O milagre eucarístico de Faverney aconteceu em 1608, na abadia beneditina de Faverney, no leste da França (região do Franco-Condado). Na vigília de Pentecostes, um incêndio destruiu o altar onde o Santíssimo estava exposto, mas o ostensório com duas hóstias foi encontrado intacto e, segundo os relatos, suspenso no ar. O arcebispo de Besançon declarou o milagre autêntico no mesmo ano. Uma das hóstias é conservada e venerada até hoje em Faverney; a outra foi destruída em 1794.
O que aconteceu em Faverney?
O catálogo de São Carlo Acutis situa o fato num tempo de fortes divisões religiosas na França, com a expansão do protestantismo calvinista. Na abadia de Faverney, conta o painel, os monges tinham se afastado bastante da regra de São Bento. A devoção mais viva do lugar era a Nossa Senhora, venerada numa imagem conhecida como Notre-Dame la Blanche, à qual o povo atribuía muitas graças.
Em 1608, na vigília de Pentecostes, os monges prepararam um altar provisório para expor o Santíssimo Sacramento à adoração. Como o óculo do ostensório era largo, colocaram nele duas hóstias consagradas. Terminadas as Vésperas, deixaram o Santíssimo exposto durante a noite.
Na manhã seguinte, o sacristão abriu a igreja e a encontrou cheia de fumaça. O altar provisório tinha virado cinza. Ele gritou por socorro, e os monges e outras pessoas começaram a remexer as cinzas na esperança de achar algo do ostensório.
Quando a fumaça se dissipou, segundo o relato, viram o ostensório suspenso no ar, sem apoio, com as duas hóstias inteiras. A multidão foi aumentando. Sem saber o que fazer, os monges pediram conselho aos frades capuchinhos de Vesoul, cidade vizinha. Os capuchinhos montaram um novo altar sobre o que tinha queimado e celebraram a Missa. No momento da elevação da hóstia, o ostensório desceu lentamente até pousar no novo altar.
Na homilia do quarto centenário, em 2008, o cardeal André Vingt-Trois, arcebispo de Paris, recordou que o ostensório ficou suspenso durante 33 horas diante de milhares de testemunhas.
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Onde está a relíquia hoje?
O catálogo informa que ainda hoje se pode ver e venerar uma das duas hóstias que ficaram intactas no incêndio, em Faverney, e que muitos peregrinos vão até lá todos os anos. A outra hóstia foi dada depois à igreja de Dole, também no Franco-Condado, e acabou destruída pelos revolucionários em 1794.
A memória do fato marcou a região. Em 1908, o terceiro centenário foi celebrado com um Congresso Eucarístico Nacional. Em 25 de maio de 2008, festa do Santíssimo Sacramento na França, o quarto centenário reuniu milhares de peregrinos em Faverney, com Missa presidida pelo cardeal Vingt-Trois.
A Igreja reconheceu o milagre de Faverney?
Sim, e com documentos claros. Segundo o catálogo, depois de um processo canônico, em 10 de julho de 1608 o arcebispo de Besançon declarou autêntico o milagre eucarístico. Em 13 de setembro, o arcebispo de Rodes, que era núncio em Bruxelas, comunicou o fato ao papa Paulo V, que concedeu uma bula de indulgência. Em 1862, a Congregação dos Ritos autorizou a celebração litúrgica do milagre.
Esse reconhecimento significa que a Igreja julgou o fato digno de crédito e aprovou o seu culto. Mesmo assim, como todo prodígio particular, ele não se torna verdade de fé obrigatória (CIC 67).
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O que o milagre de Faverney ensina sobre a Eucaristia?
O detalhe mais expressivo do relato é o momento em que o ostensório desce: na elevação da hóstia, durante a Missa. O sinal extraordinário cede lugar ao sinal de sempre, a celebração eucarística. É ali, e não no prodígio, que Cristo se torna presente todos os dias. O Catecismo ensina que, pela consagração, toda a substância do pão se converte na substância do Corpo de Cristo (CIC 1376) e que essa presença dura enquanto subsistirem as espécies (CIC 1377).
O fogo destruiu tudo ao redor, mas não as hóstias. A imagem lembra a promessa de Jesus: "Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente" (Jo 6,51). O catálogo registra que o milagre reacendeu a fé de muitos numa época de dúvidas sobre a presença real.
A fé católica, porém, não precisa de hóstias suspensas no ar. Ela se apoia na palavra do Senhor, "Isto é o meu corpo" (1Cor 11,24), e na fé da Igreja que professa a presença verdadeira, real e substancial de Cristo (CIC 1374).
Perguntas frequentes
Quando foi o milagre eucarístico de Faverney?
Na vigília de Pentecostes de 1608, na abadia beneditina de Faverney, no leste da França.
O milagre de Faverney foi reconhecido?
Sim. O arcebispo de Besançon o declarou autêntico em 10 de julho de 1608, e o papa Paulo V concedeu uma bula de indulgência.
A hóstia de Faverney ainda existe?
Uma das duas hóstias é conservada e venerada em Faverney. A outra, levada para Dole, foi destruída em 1794.
Quanto tempo o ostensório ficou suspenso?
O catálogo não dá a duração. Na homilia do quarto centenário, o cardeal André Vingt-Trois falou em 33 horas.
Para aprofundar
- Carlo Acutis e a catalogação dos milagres eucarísticos
- Milagre eucarístico de Avignon (1433)
- O que é a transubstanciação na Eucaristia
- O que a Igreja diz sobre os milagres eucarísticos
Fontes
Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis (Edizioni San Clemente, 2006); Catecismo da Igreja Católica (n. 67 e 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Cardeal André Vingt-Trois, homilia no quarto centenário do milagre de Faverney (25 de maio de 2008), publicada pela Arquidiocese de Paris.
As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.