Marcos 11 narra a entrada de Jesus em Jerusalém montado num jumentinho, aclamado com ramos e Hosanas. No dia seguinte, ele amaldiçoa uma figueira sem frutos e expulsa os vendedores do Templo. O capítulo traz ainda o ensinamento sobre a fé que move montanhas e o perdão na oração, e termina com as autoridades questionando a autoridade de Jesus.
Contexto de Marcos 11
Com este capítulo começa a última parte do Evangelho de Marcos: a semana em Jerusalém que leva à Paixão e à Ressurreição. Depois do longo caminho iniciado em Marcos 8 e da cura de Bartimeu em Jericó (Marcos 10), Jesus chega à cidade santa. A partir daqui, Marcos marca o tempo dia a dia. A Igreja revive esses dias na Semana Santa.
A Páscoa estava próxima, e Jerusalém se enchia de peregrinos. O Templo, reconstruído e ampliado por Herodes, o Grande, era o centro religioso de Israel e também um lugar de grande movimento econômico.
Explicação de Marcos 11
Versículos 1 a 6: a preparação do jumentinho
Perto de Betfagé e Betânia, junto ao Monte das Oliveiras, Jesus envia dois discípulos para buscar um jumentinho que ninguém havia montado. Se alguém perguntar, devem dizer que o Senhor precisa dele. Tudo acontece como Jesus disse. Um animal que nunca foi montado era considerado próprio para uso sagrado. O Monte das Oliveiras estava ligado, pelo profeta Zacarias, à vinda do Senhor (Zc 14,4).
Versículos 7 a 11: a entrada messiânica
Os discípulos põem os mantos sobre o jumentinho, e Jesus monta. Muitos estendem os mantos no caminho, outros espalham ramos cortados nos campos. Estender mantos era um gesto de reconhecimento de um rei (2Rs 9,13). Os que vão à frente e os que seguem gritam: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mc 11,9). E acrescentam: bendito o Reino que vem, o de nosso pai Davi.
A aclamação vem do Salmo 118,25-26, cantado pelos peregrinos nas festas. Marcos não cita o profeta, mas a cena lembra Zacarias 9,9, que anuncia um rei humilde montado num jumentinho. Jesus aceita ser aclamado como Messias, mas como rei de paz, não como guerreiro a cavalo. O Catecismo ensina que a entrada em Jerusalém manifesta a vinda do Reino que o Rei Messias vai realizar pela Páscoa da sua Morte e Ressurreição (CIC n. 560). Jesus entra no Templo, observa tudo e, como já era tarde, volta a Betânia com os Doze. Os relatos paralelos estão em Mateus 21, Lucas 19 e João 12.
Versículos 12 a 14: a figueira sem frutos
No dia seguinte, saindo de Betânia, Jesus tem fome. Vê de longe uma figueira cheia de folhas e vai ver se encontra algum fruto. Não encontra, e Marcos observa que não era tempo de figos. Jesus diz que ninguém mais coma fruto dela. O detalhe do tempo mostra que não se trata de irritação com uma árvore. É um gesto profético, como os de Jeremias ou Ezequiel, que agiam de forma simbólica. No Antigo Testamento, a figueira e a vinha às vezes representam Israel (Jr 8,13; Os 9,10). Muitas folhas e nenhum fruto: aparência sem conversão.
Versículos 15 a 19: a purificação do Templo
Em Jerusalém, Jesus entra no Templo e começa a expulsar os que vendiam e compravam. Derruba as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas, e não deixa ninguém atravessar o Templo carregando objetos. Os cambistas trocavam moedas romanas e gregas pela moeda aceita para o imposto do Templo; as pombas eram a oferta dos pobres (Lv 12,8). Esse comércio ocupava o pátio externo, o único espaço do Templo onde os pagãos podiam entrar para rezar.
Jesus ensina citando Isaías 56,7: a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos. E acrescenta, com Jeremias 7,11, que a fizeram um covil de ladrões. Em Jeremias, os ladrões são os que praticam injustiças e depois se refugiam no Templo, como se o culto os protegesse. Os sumos sacerdotes e os escribas procuram uma forma de matá-lo, porque temiam o povo, admirado com o seu ensinamento. Marcos coloca a purificação do Templo entre as duas partes da história da figueira: uma explica a outra.
