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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Turim (1640) no Monte dos Capuchinhos

Durante o saque de 1640, um soldado arrombou o sacrário da igreja de Santa Maria do Monte, em Turim. Veja o relato do frade Pier Maria de Cambiano.

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Igreja de Santa Maria do Monte dos Capuchinhos, em Turim, lugar do milagre de 1640
Monte dei Cappuccini - Chiesa facciata principale. Foto: GJo, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Turim de 1640 aconteceu em 12 de maio de 1640, na igreja de Santa Maria do Monte, no Monte dos Capuchinhos. Durante o ataque das tropas francesas do conde de Harcourt, um soldado subiu ao altar, arrombou a porta do sacrário e tentou pegar o recipiente com as hóstias consagradas. Segundo o relato, uma espécie de língua de fogo saiu do sacrário e queimou o rosto e as roupas do soldado. A pequena porta do sacrário, decorada com ágatas e lápis-lazúli, ainda mostra as marcas da violação.

Este é o segundo milagre eucarístico de Turim no catálogo, quase dois séculos depois do famoso caso de 1453.

O que aconteceu em Turim em 1640?

O relato principal é do frade capuchinho Pier Maria de Cambiano, citado pelo catálogo. Ele conta que o Piemonte estava tomado por exércitos estrangeiros. Os franceses, depois de libertar Casale Monferrato dos espanhóis, marcharam sobre Turim: em 6 de maio de 1640 estavam em Chieri, no dia 7 em Moncalieri e no dia 10 chegaram a Turim. Atacaram a ponte sobre o rio Pó, tomaram-na e ocuparam o convento dos Capuchinhos do Monte.

O massacre na igreja

Na manhã de 12 de maio, os franceses atacaram as trincheiras. Foram repelidos duas vezes, mas na terceira os defensores tiveram de depor as armas e se refugiaram com o povo na igreja. O frade descreve um massacre dentro da igreja: os soldados não pouparam idade nem condição, nem mesmo quem buscava proteção junto ao altar e aos religiosos. Os frades saíram ilesos. Depois vieram o roubo dos objetos sagrados, o saque do convento, onde os refugiados tinham guardado seus pertences, e a profanação do templo.

O fogo do sacrário

Um soldado francês, descrito pelo frade como herege, subiu ao altar, arrombou a porta do sacrário e tentou agarrar o recipiente com as partículas consagradas para destruí-lo. Conta o relato que uma linha de fogo saiu do sacrário e o atingiu em cheio no peito, queimando suas roupas e o rosto. O soldado se jogou ao chão, gritando e pedindo perdão a Deus. Em seguida, uma fumaça espessa tomou a igreja, e o saque parou.

Leia também: Milagre eucarístico de Turim (1453) e o Corpus Domini

Onde está a relíquia hoje?

Não há hóstia conservada deste milagre. O que o catálogo apresenta como memória material é a pequena porta do sacrário, decorada com ágatas e lápis-lazúli, que ainda traz os sinais do arrombamento. O painel mostra também a igreja do Monte dos Capuchinhos, uma representação antiga do monte, o interior da igreja e uma pintura antiga, ali presente, que retrata o milagre.

Como é a devoção hoje?

A igreja de Santa Maria do Monte fica no alto da colina dos Capuchinhos, à margem do rio Pó. O catálogo não menciona festa própria ou procissão ligada ao episódio de 1640. Quem a visita pode ver o sacrário com as marcas e a pintura que recorda o fato.

A Igreja reconheceu o milagre de Turim de 1640?

O catálogo não menciona decreto de reconhecimento nem inquérito diocesano. A fonte principal é o testemunho escrito do frade Pier Maria de Cambiano, da própria comunidade capuchinha. O relato deve ser lido como uma tradição local, preservada pelos frades e pelas marcas no sacrário.

Leia também: Milagre eucarístico de Santa Maria Egipcíaca (IV-V séc.)

O que o milagre de 1640 ensina sobre a Eucaristia?

O relato acontece no meio de uma guerra, num dia de grande violência contra inocentes. Nesse contexto, o sacrário aparece como o lugar onde o próprio Cristo está presente. A Igreja ensina que, depois da consagração, Jesus permanece presente nas hóstias guardadas no sacrário, de modo verdadeiro, real e substancial (CIC 1374), e que o sacrário deve estar num lugar digno e seguro, por causa dessa presença (CIC 1379).

São Paulo pede que se discirna o Corpo do Senhor (1Cor 11,29), e Jesus promete: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (Jo 6,56). A fé na presença real não depende de prodígios como este, e a Igreja não obriga a crer neles. O que o relato deixa, acima de tudo, é o contraste entre a brutalidade humana e a mansidão de Deus, que fica entre nós sob a forma frágil do pão.

Perguntas frequentes

Quando foi o milagre eucarístico de Turim de 1640?

Em 12 de maio de 1640, na igreja de Santa Maria do Monte, no Monte dos Capuchinhos.

O que aconteceu com o soldado no milagre de 1640?

Segundo o relato, uma linha de fogo saiu do sacrário e queimou seu rosto e suas roupas; ele se jogou ao chão pedindo perdão.

O que se pode ver hoje do milagre de 1640?

A porta do sacrário, decorada com ágatas e lápis-lazúli, que ainda mostra as marcas do arrombamento, e uma pintura antiga do fato.

Quantos milagres eucarísticos há em Turim?

O catálogo de Carlo Acutis registra dois: o de 1453, na atual Basílica do Corpus Domini, e o de 1640, no Monte dos Capuchinhos.

Para aprofundar

Fontes

Este artigo se baseia em: Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 1374 e 1379); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); relato do frei Pier Maria de Cambiano (citado pelo catálogo).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.