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Atos dos Apóstolos

Atos dos Apóstolos 13: a primeira viagem missionária

Leia Atos dos Apóstolos 13 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

Pentecostes: o Espírito Santo desce sobre Maria e os apóstolos reunidos no Cenáculo
Anthony van Dyck, Pentecostes, c. 1618–1620. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Atos dos Apóstolos 13 abre a segunda grande parte do livro: a missão de Paulo. Em Antioquia, durante a liturgia e o jejum, o Espírito Santo manda separar Barnabé e Saulo para uma obra especial. Eles partem para Chipre, onde convertem o procônsul Sérgio Paulo, e depois chegam a Antioquia da Pisídia. Ali Paulo faz um longo discurso na sinagoga e, diante da recusa de muitos, anuncia que o Evangelho será levado aos pagãos.

Contexto de Atos dos Apóstolos 13

Até aqui o protagonista principal era Pedro, e o centro era Jerusalém. A partir deste capítulo, o centro passa a ser Antioquia da Síria, e o protagonista, Paulo. Os capítulos 13 e 14 narram o que se costuma chamar de primeira viagem missionária, com Barnabé, pela ilha de Chipre e pela região da atual Turquia central. É aqui que Lucas começa a usar o nome Paulo, nome romano de Saulo.

Não confunda as duas Antioquias: Antioquia da Síria, de onde partem os missionários (Atos 11), e Antioquia da Pisídia, cidade no interior da Ásia Menor, onde se passa a maior parte do capítulo.

Explicação de Atos dos Apóstolos 13

Versículos 1 a 3: o envio pelo Espírito Santo

Na Igreja de Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que tinha sido criado com o tetrarca Herodes, e Saulo. A lista mostra uma comunidade variada, com pessoas de origens e classes sociais diferentes.

Enquanto celebravam o culto do Senhor e jejuavam, o Espírito Santo disse: separai para mim Barnabé e Saulo para a obra à qual os chamei. O verbo grego usado para celebrar o culto é da mesma família da palavra liturgia. Então, depois de jejuar e rezar, impuseram-lhes as mãos e os despediram. A missão nasce da oração da comunidade, é decidida pelo Espírito e é confirmada por um gesto da Igreja.

Versículos 4 a 12: Chipre e o procônsul Sérgio Paulo

Enviados pelo Espírito, descem a Selêucia, o porto de Antioquia, e navegam até Chipre, terra natal de Barnabé (At 4,36). Em Salamina anunciam a Palavra nas sinagogas, com a ajuda de João Marcos. Atravessam a ilha até Pafos, onde encontram um mago, falso profeta judeu chamado Bar-Jesus, que vivia junto do procônsul Sérgio Paulo, homem sensato. O procônsul quer ouvir a Palavra, mas o mago, também chamado Elimas, tenta afastá-lo da fé.

Então Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, fixa nele o olhar e o repreende duramente, chamando-o de filho do diabo e inimigo de toda justiça. Anuncia que ele ficará cego por um tempo. Imediatamente o mago fica às escuras e procura quem o guie pela mão. Quem viveu a cegueira em Damasco agora a anuncia, de modo temporário, a quem quer impedir a fé. O procônsul, vendo o que aconteceu, acredita, impressionado com a doutrina do Senhor.

Versículos 13 a 15: a chegada a Antioquia da Pisídia

Paulo e os companheiros partem de Pafos e chegam a Perge, na Panfília. Ali João Marcos os deixa e volta a Jerusalém. Lucas não explica o motivo, mas essa saída causará mais tarde um desentendimento entre Paulo e Barnabé (At 15,37-39). De Perge seguem para Antioquia da Pisídia. No sábado entram na sinagoga. Depois da leitura da Lei e dos Profetas, como era o costume, os chefes da sinagoga os convidam a dizer uma palavra de exortação ao povo.

