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João 12: a unção em Betânia e o grão de trigo

Leia João 12 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São João Evangelista de manto vermelho olha para o céu com a pena na mão, com a águia e dois anjinhos, de Domenichino
Domenichino, São João Evangelista, c. 1624-1629. Domínio público, via Wikimedia Commons.

João 12 encerra a primeira grande parte do Evangelho. Maria de Betânia unge os pés de Jesus com um perfume caro, Jesus entra em Jerusalém aclamado pela multidão e anuncia que chegou a sua hora, com a imagem do grão de trigo que precisa morrer para dar fruto. O capítulo termina com um balanço: apesar dos sinais, muitos não creram.

Contexto de João 12

Faltam seis dias para a Páscoa. A ressurreição de Lázaro (João 11) aumentou a fama de Jesus e a decisão das autoridades de matá-lo. Os estudiosos costumam dividir o Evangelho em duas partes: o “Livro dos Sinais”, que vai até aqui, e o “Livro da Glória”, que começa no capítulo 13. A hora de Jesus, anunciada desde Caná (João 2), finalmente chega.

Explicação de João 12

Versículos 1 a 8: a unção em Betânia

Em Betânia, oferecem um jantar a Jesus. Marta serve, e Lázaro está à mesa. Maria toma meio litro de perfume de nardo puro, muito caro, unge os pés de Jesus e os enxuga com os cabelos. A casa se enche do perfume. Judas protesta que o perfume poderia ter sido vendido por trezentos denários, quase o salário de um ano, e dado aos pobres. O evangelista comenta que ele não se importava com os pobres: era ladrão e roubava da bolsa comum. Jesus defende Maria: ela guardou o perfume para o dia da sua sepultura. Os pobres sempre estarão com eles; ele, não. Não é desprezo pelos pobres, mas reconhecimento de um momento único. Relatos semelhantes aparecem em Marcos 14 e Mateus 26.

Versículos 9 a 11: querem matar também Lázaro

Muita gente vai a Betânia para ver Jesus e também Lázaro. Os chefes dos sacerdotes decidem matar Lázaro, porque, por causa dele, muitos acreditavam em Jesus. A vida devolvida se torna testemunho incômodo.

Versículos 12 a 19: a entrada em Jerusalém

No dia seguinte, a multidão que estava na festa vai ao encontro de Jesus com ramos de palmeira, gritando “Hosana”, um pedido de salvação que se tornou aclamação, e “Bendito o que vem em nome do Senhor” (Sl 118,25-26). Jesus monta num jumentinho, cumprindo Zacarias 9,9: o rei vem humilde, não montado num cavalo de guerra. Os discípulos só compreendem isso depois da glorificação. Os fariseus comentam, desanimados, que o mundo inteiro vai atrás dele.

Versículos 20 a 26: o grão de trigo

Alguns gregos, provavelmente pagãos simpatizantes do judaísmo, pedem a Filipe para ver Jesus. É sinal de que o mundo inteiro começa a procurá-lo. Jesus responde que chegou a hora de o Filho do Homem ser glorificado. E explica como: “Se o grão de trigo que cai na terra não morrer, ficará só; mas, se morrer, produzirá muito fruto” (Jo 12,24). A glória passa pela morte. Quem se apega à própria vida a perde; quem a doa, a guarda para a vida eterna. Quem quiser servir a Jesus deve segui-lo, e o Pai o honrará.

Versículos 27 a 33: Pai, glorifica o teu nome

Jesus diz que a sua alma está perturbada. Pergunta se deve pedir ao Pai que o livre desta hora, e responde que foi para isso que veio. Esta passagem é, em João, algo próximo da agonia no Getsêmani narrada pelos outros Evangelhos. Jesus reza: Pai, glorifica o teu nome. Uma voz do céu responde que já glorificou e glorificará de novo. Uns pensam que foi um trovão; outros, um anjo. Jesus anuncia que agora o príncipe deste mundo será expulso, e que, quando for levantado da terra, atrairá todos a si. O evangelista explica que ele indicava de que morte iria morrer.

