João 11 narra a ressurreição de Lázaro, amigo de Jesus, em Betânia. Lázaro estava morto havia quatro dias quando Jesus chegou. Antes do sinal, Jesus diz a Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida”. Ele chora diante do túmulo e depois chama Lázaro para fora. O milagre leva muitos à fé, mas faz o Sinédrio decidir a morte de Jesus.
Contexto de João 11
É o último e maior dos sinais narrados por João antes da Paixão. Betânia ficava a cerca de três quilômetros de Jerusalém, no caminho do monte das Oliveiras. Ali moravam os irmãos Marta, Maria e Lázaro, amigos próximos de Jesus (veja também Lucas 10). Jesus estava do outro lado do Jordão, para onde tinha ido depois das ameaças de apedrejamento (João 10). Voltar à Judeia significava arriscar a vida. O capítulo prepara a Páscoa: a vida dada a Lázaro custará a vida de Jesus.
Explicação de João 11
Versículos 1 a 6: aquele que tu amas está doente
As irmãs mandam dizer a Jesus: Senhor, aquele que tu amas está doente. Não pedem nada; confiam que o amor basta. Jesus responde que a doença não é para a morte, mas para a glória de Deus. O evangelista insiste que Jesus amava Marta, Maria e Lázaro. E, mesmo assim, fica mais dois dias onde estava. O atraso não é indiferença; faz parte de um plano maior que as irmãs ainda não entendem.
Versículos 7 a 16: vamos também nós
Jesus decide voltar à Judeia. Os discípulos lembram o perigo. Ele responde com a imagem do dia e da noite: quem caminha de dia não tropeça. Depois diz que Lázaro dorme e que vai acordá-lo. Os discípulos entendem sono comum, e Jesus diz claramente: Lázaro morreu. Para os cristãos, a morte passa a ser chamada de sono, à espera do despertar. Tomé diz aos outros: vamos também nós, para morrermos com ele. É uma frase de coragem, ainda sem compreender a ressurreição.
Versículos 17 a 27: Marta e a fé na ressurreição
Jesus chega quando Lázaro já está no túmulo havia quatro dias. Textos rabínicos posteriores registram a crença de que a alma ficava perto do corpo por três dias; no quarto, a morte era tida como definitiva. O detalhe sublinha que não havia mais esperança humana. Muitos judeus tinham ido consolar as irmãs. Marta vai ao encontro de Jesus e diz: se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido. Mas acrescenta que sabe que Deus lhe dará tudo o que pedir. Jesus afirma que o irmão ressuscitará. Marta responde com a fé dos fariseus na ressurreição no último dia. Jesus vai além: eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E pergunta: crês nisto? Marta faz uma das maiores profissões de fé do Evangelho: creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que vem ao mundo.
Versículos 28 a 37: Jesus chorou
Marta chama Maria, que corre até Jesus e cai a seus pés, repetindo as mesmas palavras. Ao vê-la chorar, e os que vieram com ela, Jesus se comove profundamente e se perturba. Pergunta onde o colocaram. E então, o versículo mais curto e um dos mais tocantes da Bíblia: Jesus chorou. O Filho de Deus, que sabe que vai ressuscitar o amigo, chora com quem chora. Alguns comentam o quanto ele o amava; outros, com ironia, perguntam se quem abriu os olhos do cego não poderia ter evitado a morte.
Versículos 38 a 44: Lázaro, vem para fora
O túmulo era uma gruta fechada por uma pedra. Jesus manda tirar a pedra. Marta, realista, avisa que já há mau cheiro. Jesus lembra: não te disse que, se creres, verás a glória de Deus? Tiram a pedra, e Jesus ergue os olhos e agradece ao Pai por tê-lo ouvido, dizendo que fala assim por causa do povo, para que creiam que o Pai o enviou. Depois clama em alta voz: Lázaro, vem para fora. O morto sai, com as mãos e os pés enfaixados e o rosto coberto por um pano. Jesus manda desamarrá-lo e deixá-lo ir.
Lázaro volta à vida mortal; um dia morrerá de novo. A ressurreição de Jesus será diferente: ele sairá do túmulo deixando os panos para trás (João 20), com um corpo glorioso que não morre mais.
Versículos 45 a 53: convém que um homem morra
Muitos creem em Jesus. Outros vão contar aos fariseus. O Sinédrio se reúne, preocupado: se o deixarmos assim, todos crerão nele, e os romanos virão destruir o Templo e a nação. Caifás, o sumo sacerdote daquele ano, diz que convém que um só homem morra pelo povo, para que a nação não pereça. O evangelista explica que ele, sem saber, profetizou: Jesus morreria pela nação, e não só por ela, mas para reunir os filhos de Deus dispersos. Daquele dia em diante, decidem matá-lo.
Versículos 54 a 57: perto da Páscoa
Jesus deixa de andar em público e vai para uma cidade chamada Efraim, perto do deserto. A Páscoa se aproxima, e muitos sobem a Jerusalém para se purificar. Procuram Jesus e se perguntam se ele virá à festa. As autoridades tinham dado ordem de denunciar onde ele estivesse, para prendê-lo.
O que João 11 ensina para a fé católica?
O capítulo é um texto central da esperança cristã na ressurreição. Jesus não só promete a vida no último dia: ele é a ressurreição e a vida. Por isso a liturgia das exéquias usa com frequência este Evangelho, e a Igreja o proclama no 5º Domingo da Quaresma do Ano A, preparando a Páscoa.
O Catecismo destaca a oração de Jesus diante do túmulo: a segunda oração de Jesus relatada por São João, antes da ressurreição de Lázaro, é uma ação de graças que precede o acontecimento, mostrando que o Pai sempre o escuta (CIC n. 2604). As lágrimas de Jesus revelam a sua verdadeira humanidade e o seu amor de amigo. E a profissão de fé de Marta mostra que crer é reconhecer Jesus como o Cristo, o Filho de Deus.
Reflexão para hoje
Quase todo mundo já disse a Deus o que Marta e Maria disseram: se estivesses aqui, isso não teria acontecido. Jesus não se ofende com essa queixa. Ele escuta, se aproxima e chora junto. A fé cristã não proíbe as lágrimas no luto; ela as acompanha com esperança.
Às vezes Deus parece demorar. As irmãs esperaram quatro dias, tempo demais para qualquer esperança humana. Muitas situações em nossa vida também parecem ter passado do ponto. A pergunta de Jesus a Marta vale para nós: crês nisto? Crer não é negar a dor, mas confiar que ela não tem a última palavra.
Lázaro saiu do túmulo ainda amarrado, e Jesus pediu que os outros o desamarrassem. Deus dá a vida, mas conta com a comunidade para soltar as faixas: ajudar quem saiu de um vício, acolher quem voltou à Igreja, apoiar quem recomeça depois de uma perda.
Para rezar com João 11
- Que perda ou situação “morta” eu preciso entregar a Jesus?
- Consigo responder com Marta: sim, Senhor, eu creio?
- Quem está precisando que eu o ajude a desamarrar as faixas?
Sugestão de oração:
Senhor Jesus, ressurreição e vida, que choraste diante do túmulo do teu amigo, chora comigo nas minhas perdas. Fortalece a minha esperança quando tudo parecer acabado. Chama-me para fora dos meus túmulos e dá-me irmãos que me ajudem a recomeçar. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica.
Perguntas sobre João 11
Por que Jesus demorou para ir até Lázaro?
Por que Jesus chorou se sabia que ia ressuscitar Lázaro?
Qual a diferença entre a ressurreição de Lázaro e a de Jesus?
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