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Êxodo

Êxodo 25: a Arca da Aliança, a mesa e o candelabro

Leia Êxodo 25 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

Moisés ergue as tábuas da Lei com os Dez Mandamentos
Rembrandt, Moisés com as tábuas da Lei, 1659. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Êxodo 25 começa as instruções de Deus a Moisés para construir o santuário onde o Senhor vai habitar no meio do povo. O capítulo pede ofertas generosas e descreve três objetos sagrados: a Arca da Aliança, com o propiciatório e os querubins de ouro, a mesa dos pães oferecidos e o candelabro de sete braços. Tudo deve ser feito segundo o modelo que Deus mostra no monte.

Contexto de Êxodo 25

Moisés está no alto do Sinai, dentro da nuvem, durante os quarenta dias narrados no capítulo 24. Os capítulos 25 a 31 trazem as instruções para o santuário; os capítulos 35 a 40 contam a sua execução. No meio fica o episódio do bezerro de ouro (capítulos 32 a 34). A tradição atribui esse conjunto a Moisés; muitos estudiosos pensam que a descrição recebeu sua forma final em ambiente sacerdotal, com traços do futuro Templo de Jerusalém. O sentido teológico, porém, é claro: o Deus da Aliança quer morar com o seu povo e acompanhá-lo no caminho.

Explicação de Êxodo 25

Versículos 1 a 9: as ofertas e o santuário

Deus pede que se recolha uma oferta de todos os que tiverem o coração generoso. A lista inclui ouro, prata e bronze, tecidos de púrpura violeta e vermelha, carmesim e linho fino, pelos de cabra, peles de carneiro tingidas de vermelho, couro fino, madeira de acácia, azeite para a lâmpada, aromas para o óleo da unção e o incenso, e pedras preciosas para as vestes do sacerdote. A acácia é uma madeira resistente, comum no deserto. Depois vem a frase que explica tudo: “Farão para mim um santuário, e habitarei no meio deles” (Ex 25,8). O santuário deve seguir exatamente o modelo que Deus mostra a Moisés.

Versículos 10 a 16: a Arca da Aliança

A arca é uma caixa de acácia com dois côvados e meio de comprimento por um e meio de largura e de altura, cerca de 1,10 por 0,70 metro, revestida de ouro puro por dentro e por fora. Tem quatro argolas de ouro e duas varas de acácia revestidas de ouro para transportá-la, que nunca devem ser retiradas. Dentro dela se coloca o Testemunho, isto é, as tábuas da Lei. O Catecismo lembra que as tábuas, chamadas o Testemunho, contêm as cláusulas da Aliança e deviam ser postas na arca (CIC n. 2058).

Versículos 17 a 22: o propiciatório e os querubins

Sobre a arca fica uma tampa de ouro puro, o propiciatório, do mesmo tamanho da arca. O nome hebraico se liga à ideia de cobrir e de expiar; era o lugar onde, no dia da Expiação, se aspergia o sangue pelo perdão dos pecados (Lv 16). Nas duas pontas há dois querubins de ouro batido, de frente um para o outro, olhando para o propiciatório e cobrindo-o com as asas. Ali, diz Deus, eu me encontrarei contigo e falarei de cima do propiciatório, entre os dois querubins. A arca é o trono invisível de Deus, e o propiciatório, o lugar do encontro e do perdão. O Catecismo cita a arca e os querubins para mostrar que Deus mesmo mandou fazer imagens que conduzem simbolicamente à salvação (CIC n. 2130).

Versículos 23 a 30: a mesa dos pães

Deus manda fazer uma mesa de acácia revestida de ouro, com moldura, argolas e varas, além de pratos, taças, jarros e bacias de ouro para as libações. Sobre ela devem estar sempre, diante do Senhor, os pães da oferenda, também chamados pães da proposição. O Levítico explica que eram doze pães, renovados a cada sábado (Lv 24,5 a 9), sinal das doze tribos sempre presentes diante de Deus e da gratidão pelo alimento. Jesus lembra que Davi comeu desses pães quando teve fome (Mateus 12).

