sobre a Eucaristia?

A história de Benningen tem um lado muito humano: começa numa briga entre vizinhos e numa tentativa de calúnia. O pecado do moleiro foi duplo. Usou o Corpo de Cristo como instrumento de vingança e tentou destruir a reputação de outra pessoa. O relato termina com arrependimento e confissão.

Jesus pediu que quem leva a oferta ao altar se reconcilie antes com o irmão (Mt 5,23-24). São Paulo, ao falar da Ceia do Senhor, alerta que quem come o pão sem discernir o Corpo do Senhor come a própria condenação (1Cor 11,29). O Catecismo ensina que na hóstia consagrada está Cristo inteiro, de modo verdadeiro, real e substancial (n. 1374).

A fé na presença real não depende de que uma hóstia sangre. Sinais como esse são considerados revelações particulares: a Igreja permite a devoção, mas ninguém é obrigado a aceitá-los (Catecismo, n. 67). O centro continua sendo a Missa e a comunhão recebida com o coração reconciliado.

Perguntas frequentes

Onde fica Benningen?

Benningen é uma aldeia da Suábia, no sul da Alemanha, perto da cidade de Memmingen, na diocese de Augsburgo.

A hóstia de Benningen ainda existe?

Não. Segundo o catálogo, perdeu-se o rastro da relíquia ao longo dos séculos.

O que é a Riedkapelle?

É a capela construída pelos moradores pouco depois do milagre. Foi ampliada entre 1674 e 1718 e recebe a procissão anual de Corpus Christi.

Quem pintou a história do milagre?

Johann Friedrich Sichelbein. Suas telas na capela foram reconhecidas como originais na restauração de 1987.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 67 e 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB), Jo 6,51-56 e 1Cor 11,23-29. Na mesma Bíblia, Mt 5,23-24.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.