O milagre eucarístico de Asti, no Piemonte, na Itália, são na verdade dois episódios. Em 25 de julho de 1535, na colegiada de São Secondo, uma hóstia verteu sangue no momento da fração; em 10 de maio de 1718, o mesmo aconteceu na capela da Opera Pia Milliavacca. Segundo o catálogo, o cálice do segundo milagre está conservado hoje na catedral de Asti, na capela dedicada a São Filipe Néri.
O que aconteceu em Asti em 1535?
Na manhã de 25 de julho de 1535, por volta das sete horas, o padre Domenico Occelli celebrava a Missa no altar-mor da colegiada de São Secondo. Segundo o relatório oficial, os fatos seguiram esta ordem:
- Ao partir a hóstia consagrada, o sacerdote viu que toda a linha da fratura estava encharcada de sangue vivo. O relato conta quatro gotas: três pingaram dentro do cálice e a outra ficou presa na ponta da hóstia.
- Ele continuou a Missa. Ao destacar o fragmento que se coloca no cálice, viu surgir mais sangue.
- Espantado, chamou os presentes para que se aproximassem do altar e vissem.
- Quando foi comungar, o sangue havia desaparecido e a hóstia tinha voltado ao aspecto normal.
Uma inscrição em mármore registra ainda que alguns soldados que não eram católicos se converteram ao ver o fato. Na época, Asti estava sob o domínio do imperador Carlos V, e havia muitos soldados na cidade.
Os documentos de 1535
O bispo de Asti, Scipione Roero, mandou redigir imediatamente um ato notarial e enviou um relatório à Santa Sé. Esse relatório foi reproduzido num breve apostólico do Papa Paulo III, de 6 de novembro de 1535. Uma cópia foi tirada dos arquivos do Vaticano em 1884, a pedido de um cônego da cidade. O fato também consta no livro da Companhia do Santíssimo Sacramento, fundada na colegiada no fim de 1519. Há ainda um quadro do século XVI na capela do Crucifixo e a inscrição em mármore citada acima.
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O que aconteceu em Asti em 1718?
Na manhã de 10 de maio de 1718, por volta das oito horas, o padre Francesco Scotto foi celebrar a Missa na capela da Opera Pia Milliavacca, um instituto de ensino. A igreja era dividida em duas partes: uma diante do altar, aberta ao público, e outra atrás dele, reservada aos alunos internos.
- Do lado do público havia uma única pessoa: Scipione Alessandro Ambrogio, notário que servia como chanceler da cúria e cuidava das finanças do instituto. Perto da elevação, ele percebeu que a hóstia estava partida em duas.
- Achando que uma hóstia partida não seria matéria válida, foi avisar o sacerdote e correu à sacristia para buscar outra.
- O celebrante, ao erguer a hóstia, viu que as bordas das duas metades estavam vermelhas de sangue. O cálice, por dentro e no pé, e o corporal também tinham manchas.
- Ao voltar, o notário viu o sangue e começou a chorar. Chamou o confessor do instituto e outros sacerdotes, que testemunharam o fato.
Chegaram três médicos da cidade, que atestaram sob juramento que as manchas eram de sangue. Alguém levantou a hipótese de que o sangue viesse do nariz ou da boca do padre, mas cirurgiões presentes examinaram o caso e descartaram essa possibilidade. O vigário episcopal e o vigário da Inquisição redigiram juntos um relatório. Em 1841, o bispo Filippo Artico mandou peritos em física examinar o cálice e a hóstia, e eles confirmaram, segundo o catálogo, a origem sanguínea das manchas.
Onde estão as relíquias hoje?
A colegiada de São Secondo conserva a memória do milagre de 1535 numa capela própria, com uma pintura do século XVII que representa o fato. Do milagre de 1718, a Opera Pia Milliavacca guardou o cálice manchado, a patena, o corporal e a hóstia, que com o tempo se deteriorou e ficou reduzida a um véu. O catálogo informa que o cálice do prodígio está hoje na catedral de Asti, na capela de São Filipe Néri.
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A Igreja reconheceu os milagres de Asti?
Para o milagre de 1535, o documento mais importante é o breve de Paulo III. Com base no relatório do bispo, o Papa concedeu indulgência plenária a quem, no aniversário do milagre, visitasse a igreja de São Secondo e rezasse três Pai-Nossos e Ave-Marias nas intenções do Pontífice. Para 1718, há os testemunhos colhidos por notário e o relatório da cúria. O catálogo não menciona um decreto formal posterior. Como sempre, o fiel não é obrigado a crer nesses prodígios (Catecismo, n. 67).
O que os milagres de Asti ensinam sobre a Eucaristia?
Os dois episódios acontecem no coração da Missa: na fração do pão e na elevação. A Igreja ensina que, pela consagração, o pão e o vinho se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo, e que Cristo está todo inteiro em cada uma das espécies e em cada parte delas, de modo que a fração do pão não divide Cristo (CIC 1377). O detalhe da hóstia partida em 1718 toca justamente nesse ponto.
São Paulo transmite as palavras do Senhor: "Isto é o meu corpo, que é para vós" (1Cor 11,24). A fé na presença real se apoia nessas palavras, não nos sinais extraordinários. Os milagres podem despertar a devoção, mas o mesmo Cristo está presente em toda Missa celebrada validamente.
Perguntas frequentes
Quantos milagres eucarísticos aconteceram em Asti?
Dois: um em 25 de julho de 1535, na colegiada de São Secondo, e outro em 10 de maio de 1718, na capela da Opera Pia Milliavacca.
Onde está o cálice do milagre de Asti?
Segundo o catálogo, na catedral de Asti, na capela de São Filipe Néri.
O sangue de Asti foi examinado?
Em 1718, três médicos atestaram sob juramento que era sangue, e em 1841 peritos chamados pelo bispo confirmaram a origem sanguínea das manchas, segundo o catálogo.
Que indulgência foi concedida pelo milagre de 1535?
O Papa Paulo III concedeu indulgência plenária a quem visitasse São Secondo no aniversário do milagre e rezasse nas intenções do Papa.
Para aprofundar
- Carlo Acutis e a catalogação dos milagres eucarísticos
- Milagre eucarístico de Turim (1453), também no Piemonte
- A ciência diante dos milagres eucarísticos
Fontes
Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Papa Paulo III, breve apostólico de 6 de novembro de 1535, conforme citado no catálogo; Catecismo da Igreja Católica (n. 67 e 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB).
As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.