Versículos 31 a 40: o candelabro de sete braços

O candelabro é feito de uma só peça de ouro puro batido, com base, haste e seis braços, três de cada lado. Cada braço tem cálices em forma de flor de amendoeira, com botões e pétalas. Em cima ficam sete lâmpadas que iluminam a frente do candelabro. Para ele e seus utensílios é usado um talento de ouro, uma quantidade muito grande. A amendoeira é a primeira árvore a florescer no fim do inverno, e o candelabro parece uma árvore de luz, sinal da vida e da presença vigilante de Deus. O capítulo termina com uma insistência: faça tudo segundo o modelo que te foi mostrado no monte. A Carta aos Hebreus cita essa frase para dizer que o santuário terreno era cópia e sombra das realidades celestes (Hb 8,5).

O que Êxodo 25 ensina para a fé católica?

O santuário do deserto anuncia a presença definitiva de Deus no meio do seu povo, que se realiza em Jesus Cristo. São João diz que o Verbo se fez carne e armou a sua tenda entre nós (João 1). São Paulo usa a palavra propiciatório para falar de Cristo, que Deus apresentou como lugar de expiação pelo seu sangue (Rm 3,25). Os pães sempre diante do Senhor e a lâmpada que arde lembram ao católico o sacrário, onde Jesus está realmente presente na Eucaristia, com a lâmpada acesa ao lado. Veja o que é o Santíssimo Sacramento.

A tradição da Igreja também vê na Arca da Aliança uma figura de Maria, que trouxe em seu seio o próprio Deus feito homem. Por isso a Ladainha de Nossa Senhora a invoca como Arca da Aliança. O cuidado com a beleza do santuário ensina, ainda, que o culto a Deus merece o melhor da arte e da generosidade humana, oferecido de coração.

Reflexão para hoje

Deus não pede ao povo apenas obediência, pede ofertas de coração generoso. A construção do santuário depende do que cada um traz: uns o ouro, outros o pelo de cabra, outros o azeite. Na comunidade cristã também é assim. Há quem contribua com dinheiro, quem dê tempo na pastoral, quem leve flores para o altar, quem limpe a igreja. Tudo tem lugar no santuário de Deus.

A frase central, habitarei no meio deles, é uma promessa para a vida de cada família. Deus quer morar na nossa casa, nas nossas conversas, no nosso trabalho. Um pequeno oratório em casa, uma Bíblia aberta, o hábito de rezar juntos à mesa são maneiras de preparar esse santuário.

E diante do propiciatório, lugar do encontro e do perdão, lembramos que o coração do culto não é a perfeição de quem se aproxima, mas a misericórdia de Deus que perdoa.

Para rezar com Êxodo 25

  • O que eu posso oferecer, de coração, para a casa de Deus e para a comunidade?
  • Como estou preparando minha casa para que Deus habite nela?
  • Quando foi a última vez que visitei Jesus no sacrário?

Sugestão de oração:

Senhor, que quiseste habitar no meio do teu povo, faz da minha vida um santuário para Ti. Aceita a oferta do meu coração, pequena ou grande. Que eu te encontre no sacrário, na tua Palavra e no perdão, e que a luz da tua presença nunca se apague em mim. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica.

Perguntas sobre Êxodo 25

O que havia dentro da Arca da Aliança?

Êxodo 25 manda colocar na arca o Testemunho, isto é, as tábuas da Lei. A Carta aos Hebreus menciona também o vaso com maná e a vara de Aarão (Hb 9,4).

O que era o propiciatório?

Era a tampa de ouro da arca, com dois querubins, onde Deus prometia encontrar Moisés. No dia da Expiação ali se aspergia o sangue pelo perdão dos pecados, e São Paulo aplica a palavra a Cristo (Rm 3,25).

Por que Maria é chamada Arca da Aliança?

Porque, assim como a arca guardava as tábuas da Lei e era sinal da presença de Deus, Maria trouxe em seu seio o próprio Filho de Deus. A Ladainha de Nossa Senhora usa esse título.

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