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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Mogoro (1604): a pedra marcada

Na Sardenha, em 1604, duas hóstias cuspidas no chão deixaram suas marcas numa pedra que nada conseguiu apagar. A pedra ainda está em Mogoro.

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Igreja de São Bernardino de Sena, em Mogoro, onde ocorreu o milagre de 1604
Chiesa di San Bernardino da Siena-Mogoro. Foto: Aggrucar, licença CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Mogoro aconteceu na segunda-feira de Páscoa de 1604, 19 de abril, nessa cidade da Sardenha, na Itália. Segundo o relato, dois homens que receberam a Comunhão sem estar preparados cuspiram as hóstias sobre a pedra da balaustrada; recolhidas as partículas, as marcas redondas delas ficaram impressas na pedra e não saíram com nenhuma lavagem. A chamada "Pedra do Milagre" é conservada até hoje na igreja paroquial de São Bernardino, em Mogoro.

O que aconteceu em Mogoro?

O catálogo da exposição idealizada por São Carlo Acutis baseia-se em historiadores locais, como o sacerdote Pietro Cossu e o padre Casu. Os fatos seguem esta ordem:

  1. Na segunda-feira de Páscoa de 1604, o pároco Dom Salvatore Spiga celebrava a Missa na igreja de São Bernardino. Chegada a hora da Comunhão, passou a dá-la aos fiéis.
  2. Aproximaram-se dois homens conhecidos na cidade pela vida desregrada. O pároco lhes deu a Comunhão.
  3. Assim que receberam as partículas na boca, os dois as cuspiram no chão, sobre a pedra da balaustrada, a mureta que separava o presbitério da nave.
  4. Explicaram que as hóstias tinham ficado quentes como brasas e queimado a língua. Depois, tomados de remorso por não se terem confessado antes, fugiram.
  5. O pároco recolheu as hóstias. No lugar onde tinham caído, ficaram as marcas das duas partículas, como se estivessem esculpidas na pedra.
  6. Ele mandou lavar a pedra com cuidado, na esperança de apagar as marcas, mas todas as tentativas foram inúteis.

A segunda-feira de Páscoa de 1604 caiu em 19 de abril, data confirmada também pela página da paróquia de São Bernardino no site do projeto Monumenti Aperti.

Leia também: Milagre eucarístico de Silla (1907): hóstias incorruptas

Onde está a relíquia hoje?

A pedra está na igreja paroquial de São Bernardino, em Mogoro. Segundo o catálogo, ela ainda mostra as marcas redondas das duas hóstias.

O catálogo cita um documento de 25 de maio de 1686: um ato público lavrado pelo notário Pedro Antonio Escano, pelo qual o reitor de Mogoro encomendou uma pequena estrutura em forma de templo, de madeira dourada, para o alto do altar-mor. Embaixo dela haveria um nicho para a "Pedra do Milagre", guardada numa caixa ornamentada e à vista dos fiéis. O catálogo reproduz também uma pintura do milagre atribuída a Francesco Pinna e a custódia da pedra na paróquia.

A procissão anual

Em reparação pelo sacrilégio, Mogoro celebra todos os anos uma procissão eucarística solene. O catálogo a situa no domingo seguinte ao da Páscoa.

A Igreja reconheceu o milagre de Mogoro?

Segundo o catálogo, os fatos foram apurados pelo bispo da época, Antonio Surredo, e por seus sucessores, e diversos historiadores os descreveram a partir dessa apuração. O contrato de 1686 mostra que a pedra já era então objeto de culto público na igreja paroquial, colocada sobre o altar-mor para a veneração dos fiéis.

O catálogo não menciona um decreto formal com uma data de reconhecimento. Como em todo prodígio particular, o fiel não é obrigado a crer neste relato (Catecismo, n. 67).

Leia também: Milagre eucarístico de Bergen (1421): hóstias com sangue

O que o milagre de Mogoro ensina sobre a Eucaristia?

O episódio toca em algo que todo católico aprende na catequese: para comungar, é preciso estar em estado de graça. Quem tem consciência de pecado grave deve primeiro procurar o sacramento da Confissão. O Catecismo lembra esse ponto ao tratar da preparação para a Comunhão (CIC 1385), retomando a advertência de São Paulo: "Examine-se cada um a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice" (1Cor 11,28).

O relato não deve ser lido como ameaça. Os dois homens fugiram por remorso, e o remorso pode ser o começo de uma volta a Deus. A Igreja oferece sempre a misericórdia na Confissão a quem se arrepende.

A pedra marcada também lembra a fé na presença real: o que os homens rejeitaram não era um pedaço de pão, mas o próprio Cristo, verdadeira, real e substancialmente presente (CIC 1374). Jesus disse: "Eu sou o pão vivo descido do céu" (Jo 6,51).

Perguntas frequentes

Quando aconteceu o milagre eucarístico de Mogoro?

Na segunda-feira de Páscoa de 1604, que caiu em 19 de abril.

Onde está a pedra do milagre de Mogoro?

Na igreja paroquial de São Bernardino, em Mogoro, na Sardenha.

As marcas ainda são visíveis?

Segundo o catálogo e a página da paróquia, sim: a pedra ainda mostra as marcas redondas das duas hóstias.

Quando é a procissão do milagre de Mogoro?

Segundo o catálogo, no domingo seguinte ao da Páscoa, em reparação pelo sacrilégio de 1604.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; página da paróquia de São Bernardino de Mogoro no site Monumenti Aperti; Catecismo da Igreja Católica (n. 67, 1374 e 1385); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.