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Mateus

Mateus 12: o sábado e a blasfêmia contra o Espírito

Leia Mateus 12 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Mateus, idoso e de barba branca, recebe o Evangelho de um anjo que aponta o livro, pintura de Guercino
Guercino, São Mateus e o Anjo, 1622. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Mateus 12 narra o crescimento do conflito entre Jesus e os fariseus. Jesus defende os discípulos que colhem espigas no sábado, cura um homem com a mão atrofiada, é apresentado como o Servo manso de Isaías, responde à acusação de agir pelo poder de Belzebu, fala da blasfêmia contra o Espírito Santo, recusa dar sinais além do sinal de Jonas e declara que sua família é quem faz a vontade do Pai.

Contexto de Mateus 12

No fim do capítulo 11, Jesus convidou os cansados a tomar o seu jugo suave. Logo em seguida, Mateus mostra dois conflitos sobre o sábado, como se perguntasse: qual é o verdadeiro descanso? O sábado era o sinal mais visível da aliança de Israel com Deus, dia de descanso em memória da criação (Ex 20,8-11) e da libertação do Egito (Dt 5,12-15). Os mestres da época discutiam em detalhes o que era permitido ou proibido nesse dia. A partir deste capítulo, os fariseus decidem eliminar Jesus.

Explicação de Mateus 12

Versículos 1 a 8: as espigas colhidas no sábado

Os discípulos têm fome e colhem espigas ao atravessar um campo no sábado. Arrancar algumas espigas era permitido pela Lei (Dt 23,26); o problema, para os fariseus, era fazê-lo em dia de sábado, pois isso equivalia ao trabalho da colheita. Jesus responde com três argumentos. Davi, com fome, comeu os pães oferecidos a Deus no santuário, que só os sacerdotes podiam comer (1Sm 21,2-7). Os próprios sacerdotes trabalham no Templo no sábado, oferecendo sacrifícios, e não pecam. E aqui está alguém maior que o Templo. Jesus cita mais uma vez Oseias 6,6: misericórdia eu quero, não sacrifícios. E conclui: o Filho do Homem é Senhor do sábado.

Versículos 9 a 14: a mão atrofiada

Na sinagoga, há um homem com a mão atrofiada. Perguntam a Jesus se é permitido curar no sábado, para poder acusá-lo. Jesus lembra que qualquer um tira do buraco a ovelha que caiu no sábado, e um homem vale muito mais que uma ovelha. Portanto, é permitido fazer o bem no sábado. Ele manda o homem estender a mão, e ela fica sã. Os fariseus saem e fazem um plano para matá-lo. O contraste é forte: Jesus devolve a vida no sábado, e eles planejam a morte.

Versículos 15 a 21: o Servo manso

Jesus se retira, cura muitos e pede que não o divulguem. Mateus faz aqui sua citação mais longa do Antigo Testamento: o primeiro canto do Servo de Isaías 42,1-4. Deus apresenta o seu Servo amado, sobre quem põe o seu Espírito; ele não grita, não quebra o caniço rachado nem apaga a mecha que ainda fumega, e nele as nações porão a sua esperança. Jesus não é um Messias barulhento ou violento. Cuida do que é frágil, e a sua missão alcança também os pagãos.

Versículos 22 a 30: a acusação de Belzebu

Jesus cura um homem possuído, cego e mudo. O povo se pergunta se Ele não é o Filho de Davi. Os fariseus dizem que Ele expulsa demônios por Belzebu, chefe dos demônios. O nome vem de uma divindade pagã de Ecrom (2Rs 1,2) e passou a designar Satanás. Jesus mostra que a acusação é absurda: um reino dividido contra si mesmo não se sustenta. Se Ele expulsa demônios pelo Espírito de Deus, é sinal de que o Reino de Deus chegou. Para saquear a casa de um homem forte é preciso primeiro amarrá-lo; Jesus é o mais forte que vence Satanás. E não há neutralidade: quem não está com Ele está contra Ele.

Versículos 31 e 32: a blasfêmia contra o Espírito Santo

Jesus diz que todo pecado e blasfêmia serão perdoados, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Quem falar contra o Filho do Homem poderá ser perdoado, mas não quem falar contra o Espírito Santo. No contexto, a blasfêmia é atribuir ao demônio a obra evidente do Espírito de Deus, chamar o bem de mal para não ter de se converter. Não é um pecado isolado de palavra, mas o fechamento obstinado diante da graça.

Versículos 33 a 37: a árvore e as palavras

Volta a imagem da árvore e dos frutos, já usada em Mateus 7. A boca fala do que o coração está cheio. Jesus diz que daremos conta de toda palavra inútil no dia do juízo. As palavras revelam o coração e têm peso diante de Deus.

