Êxodo 37 descreve a fabricação dos objetos mais sagrados da Morada: a arca da aliança com o propiciatório e os dois querubins de ouro, a mesa dos pães, o candelabro de sete braços e o altar do incenso. O capítulo termina com o preparo do óleo da unção e do incenso. Tudo é obra de Beseleel, conforme as instruções que Deus dera a Moisés.
Contexto de Êxodo 37
Depois das cortinas, tábuas e véus do capítulo 36, a construção avança para o interior da Morada. Os objetos aqui descritos tinham sido ordenados por Deus em Êxodo 25 e Êxodo 30. A repetição detalhada mostra a fidelidade do povo à palavra de Deus. Como nas instruções, a arca, centro de tudo, vem em primeiro lugar.
Explicação de Êxodo 37
Versículos 1 a 5: a arca da aliança
Beseleel faz a arca de madeira de acácia, com dois côvados e meio de comprimento, um e meio de largura e um e meio de altura, isto é, pouco mais de um metro de comprimento. Ele a reveste de ouro puro por dentro e por fora e coloca uma moldura de ouro ao redor. Funde quatro argolas de ouro para os pés da arca e faz varas de acácia revestidas de ouro, para transportá-la sem tocá-la diretamente.
Dentro da arca serão guardadas as tábuas da Lei, o Testemunho (Ex 25,16). A arca é o lugar mais santo de Israel, sinal visível do trono de Deus no meio do povo.
Versículos 6 a 9: o propiciatório e os querubins
Sobre a arca vai uma tampa de ouro puro, chamada propiciatório. Nas duas extremidades, Beseleel faz dois querubins de ouro batido, formando uma só peça com a tampa. Eles têm as asas estendidas para o alto, cobrindo o propiciatório, e os rostos voltados um para o outro e para a tampa.
O nome propiciatório vem da ideia de expiação. Era ali que, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote aspergia o sangue do sacrifício pelo pecado (Lv 16,14-15). E era dali, entre os querubins, que Deus prometera falar a Moisés (Ex 25,22). O espaço vazio sobre a arca é como o trono do Deus invisível, que não pode ser representado.
Versículos 10 a 16: a mesa dos pães
Beseleel faz uma mesa de acácia revestida de ouro, com moldura, argolas e varas para transporte. Faz também os utensílios de ouro puro: pratos, taças, jarros e copos para as libações. Sobre essa mesa ficarão os pães da oferenda, colocados diante do Senhor e renovados a cada sábado (Lv 24,5-9). Os pães expressam a gratidão do povo e a comunhão com Deus, que alimenta Israel.
Versículos 17 a 24: o candelabro de ouro
O candelabro, em hebraico menorá, é feito de ouro puro batido, numa só peça. Tem uma haste central e seis braços, três de cada lado. Os copos têm a forma de flores de amendoeira, com botões e pétalas. São sete lâmpadas ao todo, com espevitadeiras e cinzeiros de ouro. Para tudo isso usa-se um talento de ouro puro, uma quantidade considerável.
Para muitos estudiosos, a forma de árvore florida lembra a árvore da vida. A luz diante do Senhor será alimentada com azeite puro de oliva (Ex 27,20). A menorá tornou-se mais tarde um dos grandes símbolos do povo judeu.
Versículos 25 a 29: o altar do incenso, o óleo e o perfume
Por fim, Beseleel faz o altar do incenso, quadrado, de acácia, com chifres e revestido de ouro, com argolas e varas. E prepara o óleo santo da unção e o incenso puro, aromático, segundo a arte do perfumista, como estava prescrito no capítulo 30.
O que Êxodo 37 ensina para a fé católica?
Os querubins sobre a arca mostram que a proibição de imagens no Antigo Testamento não era absoluta. O Catecismo lembra que já no Antigo Testamento Deus ordenou ou permitiu imagens que conduziam simbolicamente à salvação, como a arca da aliança e os querubins (CIC 2130). O que Deus proíbe é o ídolo, não a imagem que aponta para Ele (veja diferença entre adoração e veneração).
Os objetos da Morada se cumprem em Cristo. Paulo diz que Deus apresentou Jesus como instrumento de expiação pelo seu sangue (Rm 3,25), usando no grego a mesma palavra que designa o propiciatório. Jesus é o Pão da vida (Jo 6,35), prefigurado pelos pães da mesa, e a Luz do mundo (Jo 8,12), anunciada pelo candelabro. Na tradição da Igreja, a lâmpada que arde junto ao sacrário continua essa linguagem de presença.
A Igreja também chama Maria de Arca da Aliança na Ladainha de Nossa Senhora. Assim como a arca guardava a Palavra de Deus escrita em pedra, Maria trouxe no seio o Verbo de Deus feito carne.
Reflexão para hoje
A arca era uma caixa pequena, mas guardava o essencial: a Palavra de Deus. Cada cristão é chamado a ser uma espécie de arca, guardando a Palavra no coração, como Maria, que conservava todas essas coisas e as meditava (Lc 2,19).
O candelabro com flores de amendoeira lembra que a fé não é sombria. A luz de Deus floresce. Ler a Bíblia todos os dias, mesmo poucos versículos, é como colocar azeite na lâmpada para que ela não se apague.
Para rezar com Êxodo 37
- Guardo a Palavra de Deus no coração como a arca guardava as tábuas?
- Que luz eu levo aos ambientes onde vivo e trabalho?
- Reconheço em Jesus o Pão e a Luz que me sustentam?
Sugestão de oração:
Senhor, faz do meu coração uma arca onde a tua Palavra esteja guardada. Alimenta-me com o Pão da vida e acende em mim a tua luz, para que eu ilumine quem está perto de mim. Maria, Arca da Aliança, ensina-me a acolher o teu Filho. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2130; Ladainha de Nossa Senhora.
Perguntas sobre Êxodo 37
O que havia dentro da arca da aliança?
Os querubins da arca contradizem a proibição de imagens?
Por que Maria é chamada Arca da Aliança?
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