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Milagre eucarístico de Bruges: a relíquia do Santo Sangue

Bruges guarda um frasco venerado como sangue de Cristo. Entenda a origem da relíquia, o que dizem as pesquisas e a procissão da Ascensão.

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Fachada da basílica do Santo Sangue, em Bruges, que guarda a relíquia do Preciosíssimo Sangue
Bruges Basilica of the Holy Blood 01. Foto: Ad Meskens, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O chamado milagre eucarístico de Bruges não é, na verdade, um prodígio com uma hóstia: trata-se da relíquia do Preciosíssimo Sangue de Jesus, um frasco de cristal de rocha que, segundo a tradição, contém gotas do sangue de Cristo e chegou a Bruges no século XIII. O catálogo de São Carlo Acutis o inclui na sua exposição e o liga a 1203, ano do cerco de Constantinopla. A relíquia é venerada na basílica do Santo Sangue, em Bruges, e todos os anos sai na procissão do Santo Sangue, no dia da Ascensão.

O que é o Santo Sangue de Bruges?

É uma relíquia da Paixão. Ao contrário de outros casos do catálogo, ela não nasceu de uma Missa em que a hóstia ou o vinho mudaram de aspecto. Ela é venerada como sangue do próprio Cristo, recolhido na Paixão. Mesmo assim, o catálogo de São Carlo Acutis a inclui na sua exposição, e ela desperta grande devoção popular há séculos.

O catálogo é prudente ao falar da origem. Ele reconhece que a Bíblia nunca diz que o sangue de Cristo tenha sido guardado. Um texto apócrifo, isto é, um escrito antigo que não faz parte da Bíblia, conta que José de Arimateia teria conservado algumas gotas. É uma tradição, e não um dado da Escritura.

Leia também: Milagre eucarístico de Boxmeer (1400): o Santo Sangue

Como a relíquia chegou a Bruges?

Existem duas explicações, e o catálogo apresenta as duas:

  • A tradição antiga: o conde Diederik van den Elzas (Teodorico da Alsácia) teria trazido o frasco de Jerusalém para Bruges na volta da segunda cruzada, no século XII.
  • A hipótese mais recente: pesquisas apontam que a relíquia chegou mais tarde, por volta de 1250, e que vinha de Constantinopla.

Segundo o catálogo, o sangue provavelmente fazia parte de um grupo de relíquias da Paixão guardadas no palácio imperial de Bucoleão, em Constantinopla. Em 1203 a cidade foi sitiada pelos cruzados e, pouco depois, conquistada. Balduíno IX, conde de Flandres, foi coroado imperador latino de Constantinopla e, conforme essa versão, enviou a relíquia para a sua terra, Bruges.

Os documentos mais antigos sobre o Santo Sangue de Bruges são de 1256, informa o catálogo. Análises recentes do frasco de cristal de rocha indicaram que ele é do século XI e foi feito numa região próxima de Constantinopla. Isso combina com a hipótese bizantina, mas não prova nada sobre o conteúdo do frasco, e o catálogo não afirma que o conteúdo tenha sido analisado.

Como é a devoção hoje?

A relíquia fica na basílica do Santo Sangue, no centro histórico de Bruges, chamada no catálogo de igreja do Preciosíssimo Sangue. A veneração do frasco deu origem à famosa procissão do Santo Sangue, que percorre as ruas da cidade todos os anos no dia da Ascensão do Senhor.

Na procissão, moradores de Bruges vestem roupas de época, encenam passagens bíblicas e representam a chegada do conde de Flandres trazendo a relíquia. Em 30 de setembro de 2009, a UNESCO inscreveu a procissão na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Para o católico que visita a cidade, a basílica é um lugar de oração diante da memória da Paixão. A procissão, além de patrimônio cultural, continua sendo um ato de fé de uma cidade inteira.

Leia também: Milagre eucarístico de Weingarten: o Santo Sangue

A Igreja reconheceu o milagre de Bruges?

Aqui é preciso cuidado com as palavras. Não se trata de um milagre eucarístico que um bispo tenha examinado e aprovado, e o catálogo não menciona decreto desse tipo. O que existe é a veneração de uma relíquia, mantida pela Igreja local há mais de sete séculos, com culto público e procissão anual.

A Igreja permite venerar relíquias com piedade, mas não se pronuncia com certeza sobre a autenticidade histórica de cada uma. A origem exata do Santo Sangue de Bruges continua sendo assunto de pesquisa histórica.

O que o Santo Sangue de Bruges ensina sobre a Eucaristia?

A relíquia recorda o sangue derramado na Cruz. Mas o católico tem, em cada Missa, algo maior do que qualquer relíquia: o próprio Sangue de Cristo, presente sob a espécie do vinho. Na Última Ceia, Jesus disse que o cálice era o seu sangue da aliança, derramado por muitos para o perdão dos pecados (Mt 26,28). São Paulo transmite as mesmas palavras do Senhor sobre o cálice da nova aliança (1Cor 11,25).

O Catecismo ensina que, na Eucaristia, estão contidos verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue de Cristo, juntamente com a alma e a divindade (CIC 1374). E Jesus disse que o seu sangue é verdadeira bebida (Jo 6,55). Uma relíquia aponta para o passado; a Eucaristia torna presente o próprio Senhor. E nada disso depende de relíquias ou milagres, nos quais a Igreja não obriga ninguém a crer.

Perguntas frequentes

O Santo Sangue de Bruges é um milagre eucarístico?

Não no sentido estrito. É uma relíquia da Paixão, venerada como sangue de Cristo, que o catálogo de São Carlo Acutis inclui na sua exposição.

Como a relíquia chegou a Bruges?

A tradição fala do conde Teodorico da Alsácia, na segunda cruzada. Pesquisas recentes indicam que ela veio de Constantinopla, por volta de 1250.

Quando é a procissão do Santo Sangue?

Todos os anos, no dia da Ascensão do Senhor. Desde 2009 ela é patrimônio cultural imaterial da humanidade pela UNESCO.

Onde fica a relíquia?

Na basílica do Santo Sangue, no centro histórico de Bruges, na Bélgica.

Para aprofundar

Fontes

Este artigo se baseia em: Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 1374); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); UNESCO, Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial, ficha da Procissão do Santo Sangue de Bruges; site oficial da Procissão do Santo Sangue de Bruges.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.