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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Blanot (1331): a toalha com sangue

Na Missa de Páscoa de 1331, um fragmento da hóstia caiu sobre a toalha de comunhão. A mancha não saiu com água, e o tecido é guardado em Blanot.

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Igreja românica de São Martinho, em Blanot, onde ocorreu o milagre eucarístico de 1331
Blanot Église Saint-Martin. Foto: Thomas Kaffenberger, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Blanot aconteceu no domingo de Páscoa de 1331, nessa pequena aldeia da Borgonha, no centro-leste da França. Segundo o inquérito feito no mesmo ano, um fragmento da hóstia consagrada caiu sobre a toalha de comunhão e, no lugar dele, surgiu uma gota de sangue que se espalhou e não saiu com água. O pedaço de tecido manchado é guardado até hoje em Blanot, num relicário com tubo de cristal.

O que aconteceu em Blanot?

No século XIV, Blanot fazia parte da diocese de Autun. O que se sabe do fato vem de um relatório detalhado, porque o bispo de Autun, Pierre Bertrand, mandou o seu oficial de cúria, Jean Jarossier, abrir um inquérito canônico no mesmo ano. O catálogo de São Carlo Acutis resume esse documento.

No dia de Páscoa de 1331, logo cedo, o vigário de Blanot, padre Hugues de la Baume, celebrou a primeira Missa. Como era costume, dois homens de boa reputação seguravam uma toalha diante dos fiéis na hora da Comunhão. Um deles se chamava Thomas Caillot.

Quando o padre deu a Comunhão a uma viúva chamada Jacquette, um fragmento da hóstia, equivalente a cerca de um quinto dela, caiu sobre a toalha. A mulher não percebeu. Thomas viu e chamou o padre, que já estava colocando o cálice no altar, avisando que o Corpo do Senhor tinha caído da boca daquela senhora.

O celebrante voltou depressa para recolher a partícula. Segundo o relato, ela tinha desaparecido e no lugar havia uma gota de sangue. O vigário levou a toalha para a sacristia e tentou lavar a mancha com água várias vezes, esfregando o tecido. Em vez de sair, a mancha ficava mais vermelha e maior.

O padre então pediu uma faca a Thomas Caillot, cortou ali mesmo, sobre o altar, a parte manchada da toalha e a mostrou a todos. Comovido, disse ao povo que aquele era o Sangue de Nosso Senhor, pois de nenhum modo conseguira separá-lo do pano. Depois guardou o tecido num relicário.

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Onde está a relíquia hoje?

O catálogo afirma que a relíquia do tecido manchado de sangue continua guardada na aldeia de Blanot. Ela fica num estojo do século XVII, com um tubo de cristal, e o relicário traz pinturas que lembram o fato. Uma lápide antiga, reproduzida no painel, resume o acontecido e menciona o inquérito ordenado pelo bispo de Autun.

Todos os anos, na festa do Corpo de Deus (Corpus Christi), a paróquia de Blanot presta uma honra especial à relíquia do milagre.

A Igreja reconheceu o milagre de Blanot?

O dado mais firme é o inquérito canônico de 1331, ordenado pelo próprio bispo de Autun no ano do fato e conduzido pelo seu oficial. É por causa dele que hoje existe um relato com nomes, horário e circunstâncias. A veneração da relíquia na paróquia, mantida há séculos, e a festa anual mostram que o culto local foi aceito.

O catálogo, porém, não transcreve uma sentença formal de aprovação nem um decreto papal. O mais exato é dizer que houve investigação oficial da diocese na época e que a devoção continua, sem afirmar mais do que a fonte informa.

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O que o milagre de Blanot ensina sobre a Eucaristia?

A cena de Blanot mostra o cuidado da Igreja com cada fragmento da hóstia consagrada. A toalha segurada diante dos fiéis existia justamente para que nenhuma partícula caísse no chão. Esse cuidado tem razão de ser: o Catecismo ensina que Cristo está presente todo inteiro em cada uma das espécies e em cada uma das suas partes, de modo que a fração do pão não divide Cristo (CIC 1377).

A fé da Igreja vem das palavras do próprio Senhor: "Isto é o meu corpo, que é para vós" (1Cor 11,24) e "o meu sangue é verdadeira bebida" (Jo 6,55). O Catecismo resume que, na Eucaristia, estão contidos verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue de Cristo, com a sua alma e a sua divindade (CIC 1374).

Essa fé não depende de manchas de sangue nem de qualquer sinal visível. Os prodígios podem despertar a devoção, mas a Igreja não obriga ninguém a crer em revelações ou fatos extraordinários particulares (CIC 67). O que todo católico professa é a presença real, em toda Missa, em toda hóstia consagrada.

Perguntas frequentes

Quando foi o milagre eucarístico de Blanot?

No domingo de Páscoa de 1331, durante a primeira Missa do dia, celebrada pelo vigário Hugues de la Baume.

O que se guarda em Blanot?

O pedaço da toalha de comunhão com a mancha de sangue, num relicário com tubo de cristal, conforme o catálogo.

Houve investigação sobre o milagre de Blanot?

Sim. O bispo de Autun, Pierre Bertrand, mandou fazer um inquérito canônico no mesmo ano, conduzido pelo seu oficial Jean Jarossier.

Quando a relíquia de Blanot é venerada?

Todo ano, na festa de Corpus Christi, a paróquia presta uma honra especial à relíquia.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis (Edizioni San Clemente, 2006); Catecismo da Igreja Católica (n. 67 e 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.