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Êxodo

Êxodo 30: altar do incenso, óleo da unção e bacia

Leia Êxodo 30 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

Moisés ergue as tábuas da Lei com os Dez Mandamentos
Rembrandt, Moisés com as tábuas da Lei, 1659. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Êxodo 30 completa as instruções para o santuário com cinco elementos: o altar do incenso, o tributo do resgate pago no recenseamento, a bacia de bronze para as abluções, o óleo santo da unção e o incenso sagrado. São detalhes de culto, mas cada um exprime algo sobre a relação com Deus: oração, igualdade diante dele, pureza e consagração.

Contexto de Êxodo 30

Moisés continua no monte Sinai recebendo as instruções sobre a construção da Tenda do Encontro, iniciadas no capítulo 25. Depois do rito de consagração dos sacerdotes (Êxodo 29), o texto volta a objetos e práticas do culto que ainda não tinham sido descritos. Tudo será executado mais adiante, nos capítulos 35 a 40.

Explicação de Êxodo 30

Versículos 1 a 10: o altar do incenso

Deus manda fazer um pequeno altar de madeira de acácia, quadrado, com chifres nos cantos, revestido de ouro puro e com argolas para ser transportado. Ele fica diante do véu que separa o Santo dos Santos, perto da arca. Ali Aarão deve queimar incenso aromático toda manhã, quando prepara as lâmpadas, e ao entardecer, quando as acende. É o incenso perpétuo diante do Senhor.

Sobre esse altar não se oferece outro tipo de sacrifício. Uma vez por ano, porém, Aarão faz sobre os seus chifres o rito de expiação com o sangue do sacrifício pelo pecado, o que será descrito em Levítico 16. O incenso que sobe é imagem da oração. O salmista pede que a sua prece suba como incenso diante de Deus (Sl 141,2), e foi durante a hora do incenso no Templo que Zacarias recebeu o anúncio do nascimento de João Batista (Lc 1,8-11). No Apocalipse, o incenso se une às orações dos santos (Ap 8,3-4).

Versículos 11 a 16: o tributo do resgate

Quando se fizer o recenseamento de Israel, cada homem contado, de vinte anos para cima, deve pagar meio siclo como resgate da sua vida. O rico não dará mais e o pobre não dará menos. Esse dinheiro será usado para o serviço da Tenda do Encontro.

No mundo antigo, contar pessoas podia ser visto como um ato de posse e poder. O tributo lembra que a vida de cada israelita pertence a Deus, que a resgatou do Egito. O valor igual para todos ensina que, diante de Deus, ninguém vale mais pelo que tem. No tempo de Jesus, o imposto do Templo ainda era recolhido, e o Evangelho mostra Jesus pagando-o (Mt 17,24-27).

Versículos 17 a 21: a bacia de bronze

Entre a tenda e o altar dos holocaustos fica uma bacia de bronze com água. Aarão e seus filhos devem lavar ali as mãos e os pés antes de entrar na tenda ou de se aproximar do altar, para que não morram. A ameaça de morte mostra a seriedade do culto: não se trata a santidade de Deus com descuido. O gesto tem eco no lavabo da Missa, quando o sacerdote lava as mãos pedindo a Deus que o purifique.

Versículos 22 a 33: o óleo santo da unção

Deus dá a receita de um óleo especial: mirra, canela aromática, cálamo e cássia, misturados com azeite de oliva. Com ele serão ungidos a tenda, a arca, a mesa, o candelabro, os altares e a bacia, que se tornarão santíssimos. Também Aarão e seus filhos serão ungidos para o sacerdócio.

Esse óleo não pode ser usado no corpo de pessoas comuns nem copiado para uso profano. Quem fizesse isso seria cortado do povo. O perfume exclusivo marca o que pertence a Deus e só a Ele. A palavra hebraica para ungido é mashiah, de onde vem Messias, e em grego se diz Christos. Jesus é o Ungido por excelência.

Versículos 34 a 38: o incenso sagrado

Por fim, a receita do incenso: resinas e aromas como estoraque, unha aromática e gálbano, com incenso puro, em partes iguais, temperado com sal. Uma parte é moída e colocada diante da arca. Também ele é santíssimo e não pode ser reproduzido para perfumar casas ou pessoas. O que se oferece a Deus não se confunde com o uso comum.

O que Êxodo 30 ensina para a fé católica?

O Catecismo ensina que o simbolismo da unção com óleo é tão significativo do Espírito Santo que chega a ser seu sinônimo (CIC 695). O óleo santo do Êxodo prepara o sentido do santo crisma, consagrado pelo bispo na Missa do Crisma e usado no Batismo, na Crisma e na Ordem, e também na dedicação de igrejas e altares. Como no Êxodo, o óleo marca o que pertence a Deus.

O incenso na Missa continua essa linguagem: honra o altar, o Evangelho, as ofertas e o povo, e expressa a oração que sobe. A bacia lembra que a pureza exterior é sinal da pureza do coração que Deus pede. E o tributo igual para todos recorda que a salvação é dom, não compra: Pedro dirá que fomos resgatados não com prata ou ouro, mas com o sangue precioso de Cristo (1Pd 1,18-19).

Reflexão para hoje

O incenso queimado de manhã e à tarde fala da oração constante. Não é preciso muito: um momento fiel, todos os dias, faz da nossa vida um perfume diante de Deus. Quando a oração parece seca, vale lembrar que o incenso também não faz barulho. Ele simplesmente sobe.

O meio siclo igual para rico e pobre é um alerta para as nossas comunidades. Na igreja, ninguém deve ser tratado com privilégio por causa do dinheiro ou da posição. Todos somos resgatados pelo mesmo preço.

E a proibição de usar o óleo e o incenso para fins comuns ensina o respeito pelo sagrado. Igrejas, objetos litúrgicos e sacramentos não são decoração. Tratá-los com reverência educa o coração para reconhecer a presença de Deus.

Para rezar com Êxodo 30

  • Minha oração diária sobe a Deus com constância, mesmo quando não sinto nada?
  • Trato alguém na comunidade de modo diferente por causa do que ele tem?
  • Respeito as coisas sagradas como sinais da presença de Deus?

Sugestão de oração:

Senhor, que a minha oração suba diante de ti como incenso, de manhã e à noite. Purifica as minhas mãos e o meu coração, e unge-me com o teu Espírito para que eu pertença inteiramente a ti, que me resgataste pelo sangue de teu Filho. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 695.

Perguntas sobre Êxodo 30

O que significa o altar do incenso em Êxodo 30?

Era um pequeno altar de ouro diante do véu do Santo dos Santos, onde se queimava incenso de manhã e à tarde. O incenso que sobe é imagem da oração que chega a Deus, como diz o Salmo 141.

Por que o óleo da unção não podia ser usado por qualquer pessoa?

Porque era reservado a Deus: servia para consagrar o santuário e os sacerdotes. A exclusividade mostrava que o que é ungido pertence a Deus. Na Igreja, o santo crisma tem esse sentido.

Por que rico e pobre pagavam o mesmo valor no recenseamento?

O meio siclo era um resgate pela vida de cada um, e diante de Deus todas as vidas têm o mesmo valor. Ninguém podia comprar uma posição melhor diante dele.

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