Versículos 34 a 36: caminhai enquanto tendes a luz

A multidão não entende como o Messias poderia ser levantado, se a Lei diz que ele permanece para sempre. Jesus não discute; faz um último apelo: a luz está entre vós por pouco tempo; caminhai enquanto tendes a luz, crede na luz para vos tornardes filhos da luz. Depois se retira e se esconde deles.

Versículos 37 a 43: a incredulidade

O evangelista faz um balanço triste: apesar de tantos sinais, não creram nele. Cita Isaías 53,1, quem acreditou no nosso anúncio, e Isaías 6,10, sobre olhos que não veem e corações endurecidos. Esses textos não querem dizer que Deus impede alguém de crer, mas que a rejeição do Messias, por misteriosa que seja, estava prevista nas Escrituras. Muitos chefes até creram, mas não o confessavam por medo dos fariseus: preferiam a glória humana à glória de Deus.

Versículos 44 a 50: eu vim como luz

Jesus proclama em alta voz uma síntese da sua missão. Quem crê nele crê no Pai que o enviou; quem o vê, vê o Pai. Ele veio como luz, para que ninguém permaneça nas trevas. Não veio para julgar o mundo, mas para salvá-lo; a palavra que ele disse é que julgará no último dia. O que ele diz, diz como o Pai lhe ordenou, e o mandamento do Pai é vida eterna.

O que João 12 ensina para a fé católica?

O grão de trigo resume o mistério pascal: Cristo morre e ressuscita, e da sua morte nasce a Igreja, o “muito fruto”. A cruz é ao mesmo tempo a hora da maior humilhação e da glorificação. Este trecho é proclamado no 5º Domingo da Quaresma do Ano B, e a unção em Betânia, na segunda-feira da Semana Santa.

A entrada em Jerusalém é recordada na procissão do Domingo de Ramos. O gesto de Maria inspira a generosidade no culto: a Igreja sempre quis oferecer a Deus o melhor na liturgia, sem esquecer o serviço aos pobres, que Judas usou só como pretexto. E o chamado a seguir Jesus para onde ele está mostra que o discípulo participa da sua cruz e da sua glória.

Reflexão para hoje

O perfume de Maria encheu a casa inteira. Um gesto de amor gratuito, que parece desperdício para quem calcula tudo, perfuma a vida de muita gente. Tempo dado a Deus na oração, cuidado com um idoso que não tem como retribuir, uma visita que não rende nada: aos olhos de Jesus, nada disso é desperdício.

O grão de trigo fala do nosso cotidiano. Mães e pais que abrem mão de planos pelos filhos, profissionais que servem com honestidade sem reconhecimento, pessoas que cuidam de um doente por anos. Parece que algo morre, e de fato morre. Mas daí nasce fruto.

Jesus também sentiu a alma perturbada. Não é falta de fé ter medo diante de uma cirurgia, de uma demissão, de uma decisão difícil. A fé é dizer, com ele, no meio da perturbação: Pai, glorifica o teu nome.

Para rezar com João 12

  • Que gesto de amor gratuito eu posso oferecer a Jesus e aos outros?
  • O que em mim precisa morrer para dar fruto?
  • Prefiro a glória que vem dos homens ou a que vem de Deus?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, grão de trigo caído na terra, ensina-me a perder a vida por amor. Aceita o perfume pobre das minhas ofertas. Quando a minha alma estiver perturbada, que eu saiba dizer contigo: Pai, glorifica o teu nome. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Missal Romano, Domingo de Ramos e Semana Santa.

Perguntas sobre João 12

O que significa o grão de trigo de João 12?

É uma imagem da morte e ressurreição de Jesus: como a semente que morre na terra dá muito fruto, a entrega de Jesus na cruz traz vida para muitos.

Por que Judas reclamou do perfume de Maria?

Ele disse que o perfume poderia ser vendido para ajudar os pobres, mas o evangelista explica que Judas era ladrão e roubava da bolsa comum.

O que quer dizer Hosana?

É uma expressão hebraica que significa salva-nos, por favor. Com o tempo, tornou-se também uma aclamação de louvor, usada pela multidão na entrada de Jesus em Jerusalém.

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