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Lucas 18: o fariseu e o publicano e a viúva insistente

Leia Lucas 18 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Lucas escreve o Evangelho com a pena sobre o livro aberto, com o touro ao fundo, pintura de Frans Hals
Frans Hals, São Lucas, c. 1625. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Lucas 18 é um capítulo sobre a oração e o desapego. Jesus conta a parábola da viúva que insiste com o juiz e a do fariseu e do publicano no Templo. Depois acolhe as crianças, conversa com um homem rico, anuncia a sua Paixão e cura um cego perto de Jericó.

Contexto de Lucas 18

O capítulo continua a fala sobre a vinda do Filho do Homem, que fecha Lucas 17. Enquanto esperam, os discípulos precisam rezar sem desanimar. A partir do versículo 15, Lucas volta a seguir de perto a ordem de Marcos (Mc 10), e a subida para Jerusalém se aproxima do fim: Jericó fica a cerca de um dia de caminhada da cidade santa.

Explicação de Lucas 18

Versículos 1 a 8: a viúva e o juiz

Lucas diz logo o objetivo da parábola: mostrar que é preciso rezar sempre, sem desanimar. Numa cidade havia um juiz que não temia a Deus nem respeitava ninguém. Uma viúva vinha sempre pedir justiça contra o seu adversário. Na Bíblia, a viúva é imagem de quem não tem defesa (Ex 22,20 a 23). Por um tempo o juiz não quis atender. Depois pensou: vou fazer justiça, para que ela pare de me importunar.

Jesus argumenta do menor para o maior. Se até um juiz injusto atende por causa da insistência, quanto mais Deus fará justiça aos seus escolhidos que clamam a Ele dia e noite. Deus não é como o juiz; a comparação é por contraste. E Jesus termina com uma pergunta séria: quando o Filho do Homem vier, encontrará fé sobre a terra?

Versículos 9 a 14: o fariseu e o publicano

Esta parábola é para os que confiavam em si mesmos por se acharem justos e desprezavam os outros. Dois homens sobem ao Templo para rezar. O fariseu, de pé, agradece por não ser como os outros, ladrões, injustos, adúlteros, nem como aquele publicano. Lista as suas obras: jejua duas vezes por semana e dá o dízimo de tudo. Ele faz coisas boas, mas a oração está centrada nele mesmo e no desprezo pelo outro.

O publicano fica a distância, não ousa levantar os olhos, bate no peito e diz: “Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador!” (Lc 18,13). Jesus afirma que este voltou para casa justificado, e o outro não. Porque quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado, como já tinha dito em Lc 14,11. Bater no peito é gesto de arrependimento que a Igreja conserva, por exemplo no ato penitencial da Missa.

Versículos 15 a 17: deixai vir as crianças

Levam até a Jesus crianças pequenas para que Ele as toque. Os discípulos repreendem quem as traz. Jesus chama as crianças e diz que o Reino de Deus pertence aos que são como elas. Quem não receber o Reino como uma criança não entrará nele. A criança, na época, não tinha posição social nem méritos. Recebe tudo como dom. É essa a atitude que Jesus pede.

Versículos 18 a 23: o homem rico

Um homem importante pergunta: Bom Mestre, que devo fazer para herdar a vida eterna? Jesus lembra os mandamentos: não cometer adultério, não matar, não roubar, não levantar falso testemunho, honrar pai e mãe. O homem diz que observa tudo desde a juventude. Jesus responde: falta-te uma coisa. Vende tudo, dá aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem e segue-me. Ao ouvir isso, ele fica muito triste, porque era muito rico.

Versículos 24 a 30: o camelo e o buraco da agulha

Jesus comenta como é difícil para os ricos entrar no Reino: é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha. A imagem é um exagero de propósito, para mostrar algo impossível às forças humanas. Os ouvintes perguntam: então quem pode ser salvo? Jesus responde que o que é impossível aos homens é possível a Deus. A salvação é obra da graça.

