Tempo Comum, 30ª semana Liturgia de hoje
Católicos Orantes
Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Alkmaar (1429): a casula com sangue

Na primeira Missa de um jovem padre, em 1429, o vinho derramado apareceu como sangue. Veja a história, a relíquia e a devoção em Alkmaar.

4 min de leitura
Grande Igreja de São Lourenço, em Alkmaar, onde ocorreu o milagre do Sangue de 1429
Alkmaar - Grote of Sint Laurenskerk 2. Foto: A. Bakker, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Alkmaar aconteceu em 10 de maio de 1429, nessa cidade do norte da Holanda. Segundo o relato, um padre chamado Folkert, celebrando a sua primeira Missa na igreja de São Lourenço, derramou o vinho consagrado sobre o altar e sobre a casula, e o vinho apareceu como sangue. O catálogo informa que o pedaço da casula manchado de sangue ainda se conserva em Alkmaar, num relicário em forma de anjo.

O que aconteceu em Alkmaar?

O padre Folkert tinha acabado de ser ordenado. Na sua primeira Missa estava presente também o pároco, Volpert Schult. Pouco depois das palavras da consagração, Folkert, por distração, entornou o cálice. O vinho usado era branco, mas, segundo o relato, o que caiu sobre o altar e sobre os paramentos foi sangue vivo.

O catálogo da exposição de São Carlo Acutis conta o que veio depois:

  1. Terminada a Missa, o jovem padre, em pânico, cortou o pedaço manchado da casula e o queimou.
  2. Em seguida, pegou a casula e começou a remendá-la.
  3. Mal terminou o remendo, o paramento apareceu manchado de sangue outra vez.
  4. Sem saber o que fazer, os dois sacerdotes levaram a casula ao bispo de Utrecht, a cuja diocese Alkmaar pertencia.

O relato insiste em que todas as tentativas de remover as manchas foram inúteis. É esse pano que passou a ser venerado como relíquia do Santo Sangue de Alkmaar.

Leia também: Milagre eucarístico de Fiecht (1310): o sangue no cálice

Onde está a relíquia hoje?

Segundo o catálogo, a casula manchada de sangue se conserva num relicário em forma de anjo, na igreja de São Lourenço em Alkmaar. O banco de dados de lugares de peregrinação do Instituto Meertens, da Academia Real Holandesa de Ciências, mostra esse relicário, feito em 1902: um anjo sobre nuvens que segura o tecido.

É preciso distinguir duas igrejas. A grande igreja medieval de São Lourenço, no centro da cidade, passou aos protestantes depois da Reforma e, segundo a revista da diocese de Haarlem-Amsterdã, não tem mais função religiosa desde 1996. A devoção católica ao milagre continua na igreja de São Lourenço (Sint-Laurentiuskerk), construída entre 1859 e 1861 pelo arquiteto Pierre Cuypers, no cais Verdronkenoord. Ali, pinturas murais do transepto, feitas entre 1874 e 1880, narram o milagre.

Como é a devoção hoje?

A mesma revista diocesana informa que o milagre do Sangue é lembrado no primeiro domingo de maio, na Sint-Laurentiuskerk. O Instituto Meertens registra também uma procissão silenciosa pelo centro histórico, fotografada em maio de 1993, sinal de que a memória do fato atravessou os séculos.

A Igreja reconheceu o milagre de Alkmaar?

Sim, segundo o catálogo. Ele informa que o bispo de Utrecht, depois de várias investigações canônicas, aprovou oficialmente o culto do milagre em 1433, quatro anos depois do fato. Aprovar o culto significa permitir a veneração pública da relíquia. Não significa obrigar os fiéis a crer no milagre, já que nenhum prodígio particular faz parte da fé que a Igreja exige de todos.

Leia também: Milagre eucarístico de Bruges: a relíquia do Santo Sangue

O que o milagre de Alkmaar ensina sobre a Eucaristia?

O relato de Alkmaar toca num ponto simples: o que está no cálice, depois da consagração, não é mais vinho. A Igreja ensina que, pela consagração, se realiza a conversão de toda a substância do vinho na substância do Sangue de Cristo, embora as aparências de vinho permaneçam (CIC 1376). É o que a Igreja chama de transubstanciação.

Também mostra o cuidado devido às espécies consagradas. Um descuido com o cálice deixou o jovem padre aflito, porque ele sabia o que estava ali. Jesus disse: "Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos" (Mc 14,24). São Paulo transmite a mesma tradição em 1Cor 11,23-26.

A fé na presença real não depende do sangue visível na casula. Mesmo sem nenhum sinal, o cálice consagrado em cada Missa contém o Sangue do Senhor. O milagre, para quem o acolhe, é um lembrete dessa verdade.

Perguntas frequentes

Quando aconteceu o milagre eucarístico de Alkmaar?

Em 10 de maio de 1429, durante a primeira Missa do padre Folkert, na igreja de São Lourenço.

Qual é a relíquia do milagre de Alkmaar?

Um pedaço da casula do padre, manchado de sangue, guardado num relicário em forma de anjo feito em 1902.

O bispo aprovou o milagre de Alkmaar?

Segundo o catálogo, o bispo de Utrecht aprovou oficialmente o culto em 1433, depois de investigações canônicas.

Quando se celebra o milagre em Alkmaar?

A revista da diocese de Haarlem-Amsterdã informa que ele é lembrado no primeiro domingo de maio, na Sint-Laurentiuskerk.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Instituto Meertens, banco de dados Bedevaartplaatsen in Nederland (lugares de peregrinação na Holanda); revista Samen Kerk, da diocese de Haarlem-Amsterdã.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.