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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Les Ulmes (1668): Cristo na hóstia

Em 2 de junho de 1668, numa pequena igreja perto de Saumur, fiéis viram por mais de um quarto de hora a figura de Cristo no lugar da hóstia exposta.

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Dólmen Pierre couverte du Mousseau, na comuna de Les Ulmes (Maine-et-Loire)
Les-ulmes pierre-couverte-mousseau 17. Foto: Liberliger, licença CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Les Ulmes aconteceu em 2 de junho de 1668, na pequena igreja paroquial dessa aldeia do vale do Loire, perto de Saumur, na diocese de Angers. Durante a exposição do Santíssimo, enquanto se cantava o Pange lingua, apareceu no lugar da hóstia a figura de um homem vestido de branco, vista por mais de um quarto de hora. O bispo de Angers investigou e aprovou o culto. A hóstia não existe mais: foi consumida durante a Revolução Francesa para evitar a profanação.

O que aconteceu em Les Ulmes?

Era o sábado da oitava de Corpus Christi. O Santíssimo foi exposto para a adoração dos fiéis, e o pároco, padre Nicolas Nezan, começou a incensar o ostensório enquanto o povo cantava o hino Pange lingua, de São Tomás de Aquino.

Segundo o relato oficial, na estrofe que começa com as palavras "Verbum caro panem verum" ("o Verbo feito carne, com a sua palavra, faz do pão verdadeiro a sua carne"), apareceu no ostensório, no lugar da hóstia, a figura de um homem. Ele tinha cabelos castanho-claros caindo sobre os ombros, rosto luminoso, mãos cruzadas uma sobre a outra e o corpo coberto por uma túnica branca.

A visão durou mais de um quarto de hora. Foi vista tanto quando o ostensório estava sobre o tabernáculo quanto depois que o padre o colocou no altar, para que todos os presentes pudessem olhar de mais perto.

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Como o bispo de Angers investigou o fato?

Em 13 de junho, o pároco enviou um comunicado ao bispo de Angers, dom Henry Arnauld, que mandou abrir um inquérito imediatamente. Em 25 de junho foi publicada uma carta pastoral com a "fiel narrativa" do fato. O bispo quis que a notícia fosse divulgada e encomendou três gravuras para representar o milagre: uma de Edelinck, conservada em Paris, outra de Jean Bidault, de Saumur, e uma terceira do editor Ernou, também de Paris.

O relato logo entrou na teologia da época. O dominicano Jean-Baptiste Gonet o menciona no tomo VIII da sua obra Clypeus theologiae thomisticae, cuja edição citada pelo catálogo saiu em 1669.

Como é a devoção hoje?

Até o século XVIII, a paróquia celebrava solenemente o aniversário da aparição todos os anos. A memória ganhou novo destaque no século XX: o catálogo liga a paróquia ao Congresso Eucarístico Internacional realizado em Angers em 1901, e em julho de 1933, durante um Congresso Eucarístico Nacional, uma sessão inteira de estudo foi dedicada ao milagre de 1668.

A hóstia ficou guardada na igreja por cerca de 150 anos, num nicho que ainda pode ser visto. Durante a Revolução Francesa, o vigário de Puy-Notre-Dame, cidade vizinha, temendo a profanação, consumiu a hóstia com devoção. Por isso não há relíquia: o que permanece é o nicho, as gravuras e os documentos.

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A Igreja reconheceu o milagre de Les Ulmes?

Sim, no nível da diocese. Segundo o catálogo, depois de um exame atento, o bispo de Angers, dom Henry Arnauld, autorizou o culto e publicou uma carta pastoral com o relato do fato apenas três semanas depois do ocorrido. É um dos casos em que a fonte registra com clareza a intervenção da autoridade da Igreja. Como todo prodígio particular, ele não se torna verdade de fé obrigatória (CIC 67).

O que o milagre de Les Ulmes ensina sobre a Eucaristia?

A visão aconteceu justamente quando o povo cantava as palavras do Pange lingua sobre o Verbo que faz do pão a sua carne. O hino resume a fé que a Igreja professa: pela palavra de Cristo, repetida pelo sacerdote, o pão se torna o seu Corpo. O Catecismo chama essa conversão de transubstanciação (CIC 1376) e ensina que Cristo está presente na Eucaristia de modo verdadeiro, real e substancial (CIC 1374).

O mesmo hino, na estrofe seguinte, pede que a fé supra a fraqueza dos sentidos. É a lição mais importante: a fé na presença real não depende do que se vê. Jesus disse: "a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida" (Jo 6,55). Quem adora o Santíssimo numa igreja comum está diante do mesmo Senhor que os fiéis de Les Ulmes contaram ter visto.

Perguntas frequentes

Quando foi o milagre eucarístico de Les Ulmes?

Em 2 de junho de 1668, sábado da oitava de Corpus Christi, durante a exposição do Santíssimo.

O que os fiéis viram em Les Ulmes?

A figura de um homem de túnica branca, cabelos castanho-claros e rosto luminoso, no lugar da hóstia, por mais de um quarto de hora.

O milagre de Les Ulmes foi aprovado?

Sim. O bispo de Angers, dom Henry Arnauld, mandou investigar, autorizou o culto e publicou uma carta pastoral em 25 de junho de 1668.

A hóstia de Les Ulmes ainda existe?

Não. Ela foi consumida durante a Revolução Francesa pelo vigário de Puy-Notre-Dame, para evitar a profanação. O nicho que a guardava ainda existe.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis (Edizioni San Clemente, 2006); Catecismo da Igreja Católica (n. 67 e 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Jean-Baptiste Gonet, Clypeus theologiae thomisticae, tomo VIII (citado no catálogo).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.