Versículos 20 a 25: a figueira seca, a fé e o perdão
Na manhã seguinte, passam pela figueira e veem que secou desde a raiz. Pedro lembra o que Jesus disse. Jesus responde: tende fé em Deus. Quem disser a este monte que se lance ao mar, sem duvidar no coração, verá acontecer. A imagem da montanha é um exagero proposital, para falar da força da fé confiante. Tudo o que pedirdes na oração, crede que já recebestes, e assim será. O Catecismo cita este versículo ao falar da audácia filial da oração (CIC n. 2610).
E Jesus acrescenta uma condição: quando estiverdes rezando, perdoai, se tiverdes alguma coisa contra alguém, para que o vosso Pai que está nos céus também vos perdoe. A oração que move montanhas nasce de um coração reconciliado. O versículo 26, que aparece em algumas Bíblias, falta em muitos manuscritos antigos e repete a ideia de Mateus 6,15.
Versículos 27 a 33: a pergunta sobre a autoridade
De volta ao Templo, os sumos sacerdotes, escribas e anciãos, os membros do Sinédrio, perguntam com que autoridade Jesus faz essas coisas. Jesus responde com outra pergunta, como faziam os mestres judeus: o batismo de João vinha do céu ou dos homens? Eles calculam: se disserem do céu, Jesus perguntará por que não creram; se disserem dos homens, o povo, que tinha João como profeta, ficará contra eles. Respondem que não sabem. Jesus diz que também não lhes dirá com que autoridade age. Quem não quer reconhecer a verdade não recebe mais explicações.
O que Marcos 11 ensina para a fé católica?
- Jesus é o Rei Messias, manso e humilde. No Domingo de Ramos, a Igreja faz a procissão com ramos aclamando Cristo; no ano B, lê-se este relato de Marcos. Veja a Semana Santa dia a dia.
- O Hosana na Missa. O canto do Santo retoma as palavras da multidão: bendito o que vem em nome do Senhor. Ele vem a nós na Eucaristia.
- O culto agradável a Deus. A Igreja é casa de oração para todos os povos, e o culto deve vir acompanhado de justiça e conversão.
- A oração com fé e perdão. Pedir com confiança e perdoar de coração são inseparáveis, como rezamos no Pai-Nosso.
Reflexão para hoje
A mesma multidão que gritou Hosana pode, dias depois, ficar calada diante da cruz. Nossa fé também oscila entre o entusiasmo e o abandono. Jesus aceita a aclamação, mas sabe para onde vai. Ser cristão é segui-lo não só no dia da festa, mas também na Sexta-feira Santa.
A figueira cheia de folhas nos questiona. É possível ter uma vida religiosa vistosa, muitas atividades, muita aparência, e poucos frutos de amor, paciência e justiça. Jesus vem procurar frutos em nós, e não apenas folhas.
Por fim, a oração que move montanhas tem uma condição muito prática: perdoar. Quantas vezes pedimos a Deus grandes coisas guardando mágoa de alguém. Antes de pedir que a montanha saia do lugar, talvez seja preciso tirar do coração a pedra do ressentimento.
Para rezar com Marcos 11
- Minha fé acompanha Jesus também quando o Hosana se cala?
- Que frutos Jesus encontraria hoje na minha vida, além das folhas?
- Há alguém que preciso perdoar para que a minha oração seja livre?
Sugestão de oração:
Hosana, Senhor Jesus, bendito o que vem em nome do Senhor. Entra na minha vida como entraste em Jerusalém, manso e humilde. Purifica o templo do meu coração, faze-me dar frutos e ensina-me a perdoar, para que a minha oração seja cheia de fé. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 560 e 2610. Capítulo anterior: Marcos 10. Capítulo seguinte: Marcos 12.
Perguntas sobre Marcos 11
Por que Jesus amaldiçoou a figueira em Marcos 11?
O que significa Hosana?
Por que Jesus expulsou os vendedores do Templo?
Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.