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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Dijon (1430): a Santa Hóstia

A Santa Hóstia de Dijon foi venerada por mais de 350 anos na Borgonha, até ser queimada em 1794, durante a Revolução Francesa.

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Miniatura do século XVI que representa a Hóstia milagrosa de Dijon
Hostie miraculeuse de Dijon, Unknown author Unknown author, 16ème siècle. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Dijon é a história da chamada Santa Hóstia de Dijon. Segundo o catálogo de São Carlo Acutis, por volta de 1430 uma hóstia consagrada, golpeada com uma faca, verteu sangue, que secou e deixou impressa a imagem de Cristo sentado num trono. O papa Eugênio IV a deu ao duque Filipe da Borgonha, que a levou para Dijon. A hóstia foi venerada por cerca de 350 anos e queimada em 1794, durante a Revolução Francesa. Ela não existe mais.

O que aconteceu com a hóstia de Dijon?

O catálogo conta a origem assim: em 1430, uma senhora comprou de um vendedor de objetos usados um relicário, quase certamente roubado, que ainda guardava a hóstia grande usada na adoração. Por ignorância sobre a presença real de Cristo, ela decidiu tirar a hóstia com uma faca. A hóstia começou a soltar sangue vivo, que secou logo e deixou nela a imagem do Senhor sentado num trono semicircular, cercado de alguns instrumentos da Paixão.

Assustada, a mulher procurou o pároco, que recolheu a hóstia. A notícia chegou ao papa Eugênio IV. Ele decidiu presenteá-la ao duque Filipe, o Bom, da Borgonha, e o duque a entregou à cidade de Dijon, capital do seu ducado. Uma legenda do painel data o envio de 1433.

Uma tradição com versões diferentes

O relato da origem não é único. Um estudo sobre a hóstia de Dijon, da Universidade de Turku, cita a carta papal que acompanhava a hóstia e dizia apenas que ela tinha sido perfurada em vários lugares por um louco. Versões posteriores da lenda passaram a atribuir o golpe a um judeu, e o Metropolitan Museum of Art de Nova York, ao apresentar uma pintura da hóstia, registra essa atribuição como tradição medieval, não como fato documentado.

Acusações desse tipo contra judeus foram comuns na Idade Média, alimentaram perseguições e hoje são reconhecidas como injustas. A Igreja rejeita todo antissemitismo: o Concílio Vaticano II, na declaração Nostra Aetate (n. 4), deplora os ódios, as perseguições e todas as manifestações de antissemitismo, em qualquer tempo e por quem quer que sejam feitas. O catálogo, por sua vez, fala de uma mulher cristã que agiu por ignorância.

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Onde estava a relíquia e o que restou dela?

Em Dijon, a hóstia passou a ser guardada na Sainte-Chapelle, a capela dos duques da Borgonha, e se tornou objeto de grande devoção. Os duques encomendaram relicários preciosos para ela; o painel mostra um relicário atribuído à duquesa Isabel, esposa de Filipe, com a data de 1454. O catálogo diz que a hóstia se manteve intacta por cerca de 350 anos.

Segundo o catálogo, em 1794 ela estava na basílica de São Miguel Arcanjo, em Dijon. Em 9 de fevereiro daquele ano, as autoridades revolucionárias da cidade a requisitaram para o culto da "deusa Razão", e a hóstia foi queimada. A própria Sainte-Chapelle foi demolida pouco depois, no início do século XIX.

O que permanece são documentos e obras de arte. Um vitral da catedral de Dijon representa a cena principal, e há antigas reproduções pintadas da hóstia, com a figura de Cristo no trono.

A Igreja reconheceu o milagre de Dijon?

O catálogo registra que o fato chegou ao papa Eugênio IV e que foi ele quem doou a hóstia ao duque da Borgonha, o que deu origem ao culto em Dijon. A fonte não menciona, porém, um decreto que declare formalmente o milagre. O mais exato é dizer que a hóstia foi recebida e venerada com o aval do papa e da Igreja local por mais de três séculos, sem que o catálogo cite um processo de reconhecimento.

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O que o milagre de Dijon ensina sobre a Eucaristia?

A hóstia de Dijon foi destruída, mas a fé que ela ajudava a expressar continua inteira em qualquer altar. Jesus disse na Última Ceia: "Isto é o meu corpo, que é para vós" (1Cor 11,24). O Catecismo ensina que, pela consagração, o pão se converte no Corpo de Cristo (CIC 1376) e que Cristo está presente de modo verdadeiro, real e substancial (CIC 1374).

O relato também fala de reverência. São Paulo adverte que quem come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente será réu do Corpo e do Sangue do Senhor (1Cor 11,27). Tratar a hóstia como objeto comum é esquecer quem está nela. Ao mesmo tempo, a fé na presença real não precisa de hóstias que sangram, e nenhum católico é obrigado a crer em prodígios particulares (CIC 67).

Perguntas frequentes

O que era a Santa Hóstia de Dijon?

Uma hóstia consagrada que, segundo a tradição, sangrou e guardou a imagem de Cristo num trono. Foi venerada em Dijon de 1433 até 1794.

A Santa Hóstia de Dijon ainda existe?

Não. O catálogo informa que ela foi queimada em 1794, durante a Revolução Francesa.

Quem levou a hóstia para Dijon?

O duque Filipe, o Bom, da Borgonha, que a recebeu do papa Eugênio IV e a confiou à cidade.

A lenda de Dijon envolve acusação contra judeus?

Algumas versões tardias, sim. Essas acusações eram comuns na Idade Média, são reconhecidas como injustas, e a Igreja rejeita todo antissemitismo (Nostra Aetate, n. 4).

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis (Edizioni San Clemente, 2006); Catecismo da Igreja Católica (n. 67 e 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Concílio Vaticano II, declaração Nostra Aetate, n. 4; Metropolitan Museum of Art, ficha da pintura "Sacred Bleeding Host of Dijon"; estudo "L'Hostie miraculeuse de Dijon" (Universidade de Turku).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.