Tempo Comum, 30ª semana Liturgia de hoje
Católicos Orantes
Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Regensburg (1255): o crucifixo

Em 1255 um padre deixou cair as hóstias num riacho em Ratisbona. Na capela erguida ali, um crucifixo teria tomado o cálice das mãos de outro padre.

5 min de leitura
Vista de Regensburg com o Danúbio, a Ponte de Pedra e a catedral, cidade do milagre de 1255
Regensburg mit Steinerne Brücke, Dom und Stadt am Hof. Foto: Nkoepff, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Regensburg, cidade da Baviera também chamada Ratisbona em português, está ligado a dois fatos. Na Quinta-feira Santa, 25 de março de 1255, um padre que levava a comunhão a um doente escorregou numa prancha sobre um riacho e deixou cair as hóstias consagradas. No local foi erguida uma capela em reparação. Dois anos depois, segundo o relato, um padre que celebrava ali e duvidava da presença real viu o crucifixo do altar estender os braços e tomar o cálice de suas mãos. O catálogo diz que esse crucifixo ainda é conservado em Regensburg.

O que aconteceu em Regensburg?

As hóstias no riacho (1255)

Na Quinta-feira Santa de 1255, um sacerdote de Regensburg ia levar a comunhão a um moribundo. Ao entrar na cidade, encontrou um riacho transbordando por causa de um temporal repentino. Para que as pessoas pudessem passar, tinham colocado uma simples prancha de madeira entre as margens.

Ao atravessar, o padre escorregou e deixou cair o recipiente com as hóstias consagradas. Para reparar o ocorrido, a decisão veio no mesmo dia: padre, povo e governantes da cidade combinaram construir uma capela naquele ponto.

Em 8 de setembro de 1255, o bispo Alberto consagrou a capela em honra do Salvador, e o Santíssimo Sacramento foi levado para lá em procissão solene. A partir daí, o lugar passou a ser procurado por muitos fiéis.

O crucifixo que tomou o cálice (1257)

Dois anos depois, conta o relato, um sacerdote celebrava a Missa na pequena capela quando foi tomado por dúvidas sobre a presença real de Jesus na Eucaristia. Por isso, demorou a elevar o cálice.

De repente, ouviu um leve ruído vindo do altar. O Cristo do crucifixo de madeira colocado sobre o sacrário estendeu lentamente os braços, tomou o cálice das mãos do padre e o mostrou à adoração dos fiéis. O sacerdote, arrependido, ajoelhou-se e pediu perdão. Segundo o relato, o Senhor lhe devolveu o cálice, em sinal de perdão.

Leia também: Milagre eucarístico de Herentals (1412): as hóstias na sebe

Onde está a relíquia hoje?

O catálogo afirma que o crucifixo milagroso ainda é conservado em Regensburg e que muitos fiéis vão até ele em peregrinação todos os anos. O painel não informa em que igreja ele está nem se há uma festa própria. O painel reproduz uma estampa antiga que representa a cena do crucifixo erguendo o cálice.

Quem desejar visitá-lo pode pedir informações à diocese de Regensburg.

A Igreja reconheceu o milagre de Regensburg?

O catálogo não menciona um decreto de reconhecimento do episódio do crucifixo. O que ele registra é a consagração da capela pelo bispo Alberto, em 8 de setembro de 1255, e a procissão com o Santíssimo. Esse ato mostra que a Igreja local assumiu a reparação pelo acidente com as hóstias. O relato posterior do crucifixo é apresentado como tradição de devoção ligada ao lugar.

Leia também: Milagre eucarístico de Fiecht (1310): o sangue no cálice

O que o milagre de Regensburg ensina sobre a Eucaristia?

A história tem duas lições simples. A primeira é o cuidado com o Santíssimo. O padre que escorregou não fez nada de propósito, mas a cidade inteira quis reparar o acidente com uma capela. Isso mostra o respeito que a fé pede diante da hóstia consagrada.

A segunda lição é sobre a dúvida. O padre que hesitou na elevação do cálice é um retrato de muitas pessoas que, em algum momento, sentem dificuldade de crer. A resposta do relato não é a condenação, mas o perdão. O Catecismo ensina que, pela consagração, se realiza a conversão de toda a substância do pão no Corpo de Cristo e de toda a substância do vinho no seu Sangue, e que a Igreja chama essa mudança de transubstanciação (n. 1376).

"A minha carne é verdadeira comida e o meu sangue, verdadeira bebida." (Jo 6,55)

Para quem tem dúvidas, o caminho não é esperar um prodígio, mas rezar, estudar a fé e conversar com um sacerdote. A Igreja permite a devoção a fatos como o de Regensburg, mas ninguém é obrigado a crer em revelações particulares (Catecismo, n. 67).

Perguntas frequentes

Regensburg e Ratisbona são a mesma cidade?

Sim. Regensburg é o nome alemão. Em português a cidade também é chamada Ratisbona. Fica na Baviera, às margens do rio Danúbio.

Quando foi o milagre de Regensburg?

O acidente com as hóstias foi na Quinta-feira Santa, 25 de março de 1255. O episódio do crucifixo, segundo o relato, ocorreu dois anos depois.

Quem consagrou a capela?

O bispo Alberto, de Regensburg, em 8 de setembro de 1255, em honra do Salvador.

O crucifixo ainda existe?

O catálogo diz que sim e que ele é conservado em Regensburg, mas não informa em qual igreja.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 67 e 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB), Jo 6,51-56 e 1Cor 11,23-29.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.