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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Morrovalle (1560) e os dois perdões

Em 1560 um incêndio destruiu a igreja franciscana de Morrovalle, mas a hóstia grande foi achada inteira entre os escombros. Conheça a história.

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Igreja e antigo convento de São Francisco, em Morrovalle
Chiesa di San Francesco - Morrovalle 01. Foto: Diego Baglieri, licença CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Morrovalle aconteceu em abril de 1560, nessa cidade da região das Marcas, na Itália. Um incêndio destruiu a igreja dos frades franciscanos, mas, dez dias depois, uma hóstia grande consagrada foi encontrada intacta sobre um corporal apenas chamuscado, entre os restos do altar-mor. A hóstia se conservou até cerca de 1600 e depois se perdeu; hoje restam a custódia e a tampa do cibório que sobreviveram ao fogo.

O caso tem um traço pouco comum entre os milagres eucarísticos: foi examinado a mando do próprio Papa no mesmo ano, e a bula que autorizou o culto ainda marca o calendário religioso da cidade.

O que aconteceu em Morrovalle?

Segundo o relato do catálogo, o fogo começou na noite de 16 para 17 de abril de 1560, durante a oitava da Páscoa. Por volta das duas da manhã, o irmão leigo Angelo Blasi acordou com o barulho de estalos fortes. Da janela da cela, viu a igreja cercada pelas chamas e correu para chamar os outros frades.

O incêndio só foi dominado depois de cerca de sete horas. A igreja ficou reduzida a uma grande massa de entulho, e a limpeza começou alguns dias mais tarde.

A descoberta de 27 de abril

Em 27 de abril, o padre Battista de Ascoli removia um pedaço de mármore do que tinha sido o altar principal quando encontrou, num vão da parede, o cibório e o corporal, ambos um pouco queimados. Sobre o corporal estava a hóstia grande consagrada, inteira. Conta o catálogo que o frade gritou "milagre" e que muita gente acorreu ao lugar.

O Santíssimo Sacramento ficou exposto à adoração dos fiéis por três dias seguidos. Quando o superior provincial, padre Evangelista de Morro d'Alba, chegou a Morrovalle, a hóstia foi colocada numa caixa de marfim.

O cibório queimado

Um detalhe aparece na síntese do painel: o cibório em que a hóstia estava guardada queimou por completo, com exceção da tampa. Esse contraste entre o recipiente consumido pelo fogo e a hóstia preservada é o centro do relato.

Leia também: Milagre eucarístico de Pressac (1643): a hóstia no fogo

Onde está a relíquia hoje?

A hóstia de Morrovalle não existe mais. Segundo o catálogo, ela permaneceu intacta até 1600. Depois, por circunstâncias históricas que a fonte não detalha, não se soube mais dela. O que restou foram a custódia e a tampa do cibório que escaparam do incêndio.

O convento franciscano anexo à igreja de São Francisco, onde se deu o fato, aparece nas imagens do painel. A igreja foi ampliada depois do milagre por causa do grande número de peregrinos. As celebrações de hoje envolvem também a igreja de São Bartolomeu, a principal da cidade, onde, segundo o catálogo, se podem lucrar as indulgências ligadas ao milagre.

Os dias dos "dois perdões"

As datas do incêndio (17 de abril) e da descoberta da hóstia (27 de abril) tornaram-se dias de festa, chamados dias "dos dois perdões". Até hoje, nessas datas, há exposição do Santíssimo Sacramento, o cibório é colocado sobre o altar principal e os fiéis podem lucrar a indulgência plenária, nas condições habituais da Igreja. A arquidiocese de Fermo, a que Morrovalle pertence, continua a divulgar a programação dos Perdões em abril.

Em 1960, no quarto centenário, o conselho municipal decidiu por unanimidade colocar sobre a porta principal da cidade a inscrição "Civitas Eucharistica", isto é, cidade eucarística.

A Igreja reconheceu o milagre de Morrovalle?

Sim, segundo a fonte. O catálogo conta que o Papa Pio IV enviou logo a Morrovalle o bispo de Bertinoro, dom Ludovico de Forlì, para verificar os fatos. Depois de receber o relatório, o Papa considerou o acontecimento acima de causas naturais e autorizou o culto pela bula Sacrosanta Romana Ecclesia, de 1560. A mesma bula instituiu as festas de 17 e 27 de abril e as indulgências.

Isso significa que a Igreja aprovou a devoção e o culto ligados ao fato. Como em todo prodígio particular, porém, nenhum fiel é obrigado a crer nele como se fosse parte da fé católica (CIC 67).

Leia também: Milagre eucarístico na Índia: o rosto de Jesus na hóstia

O que o milagre de Morrovalle ensina sobre a Eucaristia?

A Igreja ensina que, depois da consagração, Cristo está presente na Eucaristia de modo verdadeiro, real e substancial, e que essa presença permanece enquanto subsistirem as espécies do pão e do vinho (CIC 1374 a 1377). Por isso a hóstia guardada no sacrário merece adoração, e por isso os frades de Morrovalle a expuseram ao povo assim que a encontraram.

Jesus disse: "Eu sou o pão vivo descido do céu" (Jo 6,51). São Paulo, por sua vez, pede que cada um examine a si mesmo antes de comungar, para discernir o Corpo do Senhor (1Cor 11,27-29). A fé na presença real nasce dessas palavras e do ensinamento da Igreja, não de sinais extraordinários. Um relato como o de Morrovalle pode despertar gratidão e cuidado, mas a hóstia de qualquer Missa é tão Cristo quanto aquela achada entre as cinzas.

Perguntas frequentes

Quando aconteceu o milagre eucarístico de Morrovalle?

O incêndio foi na noite de 16 para 17 de abril de 1560, e a hóstia foi encontrada intacta em 27 de abril do mesmo ano.

A hóstia de Morrovalle ainda existe?

Não. Segundo o catálogo, ela se conservou até 1600 e depois se perdeu. Restam a custódia e a tampa do cibório que sobreviveram ao fogo.

O que são os Perdões de Morrovalle?

São as festas de 17 e 27 de abril, instituídas pela bula de Pio IV, com exposição do Santíssimo e possibilidade de lucrar a indulgência plenária.

O Papa aprovou o milagre de Morrovalle?

O catálogo informa que Pio IV mandou investigar o caso e autorizou o culto pela bula Sacrosanta Romana Ecclesia, em 1560.

Para aprofundar

Fontes

Este artigo se baseia em: Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 67, 1374 a 1377); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Arquidiocese de Fermo, programação dos Perdões de Morrovalle.

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.