Versículos 16 a 25: de Israel a João Batista

Paulo se levanta, faz sinal com a mão e se dirige aos israelitas e aos tementes a Deus. Começa recordando a história: Deus escolheu os pais, fez o povo crescer no Egito e o tirou de lá com braço forte. Suportou-o no deserto por cerca de quarenta anos, destruiu sete nações em Canaã e lhes deu a terra como herança, por cerca de quatrocentos e cinquenta anos. Depois deu-lhes juízes até o profeta Samuel.

O povo pediu um rei, e Deus lhes deu Saul, filho de Cis, da tribo de Benjamim. Paulo, que também era da tribo de Benjamim e tinha o mesmo nome, menciona o primeiro rei de Israel. Depois Deus suscitou Davi, de quem disse ter encontrado um homem segundo o seu coração. Da descendência de Davi, conforme a promessa, Deus fez surgir para Israel um Salvador, Jesus. Antes da sua vinda, João pregou um batismo de conversão a todo o povo e disse que não era digno de desatar as sandálias de quem vinha depois dele.

Versículos 26 a 37: a morte e a ressurreição de Jesus

Paulo chama os ouvintes de irmãos, filhos de Abraão e tementes a Deus, e diz que a eles foi enviada esta palavra de salvação. Os habitantes de Jerusalém e os seus chefes não reconheceram Jesus, e ao condená-lo cumpriram as palavras dos profetas lidas todos os sábados. Sem encontrar nele motivo de morte, pediram a Pilatos que o matasse. Depois de cumprirem tudo o que estava escrito, tiraram-no do madeiro e o colocaram num túmulo. Mas Deus o ressuscitou dos mortos, e durante muitos dias ele apareceu aos que tinham subido com ele da Galileia a Jerusalém.

Paulo mostra o cumprimento das promessas com três textos. O Salmo 2: tu és meu filho, eu hoje te gerei (Sl 2,7), aplicado à ressurreição. Isaías, que fala das graças prometidas a Davi (Is 55,3). E o Salmo 16, que diz que Deus não deixará o seu santo ver a corrupção (Sl 16,10). O argumento é o mesmo de Pedro em Pentecostes (At 2,29-31): Davi morreu e viu a corrupção, mas aquele que Deus ressuscitou não a viu.

Versículos 38 a 41: perdão e justificação

Por meio de Jesus é anunciado o perdão dos pecados. Todo aquele que crê é justificado de tudo aquilo de que a Lei de Moisés não podia justificar. Aparece aqui, num discurso, um tema que Paulo desenvolverá nas cartas aos Gálatas e aos Romanos. Paulo termina com uma advertência do profeta Habacuc, para que os ouvintes não desprezem a obra que Deus realiza no seu tempo (Hab 1,5).

Versículos 42 e 43: o interesse dos ouvintes

Na saída, pedem que eles voltem a falar sobre esse assunto no sábado seguinte. Muitos judeus e prosélitos piedosos seguem Paulo e Barnabé, que conversam com eles e os exortam a perseverar na graça de Deus.

Versículos 44 a 47: a luz das nações

No sábado seguinte, quase toda a cidade se reúne para ouvir a Palavra do Senhor. Vendo a multidão, alguns judeus ficam cheios de inveja e contradizem Paulo com insultos. Paulo e Barnabé respondem com coragem: era necessário anunciar primeiro a vocês a Palavra de Deus; mas, já que a rejeitam e não se julgam dignos da vida eterna, nós nos voltamos para os pagãos. E citam o profeta Isaías, aplicando à missão a palavra do Servo do Senhor: eu te coloquei como luz das nações, para que leves a salvação até os confins da terra (Is 49,6). É um eco do mandato de Jesus em At 1,8.

Versículos 48 a 52: alegria e perseguição

Ouvindo isso, os pagãos se alegram e glorificam a Palavra do Senhor, e todos os que estavam destinados à vida eterna abraçam a fé. A Palavra se espalha por toda a região. Mas os adversários incitam mulheres piedosas da alta sociedade e os homens importantes da cidade, provocam uma perseguição contra Paulo e Barnabé e os expulsam do território. Eles sacodem o pó dos pés contra eles, gesto que Jesus tinha indicado aos discípulos (Lc 9,5), e partem para Icônio. Os discípulos ficam cheios de alegria e do Espírito Santo.

