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Milagre eucarístico de Cimballa (1370), o Santo Dúbio

Um pároco de Aragão duvidava da presença real e viu a hóstia sangrar sobre o corporal. Conheça o Santíssimo Mistério Dúbio e a relíquia que existe até hoje.

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Vista de Cimballa, em Aragão, vila do milagre eucarístico de 1370
Cimballa, Zaragoza, España, 2018-04-05, DD 32. Foto: Diego Delso, licença CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Cimballa, conhecido como Santíssimo Mistério Dúbio (ou "da Dúvida"), é a tradição de um pároco dessa pequena aldeia de Aragão, na Espanha, que por volta de 1370 duvidava da presença real de Cristo na Eucaristia. Durante a Missa, segundo o relato, a hóstia se transformou em carne e dela correu sangue sobre o corporal. Esse corporal manchado de sangue é guardado até hoje na igreja paroquial de Cimballa.

O que aconteceu em Cimballa?

Segundo o catálogo, o pároco de Cimballa, chamado Tomás, vivia havia meses atormentado por dúvidas sobre a presença real de Jesus no Sacramento. Uma história antiga do milagre, do cronista Sanz de Larrea, explica que o sobrenome do padre não foi registrado de propósito: não se quis divulgar o nome de um sacerdote que tinha vacilado na fé.

Numa Missa de domingo, depois de pronunciar as palavras da consagração, o padre Tomás viu a hóstia se transformar em carne. O sangue começou a escorrer com tanta abundância que molhou o corporal, o pano branco sobre o qual se colocam a hóstia e o cálice no altar.

Tomado de arrependimento, o padre chorou no altar. A comoção dele chamou a atenção do povo, que se aproximou e viu o corporal manchado. A relíquia foi levada em procissão, e a notícia se espalhou pela região. O catálogo conta que o padre, com a fé fortalecida, foi viver num mosteiro, dedicado à penitência e à oração pelo resto da vida.

Leia também: Milagre eucarístico de Boxmeer (1400): o Santo Sangue

Onde está a relíquia hoje?

A relíquia do corporal teve uma longa história de deslocamentos. A obra de Sanz de Larrea, reeditada recentemente pela Universidade de Zaragoza, registra estas etapas:

  1. Em 1398, o rei Martinho I de Aragão levou a relíquia para a sua capela no palácio da Aljafería, em Zaragoza.
  2. Por volta de 1400, ela foi entregue ao mosteiro cisterciense de Nossa Senhora de Piedra, também em Aragão.
  3. Em 1600, o bispo de Tarazona, Diego de Yepes, examinou a relíquia. Pouco depois, um pequeno fragmento foi enviado à cidade de Yepes, perto de Toledo. Esse fragmento se perdeu na Guerra Civil Espanhola, e em 1940 a cidade recebeu um novo.
  4. Desde 1835, o corporal está de volta à igreja paroquial de Cimballa, num relicário de 1594.

O catálogo chama a igreja de Purificação de Nossa Senhora, e uma das suas fotos a identifica como igreja de Santa Maria. Ali, segundo o catálogo, a relíquia é exposta todos os anos em 12 de setembro, aniversário da festa do milagre. Fontes históricas registram também a exposição na festa do Corpo de Deus. Muitas graças foram atribuídas ao Santo Dúbio ao longo dos séculos, e a devoção nunca se interrompeu.

A Igreja reconheceu o milagre de Cimballa?

O catálogo não menciona decreto formal de reconhecimento do prodígio. A história registra, porém, atos de autoridades da Igreja ligados ao culto: um núncio apostólico permitiu a exposição pública da relíquia no mosteiro de Piedra, e o bispo de Tarazona a examinou pessoalmente em 1600. Esses atos tratam da guarda e da veneração da relíquia, e não são uma declaração formal sobre o caráter sobrenatural do fato.

Leia também: Milagre eucarístico de Macerata (1356): o corporal de sangue

O que o milagre de Cimballa ensina sobre a Eucaristia?

Cimballa faz parte de um grupo de relatos com o mesmo enredo: um sacerdote que duvida e vê, na própria Missa, um sinal que o confirma. Outros exemplos conhecidos são Lanciano, na Itália, e Bolsena, ligado à origem da festa de Corpus Christi.

A dúvida do padre Tomás é compreensível: aos sentidos, a hóstia consagrada continua parecendo pão. A Igreja ensina que, pela consagração, se dá a conversão de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo, e chama essa mudança de transubstanciação (CIC 1376). O que muda não se vê. Por isso a fé se apoia na palavra de Jesus.

"Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele." (Jo 6,56)

A fé na presença real não depende de prodígios, e a Igreja não obriga ninguém a crer em relatos como este (CIC 67). O caso de Cimballa pode servir de consolo a quem atravessa dúvidas: a resposta do padre foi chorar, pedir perdão e mudar de vida.

Perguntas frequentes

O que significa "Santo Dúbio"?

Significa "santa dúvida". É o nome popular do milagre de Cimballa, por causa da dúvida do sacerdote sobre a presença real de Cristo na Eucaristia.

Onde fica Cimballa?

Cimballa é uma pequena aldeia da província de Zaragoza, na comunidade autônoma de Aragão, no nordeste da Espanha.

A relíquia de Cimballa ainda existe?

Sim. O corporal manchado de sangue está na igreja paroquial de Cimballa desde 1835, num relicário de 1594, e é exposto aos fiéis na festa anual.

Quando é a festa do milagre de Cimballa?

Segundo o catálogo da exposição de São Carlo Acutis, em 12 de setembro, quando a relíquia é exposta na igreja paroquial.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (§§ 67 e 1376); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Sanz de Larrea, Historia del Santísimo Misterio Dubio, edição de 2020 da Universidade de Zaragoza.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.