Versículos 38 a 42: o sinal de Jonas

Alguns escribas e fariseus pedem um sinal. Jesus recusa: a geração má e adúltera, isto é, infiel à aliança, só receberá o sinal de Jonas. Assim como Jonas ficou três dias e três noites no ventre do peixe (Jn 2,1), o Filho do Homem ficará no coração da terra: anúncio da morte e ressurreição. Os habitantes de Nínive, que se converteram com a pregação de Jonas, e a rainha do Sul, que veio de longe ouvir a sabedoria de Salomão (1Rs 10), condenarão essa geração, porque aqui está quem é maior que Jonas e que Salomão. A expressão três dias e três noites segue o modo semita de contar: partes de três dias, da sexta-feira ao domingo.

Versículos 43 a 45: o espírito impuro que volta

Um espírito impuro sai de um homem, vaga sem encontrar repouso e volta. Encontra a casa vazia, varrida e arrumada, e traz outros sete piores. A situação final fica pior que a primeira. Não basta tirar o mal; é preciso encher a casa com Deus. A libertação sem conversão positiva deixa um vazio perigoso.

Versículos 46 a 50: a verdadeira família de Jesus

A mãe e os irmãos de Jesus estão do lado de fora e querem falar com Ele. Jesus aponta para os discípulos: eis minha mãe e meus irmãos, porque quem faz a vontade do meu Pai que está nos céus é meu irmão, minha irmã e minha mãe. Jesus não despreza Maria. Ao contrário, ela é a primeira a fazer plenamente a vontade do Pai. Quanto aos irmãos, na linguagem bíblica a palavra indica também parentes próximos, como primos. A Igreja professa a virgindade perpétua de Maria e ensina que esses irmãos não são outros filhos dela (CIC n. 500); o tema volta em Mateus 13.

O que Mateus 12 ensina para a fé católica?

O Catecismo cita Mateus 12,31 e explica que a misericórdia de Deus não tem limites, mas quem se recusa deliberadamente a acolhê-la pelo arrependimento rejeita o perdão de seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo (CIC n. 1864). Por isso, quem tem medo de ter cometido esse pecado mostra justamente que não o cometeu: o arrependimento já é obra do Espírito. Não existe pecado que Deus não queira perdoar a quem se arrepende, e a Confissão está sempre aberta.

Sobre o sábado, a Igreja ensina que o domingo, dia da ressurreição, cumpre o sentido do sábado para os cristãos, como dia de culto, descanso e caridade. Jesus mostra que o descanso de Deus nunca proíbe o bem. O sinal de Jonas é uma das primeiras referências à ressurreição no Evangelho. E a resposta sobre a verdadeira família ajuda a entender Maria como modelo de discípula; veja Maria na Bíblia.

Reflexão para hoje

Os fariseus tinham diante de si um homem curado e só conseguiam ver uma regra quebrada. É possível cair na mesma armadilha: preocupar-se tanto com detalhes que se perde de vista o essencial, que é o amor a Deus e ao próximo. As regras da Igreja são boas e nos protegem, mas sempre a serviço da vida e da caridade.

A imagem do caniço rachado e da mecha que fumega consola quem se sente fraco. Talvez sua fé esteja quase apagada, sua vida rachada por uma separação, uma doença, um vício. Jesus não quebra o que está frágil. Ele sopra devagar sobre a mecha para reacender a chama.

E a casa vazia, varrida e arrumada, é um aviso para quem deixa um pecado ou um vício. Não basta parar; é preciso preencher a vida com oração, sacramentos, boas amizades e serviço. O vazio espiritual atrai de novo o que foi expulso.

Para rezar com Mateus 12

  • Coloco as regras acima das pessoas em alguma situação da minha vida?
  • Que parte frágil de mim eu preciso confiar ao Servo que não quebra o caniço rachado?
  • Com o que estou preenchendo a casa da minha alma depois de abandonar um pecado?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, Senhor do sábado e Servo manso do Pai, não quebres o caniço rachado da minha vida nem apagues a minha fé que ainda fumega. Abre meu coração ao Teu Espírito, para que eu nunca chame o bem de mal. Faze-me da Tua família, cumprindo a vontade do Pai como Maria. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 1864, e n. 500.

Perguntas sobre Mateus 12

O que é a blasfêmia contra o Espírito Santo?

É recusar de forma deliberada e obstinada a misericórdia de Deus, atribuindo ao mal a obra do Espírito. O Catecismo explica que não é perdoada porque a pessoa rejeita o próprio arrependimento; quem se arrepende sempre encontra perdão.

O que é o sinal de Jonas?

Jesus compara os três dias de Jonas no ventre do peixe ao tempo em que Ele ficaria no sepulcro antes de ressuscitar. É um anúncio de sua morte e ressurreição.

Jesus desprezou sua mãe em Mateus 12,46-50?

Não. Jesus ensina que sua família é formada por quem faz a vontade do Pai, e Maria é a primeira a viver isso plenamente. Ela é mãe de Jesus pela carne e também pela fé. Os irmãos citados na cena são parentes próximos, não outros filhos de Maria, que a Igreja professa sempre virgem.

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