Os termos judeus e pagãos, aqui, descrevem a situação concreta daquela cidade. Paulo continuará indo primeiro às sinagogas em todas as cidades, e jamais deixará de amar o seu povo (Rm 9,1-5).

O que Atos dos Apóstolos 13 ensina para a fé católica?

O envio de Barnabé e Saulo mostra que a missão é obra do Espírito Santo, mas passa pela Igreja: a comunidade reza, jejua e impõe as mãos. O Catecismo cita este envio entre os exemplos da oração da comunidade apostólica que acompanha a missão (CIC n. 2632). A imposição das mãos ao enviar os missionários lembra o gesto que a Igreja usa nas ordenações, embora o texto não descreva aqui uma ordenação no sentido posterior.

O discurso de Paulo mostra como a Igreja lê o Antigo Testamento: toda a história de Israel prepara Cristo, e a ressurreição é o cumprimento das promessas. A alegria dos pagãos que glorificam a Palavra é lembrada pelo Catecismo ao falar da oração de louvor (CIC n. 2640). A Igreja também ensina que a rejeição de parte do povo naquela época não autoriza qualquer desprezo pelos judeus, que continuam amados por Deus por causa dos patriarcas, como recorda a declaração Nostra Aetate. Os versículos 14 e 43 a 52 são lidos no 4º Domingo da Páscoa do Ano C.

Reflexão para hoje

A grande missão de Paulo começou numa celebração com jejum. Antes de grandes decisões, a Igreja de Antioquia rezou. Na nossa vida, as escolhas mais importantes, como vocação, casamento, trabalho e mudanças, merecem o mesmo cuidado: tempo de oração, silêncio e escuta do que Deus pede.

João Marcos desistiu no meio do caminho. Lucas não o condena, e mais tarde ele será útil a Paulo (2Tm 4,11). Todos temos momentos de desistência. Deus não descarta ninguém por um fracasso; ele dá novas chances.

E os discípulos de Antioquia da Pisídia, mesmo depois da expulsão dos missionários, ficaram cheios de alegria. A alegria cristã não depende de tudo dar certo. Ela vem da certeza de ter encontrado a Palavra da vida.

Para rezar com Atos dos Apóstolos 13

  • Antes das minhas decisões importantes, reservo tempo para rezar e, se possível, jejuar?
  • Já desisti de algo que Deus me pediu? Estou aberto a recomeçar?
  • Como posso ser luz para quem está perto de mim e ainda não conhece Jesus?

Sugestão de oração:

Espírito Santo, que separaste Barnabé e Saulo para a missão, mostra-me a obra para a qual me chamas. Que eu saiba rezar antes de decidir e seguir com coragem. Faz de mim uma pequena luz para os que estão ao meu redor, e enche-me da alegria dos discípulos. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2632 e 2640; Concílio Vaticano II, declaração Nostra Aetate.

Perguntas sobre Atos dos Apóstolos 13

Quando começou a primeira viagem missionária de Paulo?

Começou em Atos 13, quando o Espírito Santo pediu à Igreja de Antioquia que separasse Barnabé e Saulo para a missão. Depois de jejum, oração e imposição das mãos, eles partiram para Chipre e a Ásia Menor.

Por que Saulo passa a ser chamado Paulo?

Saulo era seu nome judaico e Paulo, seu nome romano. Lucas começa a usar o nome Paulo em Atos 13,9, justamente quando a missão se volta mais para o mundo greco-romano.

O que significa luz das nações em Atos 13?

É uma palavra do profeta Isaías sobre o Servo do Senhor, que Paulo e Barnabé aplicam à missão. Significa que a salvação de Deus em Cristo deve chegar a todos os povos, até os confins da terra.

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