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Milagre eucarístico de Amsterdam (1345) e a Stille Omgang

Em 1345, uma hóstia jogada ao fogo foi achada intacta em Amsterdam. Veja o relato, o que restou da relíquia e a caminhada silenciosa.

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Interior da capela católica do Begijnhof, em Amsterdã, que guarda a memória do milagre de 1345
Begijnhofkapel (Amsterdam) P1020925. Foto: G.Lanting, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Amsterdam aconteceu em março de 1345, poucos dias antes da Páscoa. Segundo o relato, a Hóstia que um doente grave tinha vomitado foi jogada no fogo da lareira e, no dia seguinte, foi encontrada intacta, envolta em luz. A Hóstia e o relicário se perderam com o tempo, mas o milagre é lembrado até hoje pela Stille Omgang, a caminhada silenciosa que milhares de católicos fazem todos os anos, de madrugada, pelo centro da cidade.

O que aconteceu em Amsterdam?

O catálogo da exposição de São Carlo Acutis data o início dos fatos em 12 de março de 1345. Ysbrand Dommer, morador da rua Kalverstraat, sentia-se perto da morte e mandou chamar o pároco da Oude Kerk, a igreja mais antiga da cidade, para receber a Comunhão. Pouco depois de comungar, ele vomitou numa bacia, e o conteúdo foi lançado ao fogo da lareira.

A sequência, segundo o relato:

  1. No dia seguinte, Ysbrand estava recuperado.
  2. Uma das mulheres que cuidavam dele foi atiçar o fogo e viu uma luz estranha, com uma Hóstia no centro, intacta.
  3. Ela gritou, e os vizinhos correram para ver.
  4. Ysbrand recolheu a Hóstia, envolveu-a num pano de linho, guardou-a numa caixinha, e ela foi levada ao pároco.
  5. Segundo o catálogo, o padre precisou voltar três vezes à casa, porque a Hóstia reaparecia ali.

Diante disso, decidiu-se transformar a casa de Ysbrand numa capela. No dia de Páscoa, as testemunhas, junto com a autoridade civil da cidade, redigiram um relatório cuidadoso dos fatos.

Leia também: Milagre eucarístico de Pressac (1643): a hóstia no fogo

O que restou da capela e da relíquia?

A capela erguida no lugar da casa ficou conhecida como Heilige Stede, o Lugar Santo, e Amsterdam se tornou destino de peregrinos. O catálogo registra que, em 1452, um incêndio destruiu a capela, mas o relicário com a Hóstia ficou intacto. Uma pintura de 1484 mostra o arquiduque Maximiliano da Áustria em adoração diante da relíquia.

Com a Reforma, a situação mudou. Em 1578 a cidade passou ao controle protestante, as procissões católicas foram proibidas e a capela foi convertida em templo protestante. O prédio acabou demolido em 1908. Perto do local original, na rua Rokin, há uma coluna refeita em 1988 a partir de fragmentos antigos.

Segundo o catálogo, em 1665 a câmara da cidade autorizou o padre Jan van der Mey a transformar em capela uma das casas do antigo conjunto das beguinas, e o relicário foi levado para lá. Pouco depois, ele foi roubado por ladrões desconhecidos. Hoje restam a caixinha que guardou a Hóstia, os documentos que narram o milagre e algumas pinturas, que o catálogo situa no Museu Histórico de Amsterdam.

Como é a devoção hoje?

A marca mais conhecida do milagre é a Stille Omgang, que quer dizer "caminhada silenciosa". Como as procissões públicas ficaram proibidas depois de 1578, os católicos passaram a refazer o antigo percurso dos peregrinos em silêncio, sem estandartes nem cantos, rezando cada um por si. A caminhada acontece de madrugada, numa noite de sábado para domingo, em março, e reúne milhares de peregrinos.

O catálogo diz que a procissão é feita na noite que antecede o Domingo de Ramos, mas outras descrições a situam em março, perto do aniversário do milagre, e não necessariamente nessa data. Quem pretende participar deve conferir o calendário do ano junto aos organizadores.

Leia também: Milagre eucarístico de Trani (século XI): a hóstia frita

A Igreja reconheceu o milagre de Amsterdam?

Segundo o catálogo, o relatório das testemunhas foi entregue ao bispo de Utrecht, Jan van Arkel, que autorizou o culto do milagre. Isso significa que a veneração pública foi permitida pela autoridade da Igreja já no século XIV. Como em todo prodígio particular, a aprovação do culto não obriga os fiéis a crer no milagre.

O que o milagre de Amsterdam ensina sobre a Eucaristia?

O relato de Amsterdam mostra o respeito devido às espécies consagradas, mesmo numa situação difícil como a de um doente que não consegue reter a Comunhão. A Igreja ensina que a presença de Cristo dura enquanto durarem as espécies eucarísticas (CIC 1377). Por isso a Igreja sempre pediu que nada das espécies consagradas fosse tratado como coisa comum.

O episódio também lembra o valor da Comunhão levada aos doentes, o viático. Jesus prometeu: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6,54). A fé nessa promessa não depende de nenhum sinal extraordinário. A Stille Omgang, feita em silêncio há séculos, é um testemunho de fé que se mantém mesmo quando não há nada para ver.

Perguntas frequentes

Quando aconteceu o milagre eucarístico de Amsterdam?

Em março de 1345, poucos dias antes da Páscoa. O catálogo indica 12 de março como o dia em que Ysbrand Dommer recebeu a Comunhão.

O que é a Stille Omgang?

É uma caminhada silenciosa e noturna pelo centro de Amsterdam, em memória do milagre, feita em março por católicos de toda a Holanda.

A Hóstia do milagre de Amsterdam ainda existe?

Não. Segundo o catálogo, o relicário foi roubado no século XVII. Restam a caixinha que guardou a Hóstia, documentos e pinturas.

O milagre de Amsterdam foi aprovado pela Igreja?

O catálogo informa que o bispo de Utrecht, Jan van Arkel, autorizou o culto depois de receber o relatório das testemunhas.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Amsterdamian, guia sobre o milagre de Amsterdam e a Stille Omgang; AT5, emissora de Amsterdam, reportagem sobre a Stille Omgang.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.