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Milagre eucarístico de Liège e a origem do Corpus Christi

Em Liège, Santa Juliana de Cornillon pediu uma festa para o Santíssimo Sacramento. Veja como nasceu o Corpus Christi e o papel de Urbano IV.

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Basílica de São Martinho, em Liège, onde se celebrou pela primeira vez a festa de Corpus Christi
Basilique Saint-Martin Liège 01. Foto: Libois.ph, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Liège que aparece no catálogo de São Carlo Acutis não é um prodígio com hóstia, mas a história da origem da festa de Corpus Christi. Foi em Liège, na Bélgica, que Santa Juliana de Cornillon, depois de visões recebidas desde a juventude, pediu uma festa em honra do Santíssimo Sacramento; o bispo local a instituiu na diocese em 1246, e em 1264 o papa Urbano IV a estendeu a toda a Igreja.

Quem foi Santa Juliana de Cornillon?

Juliana nasceu entre 1191 e 1192, nos arredores de Liège, segundo a catequese do papa Bento XVI de 17 de novembro de 2010. Ficou órfã aos cinco anos e foi criada no convento das monjas agostinianas de Mont-Cornillon, que também cuidavam de um leprosário. Ali se tornou religiosa e, mais tarde, priora. Morreu em 1258, em Fosses-la-Ville.

Ela tinha grande amor à Eucaristia e passava longos momentos em adoração. O papa Bento XVI a apresentou como exemplo de alma eucarística, que ajudou toda a Igreja a valorizar a adoração do Santíssimo Sacramento.

Leia também: Milagre Eucarístico de Orvieto: a origem de Corpus Christi

Qual foi a visão de Santa Juliana?

Desde a adolescência, Juliana teve visões durante a adoração. Na mais conhecida, via a lua cheia atravessada por uma faixa escura. Segundo o catálogo e a catequese de Bento XVI, o Senhor lhe fez compreender que a lua representava a Igreja do seu tempo, e a faixa escura, a falta de uma festa litúrgica dedicada ao Corpo e Sangue de Cristo.

Segundo o catálogo, depois de 1230 ela contou a visão às autoridades da Igreja. Entre as pessoas que a conheceram em Liège estava Tiago Pantaleão de Troyes, que mais tarde seria o papa Urbano IV.

Como nasceu a festa de Corpus Christi?

Os passos principais, segundo o catálogo e a catequese de Bento XVI, foram estes:

  1. 1246: num sínodo diocesano, o bispo de Liège, Roberto de Thourotte, estabeleceu na sua diocese uma festa em honra do Santíssimo Sacramento.
  2. Anos seguintes: a festa passou a ser celebrada em Liège. O catálogo dá a data de 5 de junho de 1249 para a primeira celebração; outras fontes situam o início em 1247.
  3. 1264: o papa Urbano IV, que conhecera Juliana em Liège, estendeu a festa a toda a Igreja com a bula Transiturus de hoc mundo, de 11 de agosto de 1264.

Pouco antes, em 1263, deu-se o milagre de Bolsena, na Itália, cujo corporal manchado de sangue é guardado em Orvieto. Bento XVI recorda que Santo Tomás de Aquino, então junto do papa em Orvieto, compôs a pedido de Urbano IV os textos do ofício litúrgico da nova festa. Juliana não chegou a ver a festa estendida a toda a Igreja: morreu em 1258.

Na bula, o papa explica por que a Eucaristia, celebrada todos os dias, merece também uma festa própria no ano: nela Cristo está presente com a sua própria substância, e não só como lembrança. O texto evoca a promessa de Jesus: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28,20).

Leia também: O Milagre de Bolsena e a Festa de Corpus Christi: História

A Igreja reconheceu as visões de Santa Juliana?

A Igreja não define a autenticidade de visões particulares, mas acolheu o fruto delas: a festa de Corpus Christi faz parte do calendário da Igreja universal desde a bula de Urbano IV. Juliana é venerada como santa, e o papa Bento XVI dedicou a ela uma catequese inteira. O catálogo mostra ainda um ostensório guardado no santuário de Santa Juliana, em Liège, e um vitral com a sua visão.

O que a história de Liège ensina sobre a Eucaristia?

A festa de Corpus Christi existe para que a Igreja agradeça de modo solene o dom que recebe em cada Missa. O Catecismo ensina que na Eucaristia Cristo está presente de modo verdadeiro, real e substancial (CIC 1374), e chama essa presença de "real" não para excluir as outras formas de presença de Cristo, mas por ser a mais plena (CIC 1374). Jesus disse que o pão que ele daria é a sua carne para a vida do mundo (Jo 6,51), e São Paulo transmite o que recebeu do Senhor sobre a Ceia (1Cor 11,23-26).

A história de Juliana mostra que a devoção eucarística cresce com a oração paciente e a obediência à Igreja. A fé na presença real não depende das visões dela: a Igreja não obriga ninguém a crer em revelações particulares (CIC 67), mas reconhece que elas podem ajudar a viver melhor a fé.

Perguntas frequentes

Por que Liège está no catálogo de milagres eucarísticos?

Porque ali nasceu a festa de Corpus Christi, a partir das visões de Santa Juliana de Cornillon. Não se trata de um prodígio com hóstia.

Quem instituiu a festa de Corpus Christi?

O bispo Roberto de Thourotte a instituiu na diocese de Liège em 1246. O papa Urbano IV a estendeu a toda a Igreja em 1264, com a bula Transiturus de hoc mundo.

O que significava a lua na visão de Santa Juliana?

A lua representava a Igreja, e a faixa escura, a falta de uma festa litúrgica dedicada ao Corpo e Sangue de Cristo.

Qual a relação entre Liège e Bolsena?

Liège deu origem à festa; o milagre de Bolsena, em 1263, ocorreu pouco antes de Urbano IV estendê-la a toda a Igreja.

Para aprofundar

Fontes

Este artigo se baseia em: Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 67 e 1374); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Bento XVI, Audiência Geral de 17 de novembro de 2010, sobre Santa Juliana de Cornillon; Urbano IV, bula Transiturus de hoc mundo (1264).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.