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Salmo 115: não a nós, Senhor, mas ao teu nome

Leia Salmo 115 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O rei Davi toca a harpa cercado de anjos
Hendrick ter Brugghen, O rei Davi tocando harpa entre anjos, 1628. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O Salmo 115 começa com um pedido humilde e famoso: não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória. Em seguida contrapõe o Deus vivo, que está nos céus e faz tudo o que quer, aos ídolos feitos por mãos humanas, que têm boca e não falam. Termina chamando o povo a confiar no Senhor e a bendizê-lo para sempre.

Contexto do Salmo 115

Na tradução grega e na Vulgata, este salmo está unido ao anterior e forma a segunda parte do Salmo 113 da numeração litúrgica, às vezes chamada 113B. Não traz título nem autor. Faz parte do Hallel, cantado nas festas de Israel.

É um salmo litúrgico, com várias vozes. Parece ter sido cantado no templo, com partes para todo o povo, para os sacerdotes e para os que temem o Senhor, e uma bênção final dada pelos sacerdotes. A pergunta das nações, onde está o seu Deus, sugere um tempo de humilhação de Israel, talvez depois do exílio, mas não se pode datar com segurança. O trecho sobre os ídolos tem um paralelo quase igual no Salmo 135,15-18.

Explicação do Salmo 115

Versículos 1 e 2: a glória é de Deus

O povo pede que Deus mostre a sua glória, não por mérito de Israel, mas por causa do seu amor e da sua fidelidade. Logo vem a provocação das nações: onde está o Deus deles? Para os povos vizinhos, um deus que não tinha estátua e cujo povo sofria parecia não existir. O salmo responde a essa zombaria.

Versículo 3: o Deus que está nos céus

A resposta é curta e firme: o nosso Deus está nos céus e faz tudo o que deseja. Não precisa de imagem para existir, nem depende da sorte do seu povo para ser Deus. É livre, soberano e vivo.

Versículos 4 a 8: ídolos de prata e ouro

Em contraste, os ídolos das nações são prata e ouro, obra das mãos do homem. O salmista descreve com ironia: têm boca e não falam, têm olhos e não veem, ouvidos e não ouvem, nariz e não sentem cheiro, mãos e não tocam, pés e não andam, e da garganta não sai nenhum som. Têm todos os órgãos e nenhuma vida.

A conclusão é forte: tornem-se como eles os que os fazem e todos os que neles confiam. Quem adora o que não tem vida vai perdendo a própria vida. Torna-se cego, surdo e mudo para Deus e para os outros. O ser humano se parece com aquilo que adora.

Versículos 9 a 11: confiai no Senhor

Em três chamados, o salmo convoca: Israel, confia no Senhor; casa de Aarão, confia no Senhor; vós que temeis o Senhor, confiai no Senhor. E a cada vez se responde: ele é o seu auxílio e o seu escudo. A casa de Aarão são os sacerdotes. Os que temem o Senhor podem ser todos os fiéis, ou também estrangeiros que aderiram ao Deus de Israel, como pensam alguns estudiosos.

Versículos 12 a 15: a bênção

O Senhor se lembra de nós e nos abençoa. A bênção é repetida para os mesmos três grupos e se estende aos pequenos e aos grandes. Pede-se que Deus faça crescer o povo e os seus filhos. A fórmula final lembra quem abençoa: sede abençoados pelo Senhor, que fez o céu e a terra. O Deus que criou tudo não pode ser comparado a ídolos que nem conseguem andar.

Versículos 16 a 18: o louvor dos vivos

Os céus são do Senhor, mas a terra ele a deu aos filhos dos homens. É um eco do Gênesis, onde Deus confia a terra ao ser humano (Gn 1,28). Depois o salmo diz que os mortos não louvam o Senhor, nem os que descem ao silêncio. No Antigo Testamento, a mansão dos mortos era vista como lugar de sombra e silêncio, e a esperança da ressurreição só aparece mais tarde, em livros como Daniel 12,2 e 2 Macabeus 7. Por isso a conclusão: nós, os vivos, bendiremos o Senhor desde agora e para sempre. Aleluia.

O que o Salmo 115 ensina para a fé católica?

O Catecismo cita este salmo ao tratar da idolatria. Ele lembra que os ídolos são vazios e que, por isso, tornam vazio quem os adora, ao contrário do Deus vivo, que faz viver e intervém na história (CIC n. 2112). O primeiro mandamento pede que adoremos somente a Deus.

Isso não se aplica às imagens sagradas que a Igreja usa. Uma imagem de Cristo, de Nossa Senhora ou de um santo não é tratada como deus, nem se espera que ela fale ou veja. Ela recorda a pessoa que representa e conduz o coração para Deus. Veja a diferença entre adoração e veneração.

O versículo 1 também é uma escola de humildade. A Igreja reconhece que todo bem que realiza vem de Deus. Os santos repetiram muitas vezes esse espírito: a glória não é nossa, é do Senhor. Por fim, o louvor dos vivos ganha um sentido novo com a ressurreição de Jesus: em Cristo, os que morrem nele não descem ao silêncio, mas vivem e louvam a Deus para sempre.

Reflexão para hoje

Os ídolos de hoje raramente são de prata e ouro em forma de estátua, mas continuam sendo de prata e ouro. O dinheiro, o sucesso, a aparência, a opinião dos outros, o celular que não sai da mão. Nada disso é mau em si, mas se torna ídolo quando ocupa o lugar de Deus. O Catecismo diz que há idolatria sempre que o homem honra uma criatura em lugar de Deus (CIC n. 2113).

A frase tornam-se como eles é um alerta sério. Quem vive para a tela acaba sem olhos para quem está ao lado. Quem vive para o dinheiro fica surdo ao pobre. A idolatria rouba a vida aos poucos. A boa notícia é que o contrário também vale: quem adora o Deus vivo vai se tornando mais vivo, mais atento e mais livre.

E o pedido não a nós, Senhor pode acompanhar as nossas vitórias. Quando um projeto dá certo, quando um filho se forma, quando algo bom acontece no trabalho, dar glória a Deus nos protege da vaidade e nos lembra de onde vem o bem.

Para rezar com o Salmo 115

  • Que realidade da minha vida corre o risco de ocupar o lugar de Deus?
  • Quando as coisas dão certo, eu dou glória a Deus ou busco a minha própria glória?
  • Estou usando esta vida, enquanto estou vivo, para bendizer o Senhor?

Sugestão de oração:

Não a mim, Senhor, não a mim, mas ao teu nome dá glória, por causa do teu amor e da tua fidelidade. Livra-me dos ídolos que roubam a minha vida e faze-me confiar só em ti, meu auxílio e meu escudo. Enquanto eu viver, quero bendizer o teu nome, e esperar contigo a vida que não acaba. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2112 e 2113.

Perguntas sobre Salmo 115

O que significa não a nós, Senhor, não a nós?

É o pedido de que toda a glória seja dada ao nome de Deus, e não ao povo. Israel reconhece que tudo o que tem de bom vem do amor e da fidelidade do Senhor.

O Salmo 115 condena as imagens dos santos?

Não. O salmo critica os ídolos, isto é, imagens tratadas como se fossem deuses. A Igreja ensina que as imagens de Cristo e dos santos não são adoradas; elas recordam e honram as pessoas que representam, e a adoração pertence só a Deus.

Por que o Salmo 115 diz que os mortos não louvam a Deus?

Porque, no Antigo Testamento, a esperança na vida depois da morte ainda não estava plenamente revelada. O salmo enfatiza que esta vida é tempo de louvar. A ressurreição de Cristo revelaria depois a vida eterna com Deus.

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