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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Florença (1230 e 1595)

Em 1230, um padre achou sangue vivo no cálice; em 1595, hóstias caíram no fogo e ficaram intactas. As duas relíquias estão em Santo Ambrósio, Florença.

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Tabernáculo de Mino da Fiesole na capela do Milagre da igreja de Santo Ambrósio, em Florença
Cappella del miracolo, mino da fiesole, affidamento del calice miracoloso alle monache, Creator:Mino da fiesole, between 1481 and 1486. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Florença reúne dois episódios ligados à igreja de Santo Ambrósio. Em 30 de dezembro de 1230, um sacerdote encontrou no cálice gotas de vinho consagrado transformadas em sangue vivo; em 1595, na Sexta-feira Santa, seis partículas consagradas caíram sobre um tapete em chamas e foram achadas intactas. As duas relíquias estão até hoje em Santo Ambrósio, num tabernáculo de mármore esculpido por Mino da Fiesole.

O que aconteceu em Florença em 1230?

A igreja de Santo Ambrósio pertencia a um mosteiro de monjas. Os fatos principais são estes:

  1. Um sacerdote chamado Uguccione acabou a Missa e não notou que restavam no fundo do cálice umas poucas gotas do vinho consagrado.
  2. No dia seguinte, ao pegar de novo o cálice, encontrou dentro dele sangue vivo e coagulado.
  3. O fato foi mostrado às monjas do mosteiro, aos vizinhos, ao bispo e ao clero, e depois a toda a cidade.
  4. O sangue foi recolhido numa ampola de cristal.

O cronista florentino Giovanni Villani, do século XIV, descreve o episódio em sua crônica. Ele conta que os florentinos acorreram com grande devoção e que a ampola ainda era mostrada ao povo com muita reverência no seu tempo.

O bispo Ardingo mandou levar a relíquia para a sede episcopal e, poucas semanas depois, devolveu-a às monjas, que a guardaram na igreja de Santo Ambrósio. A relíquia consiste em algumas gotas de sangue, numa área de cerca de um centímetro quadrado, segundo o catálogo.

Leia também: Milagre eucarístico de Fiecht (1310): o sangue no cálice

O que aconteceu em Florença em 1595?

Na Sexta-feira Santa de 1595, uma vela acesa caiu do altar de uma capela lateral de Santo Ambrósio, chamada capela do Sepulcro, e o fogo se espalhou.

  • Quem estava por perto correu para conter as chamas. O Santíssimo e o cálice foram retirados a tempo.
  • Na confusão, seis partículas consagradas caíram de um cibório sobre o tapete em chamas.
  • Apesar do fogo, foram encontradas intactas e unidas entre si.

Em 1628, o arcebispo de Florença examinou as partículas e as encontrou incorruptas, isto é, sem sinais de deterioração. Mandou então colocá-las num precioso relicário. O catálogo o chama de "Marzio Medici"; trata-se, ao que tudo indica, de Alessandro Marzi Medici, arcebispo de Florença naquele período.

Onde estão as relíquias hoje?

As duas relíquias estão na igreja de Santo Ambrósio, em Florença. Ficam num tabernáculo de mármore branco esculpido por Mino da Fiesole, artista do século XV. Uma pintura a fresco na igreja representa o milagre de 1230, com o padre Uguccione levando o sangue em procissão.

Segundo o catálogo, todos os anos, durante as Quarenta Horas celebradas em maio, as duas relíquias são expostas juntas, num relicário que contém também uma hóstia consagrada para adoração pública. Em 1980, Florença celebrou os 750 anos do primeiro milagre.

Leia também: Milagre eucarístico de Valência: o Santo Cálice

A Igreja reconheceu os milagres de Florença?

Para o milagre de 1230, o catálogo registra o envolvimento do bispo, que levou a relíquia e depois a devolveu ao mosteiro para o culto. Em 1399, o Papa Bonifácio IX concedeu aos fiéis que visitassem Santo Ambrósio e contribuíssem para o ornamento da relíquia a mesma indulgência da Porciúncula, a capelinha de São Francisco em Assis. Para o episódio de 1595, há o exame feito pelo arcebispo em 1628.

São sinais de aprovação do culto pela autoridade da Igreja, mas não um dogma. O fiel não é obrigado a crer nesses prodígios (Catecismo, n. 67).

O que os milagres de Florença ensinam sobre a Eucaristia?

Os dois episódios tocam em pontos práticos da fé eucarística. O primeiro lembra que o vinho consagrado continua sendo o Sangue de Cristo até a última gota, e por isso o sacerdote purifica o cálice com cuidado. O segundo lembra que as partículas consagradas, mesmo pequenas, merecem todo o respeito.

O Catecismo ensina que Cristo está presente todo inteiro em cada uma das espécies e em cada uma de suas partes, e que essa presença dura enquanto subsistirem as espécies eucarísticas (CIC 1377). Jesus disse: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna" (Jo 6,54). E São Paulo pede que cada um se examine antes de comer deste pão e beber deste cálice (1Cor 11,28).

Perguntas frequentes

Quantos milagres eucarísticos aconteceram em Florença?

O catálogo registra dois, ambos na igreja de Santo Ambrósio: o do sangue no cálice, em 1230, e o das hóstias preservadas do fogo, em 1595.

Onde estão as relíquias do milagre de Florença?

Na igreja de Santo Ambrósio, num tabernáculo de mármore de Mino da Fiesole.

Quando as relíquias são expostas?

Segundo o catálogo, durante as Quarenta Horas celebradas todo ano em maio.

Quem escreveu sobre o milagre de 1230?

Entre outros, o cronista florentino Giovanni Villani, que descreve o sangue encontrado no cálice e a devoção do povo.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Giovanni Villani, Nuova Cronica, conforme citada no catálogo; Catecismo da Igreja Católica (n. 67 e 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.