Tempo Comum, 30ª semana Liturgia de hoje
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Mateus

Mateus 11: vinde a mim, vós que estais cansados

Leia Mateus 11 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Mateus, idoso e de barba branca, recebe o Evangelho de um anjo que aponta o livro, pintura de Guercino
Guercino, São Mateus e o Anjo, 1622. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Mateus 11 começa com João Batista, preso, mandando perguntar se Jesus é mesmo o Messias. Jesus responde apontando suas obras e faz o maior elogio a João. Depois lamenta a geração que não se converte e as cidades que viram seus milagres sem mudar de vida. O capítulo termina com uma oração de louvor ao Pai e o convite: vinde a mim, vós que estais cansados.

Contexto de Mateus 11

Depois do discurso missionário do capítulo 10, começa uma nova seção do Evangelho, marcada pela pergunta sobre quem é Jesus e pelas reações diferentes diante dele. Alguns duvidam, outros rejeitam, os pequenos acolhem. João Batista está na prisão desde Mateus 4,12, preso por Herodes Antipas, governante da Galileia. Sua morte será contada no capítulo 14.

Explicação de Mateus 11

Versículos 1 a 6: és tu aquele que há de vir?

Na prisão, João ouve falar das obras de Cristo e manda seus discípulos perguntarem: és tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro? A pergunta surpreende, porque João tinha apontado Jesus no batismo. Muitos explicam que João esperava um Messias que viesse com o machado do juízo (Mt 3,10) e encontrou um Messias manso, que cura e perdoa. Há também quem leia a pergunta como uma forma de João encaminhar seus discípulos a Jesus.

Jesus não responde com um sim direto. Manda contar o que estão vendo e ouvindo: cegos veem, coxos andam, leprosos são purificados, surdos ouvem, mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. São sinais anunciados por Isaías para o tempo da salvação (Is 35,5-6; 61,1). E acrescenta: feliz aquele que não se escandalizar por causa de mim. O escândalo é tropeçar num Messias diferente do esperado.

Versículos 7 a 15: o elogio de João Batista

Quando os mensageiros partem, Jesus fala de João às multidões. O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento, alguém que muda de opinião conforme a pressão? Um homem vestido com roupas finas, que vivem nos palácios? Não: um profeta, e mais que profeta. João é o mensageiro anunciado por Malaquias 3,1, que prepara o caminho. Entre os nascidos de mulher, não surgiu ninguém maior que ele. Mas o menor no Reino dos Céus é maior que João. Jesus não diminui João; mostra a grandeza do tempo novo que começa com o Reino.

O versículo 12, que fala que o Reino sofre violência e os violentos se apoderam dele, é de interpretação difícil, e os estudiosos discutem seu sentido. Alguns entendem que o Reino é atacado por seus opositores, como João preso; outros, que é conquistado pelo esforço decidido de quem quer entrar nele. A Igreja não fixou um sentido único, e as duas leituras são encontradas na tradição. Por fim, Jesus identifica João com Elias que devia vir, conforme Malaquias 3,23.

Versículos 16 a 19: as crianças na praça

Jesus compara sua geração a crianças sentadas na praça que reclamam umas das outras: tocamos flauta e não dançastes, cantamos lamentações e não chorastes. Nada agrada. João veio jejuando, e disseram que tinha um demônio. Jesus veio comendo e bebendo, e o chamaram de comilão e beberrão, amigo de cobradores de impostos e pecadores. Quem não quer se converter sempre encontra uma desculpa. Mas a sabedoria se mostra pelas suas obras.

Versículos 20 a 24: as cidades que não se converteram

Jesus repreende as cidades onde fez a maior parte de seus milagres: Corazim, Betsaida e Cafarnaum, todas perto do lago da Galileia. Se os milagres tivessem sido feitos em Tiro e Sidônia, cidades pagãs, elas teriam se convertido; e Sodoma ainda existiria. O ai que Jesus pronuncia é um lamento profético, não uma praga. Quanto mais se recebe, maior a responsabilidade.

