O milagre eucarístico de Roma do tempo de São Gregório Magno aconteceu, segundo a tradição, no ano de 595. Durante uma Missa celebrada pelo Papa, uma mulher que tinha preparado o pão do altar riu na hora da Comunhão, por não acreditar que aquele pão fosse o Corpo de Cristo. Gregório rezou, e a porção de pão consagrado se mostrou como verdadeira carne e sangue. Segundo o catálogo, parte da relíquia é guardada hoje no mosteiro beneditino de Andechs, na Alemanha.
O catálogo situa o fato entre os séculos VI e VII, mas indica o ano de 595, durante o pontificado de Gregório (590 a 604).
O que aconteceu em Roma?
Naquela época era costume que os próprios fiéis preparassem o pão usado na Missa e o levassem ao altar. Num domingo, o Papa Gregório celebrava na antiga igreja dedicada a São Pedro. Ao distribuir a Comunhão, percebeu que, na fila, estava uma das mulheres que tinham feito o pão da consagração, e que ela ria alto.
A dúvida da mulher
O Papa, perturbado, perguntou-lhe o motivo do riso. Segundo o relato, ela respondeu que não conseguia acreditar que o pão que tinha preparado com as próprias mãos se tornasse, só pelas palavras da consagração, o verdadeiro Corpo e Sangue de Cristo.
A oração de São Gregório
Gregório não lhe deu a Comunhão e começou a pedir a Deus que iluminasse aquela mulher. Conta a tradição que, mal terminou a oração, viu a fração do pão preparada por ela transformar-se em carne e sangue verdadeiros. A mulher, arrependida, ajoelhou-se e começou a chorar.
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Quais são as fontes do relato?
A obra mais importante citada pelo catálogo é a Vita Beati Gregorii Papae, a vida de São Gregório escrita por Paulo Diácono, monge e historiador do século VIII (o catálogo data o texto em 787). O episódio entrou depois em muitas coleções medievais e na arte.
O painel reproduz também obras conhecidas como "Missa de São Gregório", em que o Papa vê Jesus com as marcas da Paixão sobre o altar. Trata-se de uma tradição artística aparentada, muito difundida no fim da Idade Média, que não se confunde exatamente com o relato da mulher que duvidou.
Onde está a relíquia hoje?
Segundo o catálogo, parte da relíquia deste milagre está preservada no mosteiro beneditino de Andechs, na Baviera, Alemanha. O painel mostra o relicário que contém a hóstia, a capela onde ele é guardado e a igreja do mosteiro. A fonte não explica como a relíquia chegou de Roma a Andechs.
Em Roma, o painel apresenta também a igreja de São Gregório Magno no Célio, construída no lugar onde ficava o mosteiro fundado pelo próprio Gregório.
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A Igreja reconheceu o milagre de Roma?
O catálogo não menciona decreto de reconhecimento. O episódio é transmitido por uma biografia antiga do Papa e pela tradição, e a relíquia de Andechs é objeto de veneração. São Gregório Magno é santo e Doutor da Igreja, mas isso não significa que cada relato sobre ele tenha sido examinado e aprovado formalmente.
O que o milagre de Roma ensina sobre a Eucaristia?
A dúvida daquela mulher é muito humana: a hóstia continua a ter a aparência de pão. A Igreja ensina que, pela consagração, toda a substância do pão se converte na substância do Corpo de Cristo, permanecendo apenas as aparências (CIC 1376). É isso que se chama transubstanciação. Os sentidos não percebem a mudança; é a fé que a reconhece, apoiada na palavra de Cristo (CIC 1381).
Por isso São Paulo pede que cada um "examine a si mesmo" antes de comer deste pão (1Cor 11,28), e Jesus afirma: "o pão que eu darei é a minha carne, para a vida do mundo" (Jo 6,51). A reação de Gregório também ensina algo: diante da dúvida, ele não humilhou a mulher, mas rezou por ela. A fé na presença real não depende de milagres, e a Igreja não obriga ninguém a crer em prodígios particulares.
Perguntas frequentes
Qual foi o milagre eucarístico de São Gregório Magno?
Segundo a tradição, em 595 o pão consagrado se mostrou como carne e sangue diante de uma mulher que duvidava da presença real, durante uma Missa do Papa.
Onde está a relíquia do milagre de São Gregório?
Segundo o catálogo, parte dela está no mosteiro beneditino de Andechs, na Alemanha.
Quem escreveu sobre esse milagre?
A fonte mais antiga citada pelo catálogo é a vida de São Gregório escrita por Paulo Diácono, no século VIII.
O que é a Missa de São Gregório na arte?
É um tema artístico em que o Papa vê Jesus com as marcas da Paixão sobre o altar, uma tradição próxima, mas distinta, deste relato.
Para aprofundar
- Carlo Acutis e a catalogação dos milagres eucarísticos
- São Gregório Magno, papa e doutor
- O que é a transubstanciação na Eucaristia
- Milagre eucarístico de Roma (1610)
Fontes
Este artigo se baseia em: Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 1374 a 1377 e 1381); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Paulo Diácono, Vita Beati Gregorii Papae (citada pelo catálogo).
As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.