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Atos dos Apóstolos

Atos dos Apóstolos 12: Pedro libertado da prisão

Leia Atos dos Apóstolos 12 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

Pentecostes: o Espírito Santo desce sobre Maria e os apóstolos reunidos no Cenáculo
Anthony van Dyck, Pentecostes, c. 1618–1620. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Atos dos Apóstolos 12 narra uma nova perseguição em Jerusalém, agora por ordem do rei Herodes. Tiago, irmão de João, é morto pela espada, e Pedro é preso. Enquanto a Igreja reza sem cessar por ele, um anjo o liberta da prisão durante a noite. O capítulo termina com a morte de Herodes e com a constatação de que a Palavra de Deus continuava a crescer.

Contexto de Atos dos Apóstolos 12

O Herodes deste capítulo é Herodes Agripa I, neto de Herodes, o Grande, que governou a Judeia por poucos anos, até sua morte por volta do ano 44. Ele não é o Herodes Antipas que aparece na paixão de Jesus. Agripa procurava agradar às autoridades judaicas de Jerusalém. Este capítulo é o último em que Pedro ocupa o centro da narrativa; a partir do capítulo 13, o protagonista passa a ser Paulo. Pedro só voltará a aparecer no Concílio de Jerusalém (At 15).

Explicação de Atos dos Apóstolos 12

Versículos 1 e 2: o martírio de Tiago

O rei Herodes começa a maltratar alguns membros da Igreja e manda matar à espada Tiago, irmão de João. É Tiago, filho de Zebedeu, um dos três mais próximos de Jesus, com Pedro e João. Lucas narra a sua morte em uma única frase. Tiago é o primeiro dos Doze a morrer mártir. Jesus tinha perguntado aos dois irmãos se podiam beber o seu cálice, e eles disseram que sim (Mc 10,38-39). Veja São Tiago Maior.

Versículos 3 a 5: Pedro na prisão e a Igreja em oração

Vendo que isso agradava aos judeus, Herodes manda prender também Pedro. Era o tempo dos Pães sem Fermento, a semana da Páscoa, o mesmo período em que Jesus foi preso. Herodes coloca Pedro na prisão sob a guarda de quatro grupos de quatro soldados, que se revezavam, pois pretendia apresentá-lo ao povo depois da Páscoa, provavelmente para um julgamento público.

Então vem o versículo que é o coração do capítulo: "Pedro era mantido na prisão, mas a Igreja orava continuamente a Deus por ele" (At 12,5). De um lado, o poder do rei, os soldados e as correntes. Do outro, a oração da comunidade. Lucas deixa claro qual dos dois tem a última palavra.

Versículos 6 a 11: o anjo liberta Pedro

Na noite anterior ao julgamento, Pedro dorme entre dois soldados, preso com duas correntes, enquanto sentinelas guardam a porta. A tranquilidade de quem dorme na véspera da possível morte mostra a sua confiança em Deus. De repente aparece um anjo do Senhor, e uma luz brilha na cela. O anjo toca Pedro no lado, o acorda e diz que se levante depressa. As correntes caem das suas mãos.

O anjo manda que ele se cinja, calce as sandálias, vista o manto e o siga. Pedro obedece, mas pensa que está tendo uma visão. Passam a primeira e a segunda guarda e chegam ao portão de ferro que dá para a cidade, que se abre sozinho. Andam por uma rua, e de repente o anjo o deixa. Só então Pedro cai em si e reconhece que o Senhor enviou o seu anjo para livrá-lo da mão de Herodes e de tudo o que o povo esperava.

Muitos leitores notam os ecos da Páscoa: era noite de festa pascal, havia ordem de levantar-se depressa, cinto e sandálias, como na saída do Egito (Ex 12,11). É uma libertação pascal, figura da ressurreição.

Versículos 12 a 17: Rode e a casa de Maria

Pedro vai à casa de Maria, mãe de João, chamado Marcos, onde muitos estavam reunidos rezando. A Igreja de Jerusalém se reunia em casas, e essa era uma delas. Pedro bate à porta, e uma criada chamada Rode vem atender. Ela reconhece a voz de Pedro e, de tanta alegria, em vez de abrir, corre para dentro avisando que Pedro está à porta.

Os que rezavam respondem que ela está louca. Como ela insiste, dizem que deve ser o anjo dele. Há um toque de humor no relato: a comunidade rezava pela libertação de Pedro, mas não acreditou quando a oração foi atendida. Pedro continua batendo. Quando finalmente abrem, ficam espantados. Ele faz sinal com a mão para que se calem, conta como o Senhor o tirou da prisão e pede que avisem Tiago e os irmãos. Esse Tiago é outro, chamado por Paulo de irmão do Senhor, isto é, parente de Jesus, que se torna uma das principais lideranças da Igreja de Jerusalém (At 15,13; Gl 1,19). Pedro sai e vai para outro lugar, que Lucas não informa.