Pedro lembra que eles deixaram tudo para segui-lo. Jesus promete que ninguém deixa casa, mulher, irmãos, pais ou filhos por causa do Reino sem receber muito mais já neste tempo e, no mundo futuro, a vida eterna. Compare com Mc 10,17 a 31.

Versículos 31 a 34: o terceiro anúncio da Paixão

Jesus chama os Doze à parte: estamos subindo para Jerusalém, e vai se cumprir tudo o que os profetas escreveram sobre o Filho do Homem. Ele será entregue aos pagãos, zombado, insultado, cuspido, açoitado e morto, e no terceiro dia ressuscitará. Lucas sublinha três vezes que os discípulos não entenderam nada: o sentido estava escondido para eles. Só depois da Ressurreição o compreenderão (Lucas 24).

Versículos 35 a 43: o cego de Jericó

Perto de Jericó, um cego pede esmola à beira do caminho. Ao saber que Jesus passa, grita: Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim! Filho de Davi é um título messiânico. Os que vão à frente mandam que se cale, mas ele grita ainda mais. Jesus para, manda trazê-lo e pergunta: que queres que eu te faça? Senhor, que eu volte a ver. Jesus diz: vê, a tua fé te salvou. Na hora ele recupera a vista e segue Jesus glorificando a Deus, e todo o povo louva também. Marcos chama esse cego de Bartimeu (Mc 10,46 a 52).

O que Lucas 18 ensina para a fé católica?

  • A oração perseverante e humilde. O Catecismo apresenta as parábolas da oração em Lucas, entre elas a da viúva insistente e a do fariseu e do publicano, como ensinamento sobre a perseverança, a paciência da fé e a humildade de quem reza (CIC n. 2613).
  • Pedir perdão é o começo da oração. O Catecismo lembra que o pedido de perdão, como o do publicano, é o primeiro movimento da oração de súplica (CIC n. 2631).
  • A justificação é dom. O publicano não se salva por méritos, mas pela misericórdia que acolhe com humildade.
  • A oração de Jesus. O grito do cego e o do publicano inspiraram a antiga oração do coração: Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador.
  • O desapego e os conselhos evangélicos. O convite ao homem rico ajuda a Igreja a entender a vocação à pobreza voluntária. Veja os votos religiosos.

Reflexão para hoje

Quem nunca desanimou de rezar por algo? Um filho afastado, um casamento em crise, uma doença. A viúva nos ensina a não largar. Insistir na oração não é convencer um Deus distraído. É deixar que a espera purifique o nosso desejo e aumente a nossa fé.

O fariseu mora em todos nós. Às vezes rezamos comparando: pelo menos não sou como fulano. A oração do publicano é curta e verdadeira. Diante de Deus, não precisamos de discurso, só de sinceridade.

E o cego de Jericó ensina a gritar mesmo quando mandam calar. Há vozes que dizem que Deus não vai ouvir, que já é tarde. Jesus para por quem clama. E pergunta a cada um: que queres que eu te faça?

Para rezar com Lucas 18

  • Por qual intenção eu desisti de rezar?
  • Na minha oração, eu me comparo com os outros?
  • Se Jesus me perguntasse hoje o que quero que Ele faça, o que eu responderia?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, Filho de Davi, tem piedade de mim, que sou pecador. Dá-me a perseverança da viúva e a humildade do publicano. Livra-me de confiar em mim mesmo e de desprezar os outros. Abre os meus olhos para que eu te veja e te siga pelo caminho. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2613 e 2631.

Perguntas sobre Lucas 18

Qual o ensinamento da parábola do fariseu e do publicano?

Deus acolhe quem reza com humildade e reconhece os próprios pecados. O fariseu confiava nas suas obras e desprezava os outros; o publicano pediu misericórdia e voltou justificado.

O que significa um camelo passar pelo buraco de uma agulha?

É um exagero proposital para mostrar algo impossível às forças humanas. Jesus explica em seguida que o que é impossível aos homens é possível a Deus.

O que a parábola da viúva e do juiz ensina sobre a oração?

Ensina a rezar sempre, sem desanimar. Se até um juiz injusto atende quem insiste, muito mais Deus, que é Pai justo, ouve os seus filhos.

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