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Milagre eucarístico de Roma (595) e São Gregório Magno

Em 595 uma romana duvidou da Eucaristia diante do Papa São Gregório Magno. Veja o relato de Paulo Diácono e onde está a relíquia hoje.

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Igreja do mosteiro de Andechs, na Baviera, que guarda a relíquia do milagre de São Gregório
Kloster andechs-3. Foto: Traveler100, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Roma do tempo de São Gregório Magno aconteceu, segundo a tradição, no ano de 595. Durante uma Missa celebrada pelo Papa, uma mulher que tinha preparado o pão do altar riu na hora da Comunhão, por não acreditar que aquele pão fosse o Corpo de Cristo. Gregório rezou, e a porção de pão consagrado se mostrou como verdadeira carne e sangue. Segundo o catálogo, parte da relíquia é guardada hoje no mosteiro beneditino de Andechs, na Alemanha.

O catálogo situa o fato entre os séculos VI e VII, mas indica o ano de 595, durante o pontificado de Gregório (590 a 604).

O que aconteceu em Roma?

Naquela época era costume que os próprios fiéis preparassem o pão usado na Missa e o levassem ao altar. Num domingo, o Papa Gregório celebrava na antiga igreja dedicada a São Pedro. Ao distribuir a Comunhão, percebeu que, na fila, estava uma das mulheres que tinham feito o pão da consagração, e que ela ria alto.

A dúvida da mulher

O Papa, perturbado, perguntou-lhe o motivo do riso. Segundo o relato, ela respondeu que não conseguia acreditar que o pão que tinha preparado com as próprias mãos se tornasse, só pelas palavras da consagração, o verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo.

A oração de São Gregório

Gregório não lhe deu a Comunhão e começou a pedir a Deus que iluminasse aquela mulher. Conta a tradição que, mal terminou a oração, viu a fração do pão preparada por ela transformar-se em carne e sangue verdadeiros. A mulher, arrependida, ajoelhou-se e começou a chorar.

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Quais são as fontes do relato?

A obra mais importante citada pelo catálogo é a Vita Beati Gregorii Papae, a vida de São Gregório escrita por Paulo Diácono, monge e historiador do século VIII (o catálogo data o texto em 787). O episódio entrou depois em muitas coleções medievais e na arte.

O painel reproduz também obras conhecidas como "Missa de São Gregório", em que o Papa vê Jesus com as marcas da Paixão sobre o altar. Trata-se de uma tradição artística aparentada, muito difundida no fim da Idade Média, que não se confunde exatamente com o relato da mulher que duvidou.

Onde está a relíquia hoje?

Segundo o catálogo, parte da relíquia deste milagre está preservada no mosteiro beneditino de Andechs, na Baviera, Alemanha. O painel mostra o relicário que contém a hóstia, a capela onde ele é guardado e a igreja do mosteiro. A fonte não explica como a relíquia chegou de Roma a Andechs.

Em Roma, o painel apresenta também a igreja de São Gregório Magno no Célio, construída no lugar onde ficava o mosteiro fundado pelo próprio Gregório.

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A Igreja reconheceu o milagre de Roma?

O catálogo não menciona decreto de reconhecimento. O episódio é transmitido por uma biografia antiga do Papa e pela tradição, e a relíquia de Andechs é objeto de veneração. São Gregório Magno é santo e Doutor da Igreja, mas isso não significa que cada relato sobre ele tenha sido examinado e aprovado formalmente.

O que o milagre de Roma ensina sobre a Eucaristia?

A dúvida daquela mulher é muito humana: a hóstia continua a ter a aparência de pão. A Igreja ensina que, pela consagração, toda a substância do pão se converte na substância do Corpo de Cristo, permanecendo apenas as aparências (CIC 1376). É isso que se chama transubstanciação. Os sentidos não percebem a mudança; é a fé que a reconhece, apoiada na palavra de Cristo (CIC 1381).

Por isso São Paulo pede que cada um "examine a si mesmo" antes de comer deste pão (1Cor 11,28), e Jesus afirma: "o pão que eu darei é a minha carne, para a vida do mundo" (Jo 6,51). A reação de Gregório também ensina algo: diante da dúvida, ele não humilhou a mulher, mas rezou por ela. A fé na presença real não depende de milagres, e a Igreja não obriga ninguém a crer em prodígios particulares.

Perguntas frequentes

Qual foi o milagre eucarístico de São Gregório Magno?

Segundo a tradição, em 595 o pão consagrado se mostrou como carne e sangue diante de uma mulher que duvidava da presença real, durante uma Missa do Papa.

Onde está a relíquia do milagre de São Gregório?

Segundo o catálogo, parte dela está no mosteiro beneditino de Andechs, na Alemanha.

Quem escreveu sobre esse milagre?

A fonte mais antiga citada pelo catálogo é a vida de São Gregório escrita por Paulo Diácono, no século VIII.

O que é a Missa de São Gregório na arte?

É um tema artístico em que o Papa vê Jesus com as marcas da Paixão sobre o altar, uma tradição próxima, mas distinta, deste relato.

Para aprofundar

Fontes

Este artigo se baseia em: Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 1374 a 1377 e 1381); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Paulo Diácono, Vita Beati Gregorii Papae (citada pelo catálogo).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.