Êxodo 25 começa as instruções de Deus a Moisés para construir o santuário onde o Senhor vai habitar no meio do povo. O capítulo pede ofertas generosas e descreve três objetos sagrados: a Arca da Aliança, com o propiciatório e os querubins de ouro, a mesa dos pães oferecidos e o candelabro de sete braços. Tudo deve ser feito segundo o modelo que Deus mostra no monte.
Contexto de Êxodo 25
Moisés está no alto do Sinai, dentro da nuvem, durante os quarenta dias narrados no capítulo 24. Os capítulos 25 a 31 trazem as instruções para o santuário; os capítulos 35 a 40 contam a sua execução. No meio fica o episódio do bezerro de ouro (capítulos 32 a 34). A tradição atribui esse conjunto a Moisés; muitos estudiosos pensam que a descrição recebeu sua forma final em ambiente sacerdotal, com traços do futuro Templo de Jerusalém. O sentido teológico, porém, é claro: o Deus da Aliança quer morar com o seu povo e acompanhá-lo no caminho.
Explicação de Êxodo 25
Versículos 1 a 9: as ofertas e o santuário
Deus pede que se recolha uma oferta de todos os que tiverem o coração generoso. A lista inclui ouro, prata e bronze, tecidos de púrpura violeta e vermelha, carmesim e linho fino, pelos de cabra, peles de carneiro tingidas de vermelho, couro fino, madeira de acácia, azeite para a lâmpada, aromas para o óleo da unção e o incenso, e pedras preciosas para as vestes do sacerdote. A acácia é uma madeira resistente, comum no deserto. Depois vem a frase que explica tudo: “Farão para mim um santuário, e habitarei no meio deles” (Ex 25,8). O santuário deve seguir exatamente o modelo que Deus mostra a Moisés.
Versículos 10 a 16: a Arca da Aliança
A arca é uma caixa de acácia com dois côvados e meio de comprimento por um e meio de largura e de altura, cerca de 1,10 por 0,70 metro, revestida de ouro puro por dentro e por fora. Tem quatro argolas de ouro e duas varas de acácia revestidas de ouro para transportá-la, que nunca devem ser retiradas. Dentro dela se coloca o Testemunho, isto é, as tábuas da Lei. O Catecismo lembra que as tábuas, chamadas o Testemunho, contêm as cláusulas da Aliança e deviam ser postas na arca (CIC n. 2058).
Versículos 17 a 22: o propiciatório e os querubins
Sobre a arca fica uma tampa de ouro puro, o propiciatório, do mesmo tamanho da arca. O nome hebraico se liga à ideia de cobrir e de expiar; era o lugar onde, no dia da Expiação, se aspergia o sangue pelo perdão dos pecados (Lv 16). Nas duas pontas há dois querubins de ouro batido, de frente um para o outro, olhando para o propiciatório e cobrindo-o com as asas. Ali, diz Deus, eu me encontrarei contigo e falarei de cima do propiciatório, entre os dois querubins. A arca é o trono invisível de Deus, e o propiciatório, o lugar do encontro e do perdão. O Catecismo cita a arca e os querubins para mostrar que Deus mesmo mandou fazer imagens que conduzem simbolicamente à salvação (CIC n. 2130).
Versículos 23 a 30: a mesa dos pães
Deus manda fazer uma mesa de acácia revestida de ouro, com moldura, argolas e varas, além de pratos, taças, jarros e bacias de ouro para as libações. Sobre ela devem estar sempre, diante do Senhor, os pães da oferenda, também chamados pães da proposição. O Levítico explica que eram doze pães, renovados a cada sábado (Lv 24,5 a 9), sinal das doze tribos sempre presentes diante de Deus e da gratidão pelo alimento. Jesus lembra que Davi comeu desses pães quando teve fome (Mateus 12).
Versículos 31 a 40: o candelabro de sete braços
O candelabro é feito de uma só peça de ouro puro batido, com base, haste e seis braços, três de cada lado. Cada braço tem cálices em forma de flor de amendoeira, com botões e pétalas. Em cima ficam sete lâmpadas que iluminam a frente do candelabro. Para ele e seus utensílios é usado um talento de ouro, uma quantidade muito grande. A amendoeira é a primeira árvore a florescer no fim do inverno, e o candelabro parece uma árvore de luz, sinal da vida e da presença vigilante de Deus. O capítulo termina com uma insistência: faça tudo segundo o modelo que te foi mostrado no monte. A Carta aos Hebreus cita essa frase para dizer que o santuário terreno era cópia e sombra das realidades celestes (Hb 8,5).
O que Êxodo 25 ensina para a fé católica?
O santuário do deserto anuncia a presença definitiva de Deus no meio do seu povo, que se realiza em Jesus Cristo. São João diz que o Verbo se fez carne e armou a sua tenda entre nós (João 1). São Paulo usa a palavra propiciatório para falar de Cristo, que Deus apresentou como lugar de expiação pelo seu sangue (Rm 3,25). Os pães sempre diante do Senhor e a lâmpada que arde lembram ao católico o sacrário, onde Jesus está realmente presente na Eucaristia, com a lâmpada acesa ao lado. Veja o que é o Santíssimo Sacramento.
A tradição da Igreja também vê na Arca da Aliança uma figura de Maria, que trouxe em seu seio o próprio Deus feito homem. Por isso a Ladainha de Nossa Senhora a invoca como Arca da Aliança. O cuidado com a beleza do santuário ensina, ainda, que o culto a Deus merece o melhor da arte e da generosidade humana, oferecido de coração.
Reflexão para hoje
Deus não pede ao povo apenas obediência, pede ofertas de coração generoso. A construção do santuário depende do que cada um traz: uns o ouro, outros o pelo de cabra, outros o azeite. Na comunidade cristã também é assim. Há quem contribua com dinheiro, quem dê tempo na pastoral, quem leve flores para o altar, quem limpe a igreja. Tudo tem lugar no santuário de Deus.
A frase central, habitarei no meio deles, é uma promessa para a vida de cada família. Deus quer morar na nossa casa, nas nossas conversas, no nosso trabalho. Um pequeno oratório em casa, uma Bíblia aberta, o hábito de rezar juntos à mesa são maneiras de preparar esse santuário.
E diante do propiciatório, lugar do encontro e do perdão, lembramos que o coração do culto não é a perfeição de quem se aproxima, mas a misericórdia de Deus que perdoa.
Para rezar com Êxodo 25
- O que eu posso oferecer, de coração, para a casa de Deus e para a comunidade?
- Como estou preparando minha casa para que Deus habite nela?
- Quando foi a última vez que visitei Jesus no sacrário?
Sugestão de oração:
Senhor, que quiseste habitar no meio do teu povo, faz da minha vida um santuário para Ti. Aceita a oferta do meu coração, pequena ou grande. Que eu te encontre no sacrário, na tua Palavra e no perdão, e que a luz da tua presença nunca se apague em mim. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica.
Perguntas sobre Êxodo 25
O que havia dentro da Arca da Aliança?
O que era o propiciatório?
Por que Maria é chamada Arca da Aliança?
Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.