O milagre eucarístico de Rimini é o famoso "milagre da mula" de Santo Antônio de Pádua. Segundo a tradição, em 1227, na praça principal dessa cidade italiana, uma mula mantida três dias em jejum deixou a comida que lhe ofereciam e se ajoelhou diante da hóstia consagrada que o santo segurava. O desafio tinha sido lançado por um herege chamado Bonovillo, que se converteu. No lugar do fato ergue-se hoje um pequeno templo dedicado a Santo Antônio.
Não há relíquia material deste milagre: o que se conserva é o lugar, a coluna sobre a qual foi construído um altar e uma longa tradição artística.
O que aconteceu em Rimini?
No começo do século XIII, a heresia dos cátaros se espalhava pelo norte da Itália e pelo sul da França. Entre outras coisas, os cátaros negavam a presença real de Cristo na Eucaristia. Santo Antônio, frade franciscano nascido em Lisboa, pregava contra esses erros.
O desafio de Bonovillo
Segundo o relato do catálogo, um cátaro chamado Bonovillo, depois de muitas discussões com o santo, propôs uma prova pública. Ele deixaria uma de suas mulas sem comer por três dias. Depois a levaria à praça, onde ele mesmo ofereceria cevada ao animal, enquanto Antônio estaria diante dela com a hóstia consagrada. Se a mula deixasse a comida para se voltar à hóstia, Bonovillo abraçaria a fé católica.
O encontro na praça
Antônio aceitou. O encontro foi marcado na praça grande da cidade, a atual praça dos Três Mártires (Piazza Tre Martiri), e atraiu muitos curiosos. No dia combinado, o santo chegou com a hóstia num relicário, acompanhado dos fiéis católicos. Bonovillo chegou com a mula faminta e seus companheiros.
Depois de pedir silêncio, o santo dirigiu-se ao animal e ordenou, em nome do Criador, que viesse prestar homenagem ao Senhor. Conta a tradição que a mula ignorou a cevada, aproximou-se de Antônio, dobrou as patas da frente diante da hóstia e permaneceu assim. Bonovillo lançou-se aos pés do santo, renunciou publicamente aos seus erros e tornou-se, desde então, um colaborador dedicado de Antônio.
Data e lugar: o que dizem as fontes
O catálogo data o fato em 1227 e cita, entre as fontes antigas, as biografias medievais do santo conhecidas como Assidua e Benignitas. Outras fontes dão datas diferentes: o jornal Avvenire, por exemplo, situa o episódio em 1225. Há também versões antigas da história que a localizam em cidades da França, como Toulouse e Bourges. A tradição de Rimini, porém, é a mais conhecida e é a que o catálogo registra.
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Como é a devoção hoje?
Na praça Tre Martiri, em Rimini, está o Templo de Santo Antônio (Tempietto di Sant'Antonio), construído em honra do milagre. O edifício original é de 1518 e foi refeito em estilo barroco depois do terremoto de 1672. O painel mostra o altar construído sobre a coluna junto à qual, segundo a tradição, o santo realizou o prodígio.
O milagre da mula na arte
Poucos milagres eucarísticos foram tão representados. O catálogo lembra:
- o relevo de Donatello sobre o milagre da mula (1446 a 1448), na Basílica de Santo Antônio, em Pádua;
- o afresco de Girolamo Tessari (1511), na mesma basílica;
- a pintura de Domenico Beccafumi (1537), no Museu do Louvre, em Paris;
- uma obra do Museu Diocesano de Milão e outra na igreja de Santo Antônio em Tonara, na Sardenha;
- uma representação na Igreja Matriz de Salvaterra de Magos, em Portugal.
A Igreja reconheceu o milagre de Rimini?
O catálogo não menciona nenhum decreto de reconhecimento do milagre. O episódio pertence à tradição hagiográfica de Santo Antônio, transmitida por biografias medievais e pela devoção popular, e é honrado em Rimini com o templo da praça. Santo Antônio foi canonizado em 1232, menos de um ano depois de sua morte, e é Doutor da Igreja, mas isso não equivale a uma aprovação formal deste relato específico.
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O que o milagre de Rimini ensina sobre a Eucaristia?
A imagem de um animal que se ajoelha diante da hóstia fala por contraste: se até uma criatura sem razão reconhece o seu Criador, quanto mais o ser humano. Por isso a Igreja pede gestos de adoração diante do Santíssimo, como a genuflexão. O Catecismo ensina que a Igreja presta à Eucaristia o culto de adoração, dentro e fora da Missa, porque nela está o próprio Cristo (CIC 1378).
A fé na presença real se apoia nas palavras de Jesus: "a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida" (Jo 6,55). São Paulo transmite o que recebeu do Senhor sobre a Última Ceia: "Isto é o meu corpo, que é para vós" (1Cor 11,24). O milagre da mula não acrescenta nada a essa verdade; apenas a ilustra de modo popular. A Igreja não obriga ninguém a crer em prodígios particulares como este.
Perguntas frequentes
Onde fica o lugar do milagre da mula de Santo Antônio?
Na praça Tre Martiri, em Rimini, onde está o Templo de Santo Antônio, construído em 1518 e refeito depois de 1672.
Em que ano foi o milagre eucarístico de Rimini?
O catálogo indica 1227. Outras fontes falam em 1225, e há versões que situam o episódio na França.
Quem era Bonovillo?
Segundo o relato, era um herege cátaro que desafiou Santo Antônio a provar a presença real de Cristo na Eucaristia e se converteu depois do prodígio.
A Igreja aprovou oficialmente o milagre da mula?
O catálogo não menciona decreto de reconhecimento. O fato pertence à tradição sobre Santo Antônio.
Para aprofundar
- Carlo Acutis e a catalogação dos milagres eucarísticos
- Santo Antônio de Pádua, o santo dos milagres
- Milagre eucarístico de Salzano
- O que é o Santíssimo Sacramento
Fontes
Este artigo se baseia em: Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 1374 a 1378); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); jornal Avvenire, "La mappa dei miracoli eucaristici in Italia".
As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.