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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Middelburg-Lovaina (1374)

Um homem afastado da confissão comungou com descaso e a hóstia virou carne. Veja o relato de 1374, a conversão de Jean e onde está a relíquia.

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Igreja de São Tiago, em Lovaina, ligada à relíquia do milagre de Middelburg
Sint-Jacobskerk. Foto: Soti, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Middelburg-Lovaina aconteceu na Quaresma de 1374, na igreja de São Pedro, em Middelburg, na Flandres. Segundo o relato, um empregado doméstico que levava vida desregrada e não se confessava havia anos comungou com descaso, e a hóstia se transformou em carne ensanguentada na sua boca. Parte da relíquia é conservada até hoje em Lovaina pelos padres agostinianos, e outra parte ficou na igreja de São Pedro, em Middelburg.

O que aconteceu em Middelburg?

O catálogo de São Carlo Acutis afirma que existe abundante documentação sobre este caso. Em 1905, o historiador Jos Wils, professor da Universidade Católica de Lovaina, publicou uma monografia intitulada "O Sacramento do Milagre de Lovaina", que reúne quase todos os documentos e testemunhos da época.

Segundo essa tradição, vivia em Middelburg uma senhora nobre, conhecida pela fé e pela devoção, que cuidava também da formação espiritual da família e dos empregados. Na Quaresma de 1374, como fazia todos os anos, ela começou em casa as práticas de penitência para preparar a Páscoa.

Jean, o novo empregado

Poucos dias antes, ela tinha contratado um novo empregado, chamado Jean. Ele levava uma vida desregrada e não se confessava havia anos. Quando a senhora convidou os empregados para a Missa, Jean não teve coragem de recusar, para não decepcioná-la. Participou da celebração e, na hora da comunhão, aproximou-se do altar com muita leviandade.

Conta o relato que, assim que recebeu a hóstia sobre a língua, ela se transformou em carne ensanguentada. Jean a tirou rapidamente da boca, e dela escorreu sangue sobre o pano que cobria a balaustrada diante do altar. O sacerdote percebeu o que estava acontecendo e, muito comovido, recolheu com cuidado a hóstia e a colocou numa pequena bandeja dentro do sacrário.

A conversão

Arrependido, Jean confessou diante de todos o seu pecado. Segundo o catálogo, desde aquele dia passou a levar uma vida exemplar e manteve até o fim uma grande devoção ao Santíssimo Sacramento. É talvez o traço mais bonito da história: o sinal não terminou em castigo, mas em conversão.

Leia também: Milagre eucarístico de Alatri (1228): a hóstia feita carne

A Igreja reconheceu o milagre de Middelburg?

O catálogo registra que todas as autoridades eclesiásticas e civis da cidade foram informadas e que o arcebispo, depois de pesquisas minuciosas, autorizou o culto. A fonte não reproduz o texto desse ato nem a sua data exata. O que se pode dizer, com base nela, é que houve investigação e permissão de culto por parte da autoridade da Igreja.

Onde está a relíquia hoje?

A hóstia do milagre foi dividida. Segundo o catálogo, o monge Jean de Gheest, confessor do arcebispo que autorizou o culto, pediu uma parte da relíquia de presente e a levou para Lovaina, onde ela é conservada até hoje pelos padres agostinianos. A outra parte permanece na igreja de São Pedro, em Middelburg.

O catálogo mostra ainda um quadro do prodígio na igreja de São Tiago, em Lovaina. A presença da relíquia na cidade explica por que o caso ficou conhecido também como "Sacramento do Milagre de Lovaina", nome da monografia de Jos Wils.

  • Middelburg: igreja de São Pedro, onde aconteceu o milagre e onde se guarda parte da relíquia.
  • Lovaina: parte da relíquia, sob a guarda dos padres agostinianos, e um quadro do milagre na igreja de São Tiago.

Leia também: Milagre eucarístico de Trani (século XI): a hóstia frita

O que o milagre de Middelburg ensina sobre a Eucaristia?

O tema deste relato é a preparação para a comunhão. São Paulo escreve que quem come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente será réu do Corpo e do Sangue do Senhor, e pede que cada um examine a si mesmo antes de comungar (1Cor 11,27-28). O Catecismo retoma essa exortação e ensina que quem tem consciência de pecado grave deve receber o sacramento da Reconciliação antes de se aproximar da comunhão (CIC 1385).

A razão dessa exigência é a fé na presença real. Na Eucaristia, ensina o Catecismo, estão contidos verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue de Cristo, com a alma e a divindade (CIC 1374). Jesus disse que quem come a sua carne e bebe o seu sangue permanece nele (Jo 6,56). Comungar é encontrar uma Pessoa, e não cumprir um gesto social.

A história de Jean mostra também que Deus não desiste de quem se afastou. A porta de volta é a confissão. Quanto ao prodígio em si, a Igreja não obriga ninguém a crer em milagres particulares; a fé na Eucaristia se apoia na palavra de Cristo.

Perguntas frequentes

Quando aconteceu o milagre de Middelburg?

Na Quaresma de 1374, segundo o relato principal do catálogo de São Carlo Acutis. O próprio catálogo também menciona o ano de 1347, por isso há uma divergência de data na fonte.

Por que o milagre se chama Middelburg-Lovaina?

Porque aconteceu em Middelburg e parte da relíquia foi levada para Lovaina, onde é conservada pelos padres agostinianos.

O que aconteceu com Jean depois do milagre?

Segundo o catálogo, ele se arrependeu, confessou o seu pecado diante de todos e passou a levar uma vida exemplar, com grande devoção à Eucaristia.

O que preciso fazer antes de comungar?

Examinar a consciência e, se houver pecado grave, confessar-se antes (CIC 1385). Também se observa o jejum eucarístico de uma hora.

Para aprofundar

Fontes

Este artigo se baseia em: Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 1374 e 1385); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Jos Wils, "O Sacramento do Milagre de Lovaina" (1905), citado pelo catálogo.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.