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Milagre eucarístico de Bois-Seigneur-Isaac (1405)

Em 1405, um fragmento de hóstia esquecido no corporal sangrou durante a Missa. Veja o relato, a aprovação do bispo e onde rezar hoje.

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Capela do Santo Sangue da abadia de Bois-Seigneur-Isaac, onde se venera o corporal
0 Bois-Seigneur-Isaac - Chapelle du Saint-Sang (2). Foto: Jean-Pol GRANDMONT, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Bois-Seigneur-Isaac aconteceu em 1405, perto de Ophain, na atual Bélgica. Segundo o relato, durante a Missa, um fragmento de hóstia consagrada que tinha ficado no corporal não se soltava do pano e começou a sangrar, manchando-o quase por inteiro. O bispo de Cambrai, Pedro de Ailly, autorizou o culto da relíquia em 1413, e o corporal manchado de sangue é venerado até hoje na capela do Santo Sangue, no mosteiro de Bois-Seigneur-Isaac.

O que aconteceu em Bois-Seigneur-Isaac?

O catálogo de São Carlo Acutis conta que, a partir da terça-feira anterior a Pentecostes de 1405, o senhor do lugar, Jean de Huldenberg, viu três vezes seguidas Jesus coberto de chagas. Só na terceira vez o Senhor teria falado, pedindo que ele fosse à capela de Isaac, onde o encontraria.

Na mesma época, o pároco de Haut-Ittre, Pedro Ost, ouviu uma voz que lhe pedia para ir à capela de Isaac celebrar a Missa da Santa Cruz. No dia seguinte, ele reuniu os fiéis na capela, e Jean de Huldenberg estava entre eles.

O fragmento que sangrou

Ao abrir o corporal, o pano sobre o qual se colocam a hóstia e o cálice, o padre viu que ali tinha ficado, da Missa da terça-feira anterior, um pedaço da hóstia grande consagrada. Ele tentou consumi-lo, mas o fragmento não se soltava do pano e começou a sangrar. O sacerdote empalideceu. Jean, que tinha visto tudo, o amparou, disse que aquilo vinha de Deus e contou as visões que tinha recebido.

Segundo o relato, o sangue continuou a correr durante quatro dias, até a terça-feira de Pentecostes, formando uma mancha da espessura de um dedo e de três dedos de largura. Depois de cobrir quase todo o corporal, foi coagulando lentamente até secar. O catálogo afirma que muitas pessoas viram e atestaram o fato.

O exame do bispo

Informado, o bispo de Cambrai, Pedro de Ailly, quis examinar pessoalmente o corporal e o guardou em sua casa por cerca de dois anos. Conta o catálogo que todas as tentativas de remover a mancha foram inúteis. O bispo abriu então um inquérito e recolheu testemunhos sobre graças atribuídas à relíquia.

Leia também: Milagre eucarístico de Seefeld (1384): a hóstia que sangrou

A Igreja reconheceu o milagre de Bois-Seigneur-Isaac?

Sim, segundo o catálogo, houve atos da autoridade da Igreja, em etapas:

  • 16 de junho de 1410: Pedro de Ailly concedeu 40 dias de indulgência a quem visitasse a capela de Bois-Seigneur-Isaac.
  • 1413: o mesmo bispo declarou que o corporal podia ser venerado como relíquia sagrada e instituiu uma procissão solene com exposição do Santíssimo Sacramento.
  • 1414: realizou-se a primeira procissão.
  • 13 de janeiro de 1424: o papa Martinho V aprovou oficialmente a construção do mosteiro de Bois-Seigneur-Isaac.

O catálogo traz duas datas diferentes para o ato de 1413 (3 de março e 3 de maio), por isso aqui se indica apenas o ano. O ponto central é claro: o bispo da diocese examinou o caso e autorizou o culto da relíquia.

Onde está a relíquia hoje?

O corporal manchado de sangue continua sendo venerado na capela do Santo Sangue, no mosteiro de Bois-Seigneur-Isaac, que segue como lugar de peregrinação. O catálogo mostra ainda a pedra do altar onde o pároco celebrou a Missa do milagre, o altar-mor do escultor Laurent Delvaux, do século XVIII, e uma relíquia de um espinho da coroa de Cristo.

O mosteiro teve uma história agitada. Cônegos agostinianos se instalaram ali a partir de 1413. A casa foi saqueada no fim do século XVI e suprimida depois da Revolução Francesa, mas a capela sobreviveu. No século XX, o lugar passou aos cônegos premonstratenses de Averbode e, desde 2010, é cuidado por monges da Ordem Libanesa Maronita, segundo as referências históricas sobre a abadia.

A memória do milagre é celebrada todos os anos. O catálogo registra que, no domingo seguinte à festa da Natividade de Maria (8 de setembro), os moradores se reúnem em oração para recordar o prodígio. A grande procissão do Santo Sangue acontece em setembro, segundo o órgão de turismo do Brabante Valão.

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O que o milagre de Bois-Seigneur-Isaac ensina sobre a Eucaristia?

O relato começa com um detalhe simples: um fragmento de hóstia esquecido no corporal. A Igreja sempre pediu cuidado com os fragmentos, porque ensina que Cristo está todo inteiro em cada parte das espécies consagradas e que essa presença dura enquanto as espécies existirem (CIC 1377). Por isso o padre purifica a patena e o cálice depois da comunhão.

O Catecismo afirma que no Santíssimo Sacramento estão contidos verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue de Cristo, com a alma e a divindade (CIC 1374). Jesus prometeu que o pão que ele daria seria a sua carne para a vida do mundo (Jo 6,51). São Paulo recorda a instituição da Eucaristia na noite em que o Senhor foi entregue (1Cor 11,23-26).

A fé na presença real não depende de sinais como o de 1405. A Igreja não obriga a crer em milagres particulares, mesmo quando um bispo autoriza o culto. Um relato assim é um convite a tratar com reverência até o menor fragmento consagrado.

Perguntas frequentes

Quando aconteceu o milagre de Bois-Seigneur-Isaac?

Em 1405, na semana de Pentecostes, na capela de Isaac, perto de Ophain, na Bélgica, segundo o catálogo de São Carlo Acutis.

O que é a relíquia do milagre?

É o corporal, o pano usado no altar durante a Missa, manchado pelo sangue que saiu de um fragmento de hóstia consagrada.

Quem aprovou o culto?

O bispo de Cambrai, Pedro de Ailly, que examinou o corporal, concedeu indulgências em 1410 e autorizou a veneração em 1413.

Quando é a festa do milagre?

O catálogo indica a celebração no domingo seguinte à festa da Natividade de Maria, em setembro, quando ocorre a grande procissão.

Para aprofundar

Fontes

Este artigo se baseia em: Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); referências históricas sobre a abadia de Bois-Seigneur-Isaac; órgão de turismo do Brabante Valão, página da Grande Procissão do Santo Sangue.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.