O milagre eucarístico de Rosano, registrado no catálogo de São Carlo Acutis, não envolve uma hóstia, mas uma estátua do Sagrado Coração de Jesus. Segundo os testemunhos recolhidos pelas monjas, a partir de 4 de abril de 1948 a imagem, venerada na igreja da Abadia de Santa Maria de Rosano, perto de Florença, verteu gotas semelhantes a lágrimas e, depois, sangue, em várias ocasiões até 1950. A estátua continua na igreja do mosteiro.
O caso foi examinado com cautela pela Santa Sé, e não há notícia, na fonte, de um reconhecimento formal como milagre.
O que aconteceu em Rosano?
A estátua, de tamanho natural, foi doada ao mosteiro em 1948 por uma pessoa devota, para cumprir uma promessa feita durante a Segunda Guerra Mundial. (O texto em português do painel traz "1498", um erro evidente de digitação; a versão em inglês do mesmo catálogo indica 1948.) O catálogo descreve o rosto de Cristo com uma expressão de doçura firme, e o coração em destaque no peito, cercado por uma coroa de espinhos.
As lágrimas e o sangue
Os fatos são narrados numa carta do bispo de Fiesole, dom Luciano Giovannetti, de 4 de abril de 1998, no cinquentenário. Segundo ele, na tarde de 4 de abril de 1948, domingo in Albis, durante o canto das Vésperas, as monjas viram pela primeira vez cair dos olhos da estátua gotas semelhantes a lágrimas. Em junho do mesmo ano houve um segundo fenômeno: a efusão de sangue.
Esses fatos se repetiram entre 1948 e 1950 e foram presenciados por muitas testemunhas do mosteiro, em especial pela abadessa, madre Ildegarde Cabitza. O arquivo da abadia conserva testemunhos de sacerdotes, pregadores e visitantes, além de análises médicas do sangue e de toalhas e lenços embebidos. Entre os testemunhos, o catálogo destaca o de monsenhor Angelo Scapecchi, mais tarde bispo auxiliar de Arezzo. A fonte não divulga os resultados dessas análises.
Leia também: Milagre Eucarístico de Tixtla: O Coração Vivo de Jesus
A Igreja reconheceu o milagre de Rosano?
O catálogo não menciona decreto de reconhecimento. O que ele informa mostra, ao contrário, uma postura de prudência:
- o Santo Ofício enviou como visitador o dominicano padre Luigi Romoli, que interrogou pessoalmente toda a comunidade e impôs às monjas o mais absoluto silêncio;
- em 14 de novembro de 1950, o mesmo Santo Ofício mandou retirar a estátua e guardá-la em lugar secreto;
- a imagem voltou a Rosano em 1952.
Na carta de 1998, dom Giovannetti diz que os episódios permaneceram sem explicação do ponto de vista natural e humano, e que seu predecessor, dom Giovanni Giorgis, viu neles um apelo do Senhor à fidelidade, à reparação e à oração. O bispo convida os fiéis a acolher os fatos como sinal do amor de Deus e a renovar a devoção ao Sagrado Coração. É uma leitura pastoral do bispo local, e não uma declaração formal de sobrenaturalidade.
Como é a devoção hoje?
A estátua continua venerada na igreja do mosteiro. A comunidade, segundo a crônica citada pelo catálogo, viveu os fatos com alegria, mas com extrema discrição: as monjas não deixaram suas ocupações diárias, e a vida monástica seguiu ainda mais intensa, conforme o lema beneditino "Reza e trabalha".
A Abadia de Santa Maria de Rosano é muito antiga: uma inscrição do século XVIII na fachada da igreja indica sua fundação em 780. O painel mostra também o claustro, a cripta e o refeitório.
Leia também: Milagre Eucarístico de Sokółka: o Coração de Jesus
Por que o caso de Rosano está entre os milagres eucarísticos?
A ligação é a devoção ao Sagrado Coração, profundamente unida à Eucaristia. Foi diante do Santíssimo Sacramento que Santa Margarida Maria Alacoque recebeu, no século XVII, as revelações que difundiram essa devoção, com o pedido de comunhão reparadora e de adoração. O próprio dom Giorgis falou em "reparação", palavra central nessa espiritualidade.
O que o caso de Rosano ensina sobre a Eucaristia?
O coração de Cristo, ferido e coroado de espinhos, aponta para o amor com que Ele se entrega. Esse amor se torna presente de modo único na Eucaristia, onde Cristo está verdadeira, real e substancialmente (CIC 1374), e onde permanece no sacrário para ser adorado (CIC 1378 e 1379). Jesus disse: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (Jo 6,56).
A forma como a Igreja tratou o caso também ensina. Ela investigou, pediu silêncio e não se apressou em proclamar um milagre. A fé católica na presença real não depende de estátuas que choram nem de outros prodígios, e nenhum fiel é obrigado a crer neles (CIC 67). O essencial está ao alcance de todos, em qualquer Missa e em qualquer sacrário.
Perguntas frequentes
O que aconteceu em Rosano em 1948?
Segundo os testemunhos, uma estátua do Sagrado Coração verteu lágrimas a partir de 4 de abril de 1948 e sangue a partir de junho, com repetições até 1950.
Onde fica a estátua do Sagrado Coração de Rosano?
Na igreja da Abadia de Santa Maria de Rosano, mosteiro de monjas beneditinas perto de Florença.
A Igreja aprovou as lágrimas de Rosano?
O catálogo não menciona aprovação formal. O Santo Ofício investigou, retirou a estátua em 1950 e a devolveu em 1952.
O milagre de Rosano envolve uma hóstia?
Não. O caso envolve uma imagem do Sagrado Coração, devoção ligada à Eucaristia, e por isso aparece no catálogo.
Para aprofundar
- Carlo Acutis e a catalogação dos milagres eucarísticos
- Santa Margarida Maria Alacoque e o Sagrado Coração
- A consagração ao Sagrado Coração de Jesus
- O que a Igreja diz sobre os milagres eucarísticos
Fontes
Este artigo se baseia em: Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 67, 1374 e 1378 a 1379); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); versão em inglês do mesmo painel (Rosano, 1948); carta de dom Luciano Giovannetti, bispo de Fiesole, de 4 de abril de 1998 (citada pelo catálogo).
As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.