Versículos 25 a 27: o louvor ao Pai

Nesse ambiente de rejeição, Jesus reza com alegria: eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Os sábios aqui são os que se consideram autossuficientes, os pequeninos são os simples, abertos a receber. Em seguida, Jesus revela sua relação única com o Pai: ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. É uma das afirmações mais altas da divindade de Jesus nos evangelhos sinóticos, muito próxima do Evangelho de João.

Versículos 28 a 30: vinde a mim

O capítulo termina com um convite: “Vinde a mim, todos vós que estais cansados e fatigados, e eu vos darei descanso” (Mt 11,28). O jugo era a peça de madeira que unia dois bois para o trabalho. Na linguagem judaica, falava-se do jugo da Lei, e no livro do Eclesiástico a própria sabedoria convida a colocar o pescoço sob o seu jugo. Jesus oferece o seu jugo, que é suave, e o seu fardo, que é leve. Ele não promete uma vida sem esforço, mas um modo novo de carregar a vida: unidos a Ele, que é manso e humilde de coração.

O que Mateus 11 ensina para a fé católica?

O Catecismo destaca a oração de Jesus em Mateus 11,25-27 como uma das duas orações mais explícitas de Cristo durante o seu ministério, ambas começando pela ação de graças (CIC n. 2603). E ensina que o Reino é dos pobres e pequenos, isto é, dos que o acolheram com um coração humilde (CIC n. 544). A revelação de Deus não depende de inteligência ou cultura, mas de abertura do coração.

A afirmação de que só o Filho conhece o Pai e o revela é base da fé na Trindade e no papel único de Cristo como revelador do Pai. O convite vinde a mim e a expressão manso e humilde de coração estão na raiz da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, com a conhecida invocação: Jesus, manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso. A figura de João é aprofundada em São João Batista, o precursor.

Reflexão para hoje

A pergunta de João na prisão é a pergunta de muitos cristãos em tempos difíceis: és tu mesmo, Senhor? Duvidar no meio do sofrimento não é falta de fé; João continuou buscando a resposta junto de Jesus. A resposta de Jesus também serve para nós: olhe para as obras de Deus, na sua vida e na vida dos outros. Elas costumam ser discretas, mas são reais.

As crianças na praça que não gostam de nada nos fazem pensar. Às vezes reclamamos de um padre por ser rígido, de outro por ser liberal, de uma missa por ser longa, de outra por ser curta. Pode ser só uma forma de não deixar Deus nos alcançar.

Muita gente vive cansada: rotina dupla de trabalho, contas, cuidado de doentes, peso emocional. O convite de Jesus é para essas pessoas. Ele não tira de uma vez todos os pesos, mas oferece descanso para a alma e caminha junto. Ir a Ele pode ser concreto: uma visita ao Santíssimo, alguns minutos de silêncio, uma confissão bem feita.

Para rezar com Mateus 11

  • Em que momentos eu também pergunto a Jesus se Ele é mesmo quem diz ser?
  • Uso desculpas para não me converter, como as crianças na praça?
  • Que cansaço eu preciso entregar hoje a Jesus, manso e humilde de coração?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, manso e humilde de coração, venho a Ti com o meu cansaço. Dá-me o descanso que só Tu podes dar e ensina-me a carregar o Teu jugo suave. Faze-me pequeno diante do Pai, para que Ele me revele os mistérios do Reino. Quando a dúvida chegar, que eu continue a Te buscar. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 544 e 2603.

Perguntas sobre Mateus 11

Por que João Batista perguntou se Jesus era o Messias?

João, preso, talvez esperasse um Messias de juízo mais imediato e estranhou o estilo manso de Jesus. Outros veem na pergunta um modo de encaminhar os próprios discípulos a Jesus. Jesus responde apontando as obras que Isaías anunciava para o tempo da salvação.

O que significa o jugo suave de Jesus?

O jugo era a peça que unia os bois para o trabalho e simbolizava a submissão a uma lei ou a um mestre. Jesus convida a seguir o seu caminho, que não é peso sem sentido, mas vida unida a Ele, manso e humilde de coração.

Por que Jesus diz que o menor no Reino é maior que João Batista?

Jesus não diminui João, que chama de o maior entre os nascidos de mulher. Ele mostra a grandeza do tempo novo do Reino, inaugurado por Ele, do qual João foi o precursor.

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