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Salmo 135: louvai o nome do Senhor, servos do Senhor

Leia Salmo 135 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O rei Davi toca a harpa cercado de anjos
Hendrick ter Brugghen, O rei Davi tocando harpa entre anjos, 1628. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O Salmo 135 é um hino de louvor que convida os servos do Senhor a celebrar o seu nome. Ele recorda por que Deus merece ser louvado: escolheu Israel como seu povo, governa toda a criação, libertou os hebreus do Egito e lhes deu uma terra. No fim, contrasta o Deus vivo com os ídolos de prata e ouro, que têm boca e não falam.

Contexto do Salmo 135

Na numeração litúrgica, usada pela Vulgata e por muitos livros de oração, este é o Salmo 134. É um salmo de louvor que começa e termina com Aleluia, palavra hebraica que significa louvai o Senhor. Não tem atribuição de autor no título.

O texto tem muitos pontos de contato com outras passagens da Bíblia. O começo ecoa o Salmo 134; a parte sobre os ídolos é quase igual ao Salmo 115,4-8; a lembrança dos reis vencidos aparece também no Salmo 136. Por isso, muitos estudiosos o consideram uma composição litúrgica que reúne expressões conhecidas do culto do Templo. Ele forma uma espécie de par com o Salmo 136, que vem logo em seguida e conta a mesma história com um refrão.

Explicação do Salmo 135

Versículos 1 a 4: o convite ao louvor

O salmista chama os servos do Senhor que estão nos átrios da casa de Deus a louvar o seu nome. Louvar o nome é louvar o próprio Deus, como ele se revelou. A razão vem logo: o Senhor é bom, e cantar ao seu nome é agradável. E há um motivo mais pessoal ainda: o Senhor escolheu Jacó para si, Israel como sua propriedade. A palavra lembra Êxodo 19,5, onde Deus chama o povo de sua propriedade particular entre todos os povos.

Versículos 5 a 7: o Senhor da criação

Em seguida vem uma profissão de fé: o Senhor é grande, maior que todos os deuses. O salmista afirma que Deus faz tudo o que quer, no céu, na terra, nos mares e nos abismos. O Catecismo cita esta passagem ao falar da onipotência de Deus (CIC n. 269). Os exemplos são tirados da natureza: as nuvens que sobem do horizonte, os relâmpagos que acompanham a chuva, o vento que sai dos seus depósitos. Para os povos vizinhos, essas forças eram divindades. Para Israel, são criaturas que obedecem ao único Criador.

Versículos 8 a 12: o Senhor da história

O louvor passa da criação para a história. Deus feriu os primogênitos do Egito, enviou sinais e prodígios contra o Faraó e seus servos. Depois venceu reis poderosos no caminho para a terra prometida: Seon, rei dos amorreus, e Og, rei de Basã, cujas derrotas são narradas em Números 21,21-35. Por fim, deu a terra deles como herança a Israel.

Esses versículos podem soar duros para o leitor de hoje. A Bíblia os lê como memória de libertação: um povo escravo e pequeno foi salvo por Deus de opressores muito mais fortes. A ênfase não está na violência, mas na fidelidade de Deus que cumpre a promessa feita aos patriarcas.

Versículos 13 e 14: um nome que permanece

O nome do Senhor permanece para sempre, e sua memória passa de geração em geração. O versículo 14 retoma Deuteronômio 32,36: o Senhor faz justiça ao seu povo e se compadece dos seus servos. Depois de lembrar o passado, o salmo garante que esse Deus continua o mesmo.

Versículos 15 a 18: os ídolos que não salvam

Vem então o contraste. Os ídolos das nações são prata e ouro, obra de mãos humanas. Têm boca e não falam, olhos e não veem, ouvidos e não ouvem, e não há respiração em sua boca. E o salmista acrescenta uma frase forte: quem os fabrica e quem neles confia se torna como eles. Quem adora o que não tem vida acaba sem vida também.

Versículos 19 a 21: todo o povo bendiz

O final convoca a casa de Israel, a casa de Aarão (os sacerdotes), a casa de Levi (os levitas) e todos os que temem o Senhor a bendizê-lo. O último louvor sobe de Sião, onde Deus habita, em Jerusalém. E o salmo se encerra como começou: Aleluia.

O que o Salmo 135 ensina para a fé católica?

O primeiro ensinamento é que Deus é o único Senhor, ao mesmo tempo da criação e da história. Ele não é uma força distante: ele escolhe um povo, caminha com ele e o liberta. A fé cristã reconhece nessa história a preparação da grande libertação realizada por Cristo na sua Páscoa.

O segundo é a crítica à idolatria. O Catecismo, ao explicar o primeiro mandamento, cita a passagem paralela do Salmo 115 sobre os ídolos que têm boca e não falam (CIC n. 2112), e ensina que a idolatria recusa o senhorio único de Deus (CIC n. 2113). Ídolo não é apenas uma estátua pagã. Pode ser o dinheiro, o poder, o prazer, a fama, qualquer coisa que tome o lugar de Deus. E o salmo avisa: quem se entrega a um ídolo se torna parecido com ele, fechado e sem vida.

O terceiro é o valor do louvor comunitário. O salmo termina chamando o povo inteiro, sacerdotes, levitas e fiéis. A liturgia da Igreja prolonga esse louvor, unindo os ministros ordenados e todo o povo batizado.

Reflexão para hoje

Ninguém hoje se ajoelha diante de uma estátua de ouro achando que ela é deus. Mas é fácil viver como se o salário, a aparência ou a aprovação dos outros fossem a fonte da nossa segurança. O Salmo 135 faz uma pergunta incômoda: em que eu confio de verdade? O que eu procuro quando estou com medo?

O salmo também ensina a fazer memória. O povo de Israel louvava lembrando o que Deus tinha feito. Podemos fazer o mesmo com a nossa história: recordar os momentos em que fomos sustentados, as portas que se abriram, as pessoas que Deus colocou no caminho. A gratidão pelo passado dá força para confiar no presente.

Por fim, o salmo mostra que o louvor não é luxo de quem não tem problemas. É reconhecer quem Deus é, mesmo quando as nuvens se acumulam e o vento sopra forte.

Para rezar com o Salmo 135

  • Que ídolos silenciosos ocupam espaço no meu coração e me tiram a liberdade?
  • Quais libertações Deus já realizou na minha história e que eu esqueci de agradecer?
  • Como posso participar mais do louvor da comunidade, na Missa e na oração?

Sugestão de oração:

Senhor, tu és grande e fazes tudo o que queres no céu e na terra. Livra-me dos ídolos que prometem segurança e me deixam vazio. Que eu me lembre das maravilhas que fizeste por mim e louve o teu nome todos os dias. Aleluia. Amém.

Continue com o Salmo 136, que canta a mesma história com o refrão sobre o amor eterno de Deus, ou compare com o Salmo 115.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 269, 2112 e 2113.

Perguntas sobre Salmo 135

Qual é o tema do Salmo 135?

É um hino de louvor ao Senhor que escolheu Israel, governa a natureza, libertou o povo do Egito e é infinitamente superior aos ídolos.

Quem foram Seon e Og citados no Salmo 135?

Seon era rei dos amorreus e Og, rei de Basã. Segundo o livro dos Números, foram vencidos por Israel no caminho para a terra prometida.

O que o Salmo 135 diz sobre os ídolos?

Diz que são obra de mãos humanas, têm boca e não falam, olhos e não veem, e que quem confia neles se torna como eles, sem vida.

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