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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Bagno di Romagna (1412)

Em 1412, um prior que duvidava da presença real viu o vinho consagrado ferver e transbordar como sangue. O corporal manchado ainda é venerado.

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Basílica de Santa Maria Assunta, em Bagno di Romagna, que guarda a relíquia do milagre
Piazza Ricasoli e Santa Maria Assunta (Bagno di Romagna). Foto: Luigi Rosa from Pavia, Italy, licença CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Bagno di Romagna aconteceu em 1412, na igreja de Santa Maria, nessa cidade termal da Emília-Romanha, na Itália. Segundo o relato, o prior Lazzaro, que duvidava da presença real de Jesus no Sacramento, viu o vinho consagrado transformar-se em sangue, ferver e transbordar do cálice sobre o corporal. Esse corporal manchado é conservado até hoje na basílica de Santa Maria Assunta, onde é conhecido como "Sagrado Linho embebido de Sangue".

O que aconteceu em Bagno di Romagna?

No começo do século XV, a igreja de Santa Maria em Bagno pertencia aos monges camaldulenses e era então um priorado. Quem a governava era Dom Lazzaro, um religioso originário do Vêneto; o catálogo o apresenta como padre Lazzaro de Verona.

O historiador camaldulense Fortunio, citado pelo catálogo, narra os fatos assim:

  1. Certo dia de 1412, durante a Missa, o prior foi tomado por uma forte dúvida sobre a presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento.
  2. Logo depois de pronunciar as palavras da consagração sobre o vinho, viu a espécie sagrada entrar em ebulição.
  3. O conteúdo do cálice, agora com aparência de sangue vivo, transbordou e se espalhou sobre o corporal, que ficou todo encharcado.
  4. Comovido e arrependido, Lazzaro voltou-se para os fiéis, chorando, e confessou diante deles a sua falta de fé e o prodígio que acabara de ver.

Depois do episódio, Lazzaro foi transferido para Bolonha, como capelão de um mosteiro feminino camaldulense, o de Santa Cristina. Morreu ali em 1416.

A história da igreja depois do milagre

Os camaldulenses continuaram à frente da igreja até a supressão das ordens religiosas no período napoleônico, em 1808. Desde então ela é paróquia. Por pouco tempo esteve ligada à diocese de Sansepolcro e, em 1975, passou definitivamente para a diocese de Cesena. Hoje tem o título de basílica.

Leia também: Milagre eucarístico de Macerata (1356): o corporal de sangue

Onde está a relíquia hoje?

O corporal do milagre está na basílica de Santa Maria Assunta, em Bagno di Romagna. As manchas de sangue ainda são visíveis no tecido. Segundo o catálogo, a devoção se expressa de duas formas principais:

  • na festa de Corpus Christi, a cada ano, a relíquia sai em procissão pela cidade;
  • durante a temporada termal, que vai de março a novembro, a relíquia fica exposta aos domingos, na Missa das 11 horas.

Em 1912, o cardeal Giulio Boschi, arcebispo de Ferrara, presidiu as celebrações do quinto centenário do milagre, que foram seguidas por um congresso de estudos eucarísticos.

A imagem de Nossa Senhora do Sangue

Na mesma basílica, na terceira capela à esquerda, há uma rara gravura em madeira colorida do século XV, chamada "Nossa Senhora do Sangue". O nome vem de outro fato registrado pela tradição local: segundo o abade Benedetto Tenaci, que se apresenta como testemunha ocular, no dia 20 de maio de 1498 saiu sangue do braço esquerdo da figura. É um episódio distinto do milagre eucarístico, mas ajuda a entender a devoção do lugar.

A Igreja reconheceu o milagre de Bagno di Romagna?

O catálogo não menciona um decreto formal de reconhecimento. O que ele registra é a devoção contínua, a celebração do centenário em 1912 com a presença de um cardeal e uma análise feita em 1958. Naquele ano, o bispo Domenico Bornigia mandou fazer uma análise química da mancha do corporal na Universidade de Florença, que, segundo o catálogo, confirmou ser de origem sanguínea.

Um exame desse tipo pode indicar a natureza de uma mancha, mas não decide sozinho a questão de fé. Cabe à autoridade da Igreja julgar a devoção, e o fiel não é obrigado a crer em prodígios particulares (Catecismo, n. 67).

Leia também: Milagre eucarístico de Boxmeer (1400): o Santo Sangue

O que o milagre de Bagno di Romagna ensina sobre a Eucaristia?

Como em Lanciano e em Bolsena, o protagonista é um sacerdote em dúvida. O relato não esconde a fraqueza do padre: ele mesmo a confessa em público. A dúvida, aqui, não é o fim da história, mas o começo de uma conversão.

A Igreja ensina que, pela consagração, toda a substância do vinho se converte na substância do Sangue de Cristo, e que essa mudança se chama transubstanciação (CIC 1376). Isso acontece em toda Missa válida, com ou sem sinais visíveis. Jesus disse: "o meu sangue é verdadeira bebida" (Jo 6,55). E São Paulo lembra o mandato do Senhor sobre o cálice: "Este cálice é a nova aliança em meu sangue" (1Cor 11,25).

Quem passa por dúvidas de fé pode encontrar consolo neste episódio. O caminho proposto pela Igreja é o da oração, do estudo e do diálogo com um sacerdote, sem esperar milagres para crer.

Perguntas frequentes

Quando aconteceu o milagre eucarístico de Bagno di Romagna?

Em 1412, durante uma Missa celebrada pelo prior camaldulense Lazzaro na igreja de Santa Maria.

O que se guarda em Bagno di Romagna?

O corporal manchado pelo sangue que transbordou do cálice, conservado na basílica de Santa Maria Assunta.

Quando a relíquia é exposta?

Segundo o catálogo, na procissão de Corpus Christi e nos domingos da temporada termal, de março a novembro, na Missa das 11 horas.

O sangue do corporal foi analisado?

Sim. Em 1958 uma análise química na Universidade de Florença, pedida pelo bispo Domenico Bornigia, indicou origem sanguínea, segundo o catálogo.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Fortunio, Annales Camaldulenses, conforme citado no catálogo; Catecismo da Igreja Católica (n. 67 e 1376); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.