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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Silla (1907): hóstias incorruptas

O furto da píxide no dia da Anunciação de 1907, o achado numa horta e os processos que levaram à aprovação do culto às Formas de Silla.

Atualizado em 5 min de leitura
Torre sineira e cúpula da igreja paroquial de Silla, em Valência
Silla Valencia 03. Foto: B25es, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Silla aconteceu em 1907, nessa cidade próxima de Valência, na Espanha. Em 25 de março daquele ano, ladrões desconhecidos roubaram do sacrário uma píxide de prata com hóstias consagradas. Dois dias depois, as hóstias foram achadas escondidas sob uma pedra numa pequena horta fora da cidade. Segundo o catálogo, elas se conservam intactas até hoje e são adoradas na igreja de Nossa Senhora dos Anjos, em Silla.

O que aconteceu em Silla?

O dia 25 de março de 1907 era festa da Anunciação. Durante a Missa, o pároco da igreja de Nossa Senhora dos Anjos, padre Fernando Gómez, foi ao sacrário buscar as hóstias para a Comunhão dos fiéis. Encontrou a portinha aberta: a píxide de prata com as hóstias consagradas tinha desaparecido.

Segundo o catálogo, as hóstias foram encontradas dois dias depois, escondidas sob uma pedra numa pequena horta nos arredores da cidade. O portal Almudí, de Valência, acrescenta que quem as achou foram trabalhadores de um laranjal, num terreno úmido e revolvido, e que as hóstias estavam em perfeito estado. O pároco as levou de volta à igreja numa procissão solene. Os ladrões nunca foram identificados.

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Onde está a relíquia hoje?

As hóstias continuam na igreja paroquial de Nossa Senhora dos Anjos, em Silla. O catálogo, publicado em 2006, afirma que elas se mantinham incorruptas havia cerca de cem anos e que ainda podem ser adoradas.

Segundo o portal Almudí, as hóstias são expostas numa custódia em forma de laranjeira, chamada popularmente de "el taroncheret", feita com joias e doações das famílias da cidade. A forma lembra o laranjal onde foram encontradas. Em 2007, a paróquia celebrou o primeiro centenário das "Sagradas Formas Incorruptas", como mostra um cartaz reproduzido no painel.

A Igreja reconheceu o milagre de Silla?

Sim, houve processo canônico e aprovação do culto. O catálogo conta a história assim:

  1. Primeiro processo: em 1934, ao ver que as hóstias permaneciam no mesmo estado em que tinham sido encontradas, o arcebispo de Valência abriu um processo para declarar milagrosa a sua conservação. Lacrou com cera o relicário e reuniu um documento detalhado sobre o caso.
  2. Documento perdido: dois anos depois, em 1936, o palácio arquiepiscopal foi incendiado durante a Guerra Civil Espanhola, e o documento se perdeu.
  3. Segundo processo: em 1982, o arcebispo de Valência, D. Miguel Roca Cabanellas, abriu um novo processo canônico e autorizou oficialmente o culto às hóstias.

O portal Almudí traz datas um pouco diferentes: um decreto da cúria de 4 de maio de 1930 e o decreto final de D. Miguel Roca em 1983, que declarou as hóstias autênticas e bem conservadas com base em perícias, documentos e testemunhos. As duas fontes concordam no essencial: houve um primeiro processo cuja documentação se perdeu e um segundo, concluído com a aprovação do culto.

A aprovação do culto significa que os fiéis podem venerar essas hóstias publicamente. Não obriga ninguém a crer que sua conservação seja milagrosa, porque prodígios particulares não fazem parte do depósito da fé (Catecismo, n. 67).

Leia também: Milagre eucarístico de Bergen (1421): hóstias com sangue

O que o milagre de Silla ensina sobre a Eucaristia?

O Catecismo ensina que Cristo está presente nas espécies consagradas e que essa presença dura enquanto elas subsistirem (n. 1377). Por isso as hóstias guardadas no sacrário são adoradas: nelas está o próprio Senhor (n. 1378 e 1379). Uma hóstia comum se deteriora com o tempo, e o relato de Silla chama a atenção justamente porque, segundo as fontes, isso não aconteceu.

Jesus disse: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6,54). São Paulo recorda as palavras da Última Ceia: "Fazei isto em memória de mim" (1Cor 11,24).

A fé na presença real não depende de hóstias incorruptas. Ela se apoia na palavra de Cristo. Mas o furto de 1907 lembra que o sacrário não é um cofre de objetos valiosos: guarda o Senhor, que pede respeito e adoração.

Perguntas frequentes

Quando aconteceu o milagre de Silla?

O furto foi em 25 de março de 1907, festa da Anunciação. As hóstias foram encontradas dois dias depois.

As hóstias de Silla ainda existem?

Sim. Segundo o catálogo, continuam intactas na igreja de Nossa Senhora dos Anjos, em Silla, onde são expostas à adoração.

O milagre de Silla foi aprovado pela Igreja?

O arcebispo de Valência, D. Miguel Roca Cabanellas, autorizou oficialmente o culto depois de um processo canônico, em 1982 segundo o catálogo e em 1983 segundo outra fonte.

O que é o taroncheret?

É a custódia em forma de laranjeira em que as hóstias de Silla são expostas, segundo o portal Almudí.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 67 e 1377 a 1379); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); portal Almudí, "El milagro eucarístico de las Formas Incorruptas de Silla".

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.