Versículos 18 e 19: a reação de Herodes

De manhã, há grande agitação entre os soldados: o que teria acontecido com Pedro? Herodes manda procurá-lo e, não o encontrando, interroga os guardas e manda que sejam levados, o que geralmente se entende como execução, castigo comum para guardas que deixavam fugir um preso. Depois desce da Judeia para Cesareia e fica lá.

Versículos 20 a 23: a morte de Herodes

Herodes estava irritado com os habitantes de Tiro e Sidônia, cidades do litoral que dependiam do território do rei para o seu abastecimento de alimentos. Eles conquistam o apoio de Blasto, camareiro do rei, e pedem a paz. No dia marcado, Herodes, vestido com trajes reais, sentado no trono, faz um discurso. O povo grita que é voz de um deus e não de um homem. No mesmo instante um anjo do Senhor o fere, porque não deu glória a Deus, e ele morre roído de vermes.

O historiador judeu Flávio Josefo também narra a morte de Agripa em Cesareia: durante festas em honra do imperador, ele foi aclamado como um deus, não recusou a aclamação, foi tomado por fortes dores no ventre e morreu poucos dias depois. Os dois relatos coincidem no essencial. Para Lucas, o contraste é claro: o rei que perseguiu a Igreja e aceitou ser adorado cai, enquanto Pedro, que recusou a adoração de Cornélio (At 10,26), é libertado.

Versículos 24 e 25: a Palavra cresce

Lucas conclui: a Palavra de Deus crescia e se multiplicava. O perseguidor morre, a Palavra continua. Barnabé e Saulo, terminado o seu serviço, voltam levando consigo João, chamado Marcos. Os manuscritos variam sobre se voltaram de Jerusalém ou para Jerusalém, mas o sentido geral é que concluíram a entrega da coleta mencionada em At 11,30 e retornaram a Antioquia, preparando o capítulo seguinte.

O que Atos dos Apóstolos 12 ensina para a fé católica?

O capítulo mostra a força da oração de intercessão da Igreja. O Catecismo cita o versículo 5 entre os exemplos da intercessão das primeiras comunidades (CIC n. 2636). Rezar uns pelos outros, especialmente pelos que sofrem e pelos pastores, é parte essencial da vida cristã. Na Missa, a oração dos fiéis continua essa prática.

A Igreja reza de modo especial pelo sucessor de Pedro, o Papa, e por todos os que sofrem perseguição por causa da fé. A libertação de Pedro mostra que Deus cuida daquele a quem confiou a missão de confirmar os irmãos (Lc 22,32). Os versículos 1 a 11 são a primeira leitura da Missa do dia na solenidade de São Pedro e São Paulo, em 29 de junho. Veja São Pedro, o primeiro Papa.

A morte de Herodes, narrada com a linguagem da época, ensina que a glória pertence só a Deus. Lucas não pretende explicar todo sofrimento como castigo, mas mostrar que quem se põe no lugar de Deus e persegue os seus fiéis não tem a última palavra.

Reflexão para hoje

Muitas vezes nos sentimos como a comunidade de Jerusalém: impotentes diante de um problema grande demais. Não podíamos derrubar as paredes da prisão, mas podíamos rezar. E a oração não é pouco. Quando um filho está longe de Deus, quando alguém está doente, quando um amigo passa por uma prova, a oração perseverante é uma força real.

A cena de Rode é consoladora. A comunidade rezava, mas não acreditou na resposta. Também nós rezamos com fé misturada de dúvida. Deus atende mesmo assim. Isso não é desculpa para a falta de fé, mas um alívio: Deus não espera uma fé perfeita para agir.

E Pedro dormindo entre os soldados nos ensina a paz de quem confia. Em noites de ansiedade, antes de uma notícia difícil ou de uma decisão importante, podemos entregar a Deus o que não controlamos e descansar nele.

Para rezar com Atos dos Apóstolos 12

  • Por quem eu tenho rezado com perseverança? Por quem eu poderia começar a rezar?
  • Acredito de verdade que Deus pode responder às minhas orações?
  • Que preocupação me impede de dormir em paz, e posso entregá-la a Deus hoje?

Sugestão de oração:

Senhor, que libertaste Pedro da prisão enquanto a Igreja rezava, escuta a nossa oração pelos que sofrem, pelos perseguidos e pelo Papa. Quebra as correntes que prendem os nossos irmãos. Aumenta a nossa fé, para que esperemos a tua resposta com confiança. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2636; Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, livro XIX.

Perguntas sobre Atos dos Apóstolos 12

Quem foi o Herodes de Atos 12?

Foi Herodes Agripa I, neto de Herodes, o Grande, que governou a Judeia até cerca do ano 44. Ele mandou matar o apóstolo Tiago e prendeu Pedro.

Como Pedro saiu da prisão?

Um anjo do Senhor apareceu de noite na cela, as correntes caíram das mãos de Pedro e as portas se abriram, até o portão de ferro da cidade. Enquanto isso, a Igreja rezava continuamente por ele.

Quem era Rode em Atos 12?

Rode era uma criada da casa de Maria, mãe de João Marcos. Ela reconheceu a voz de Pedro à porta e, de tanta alegria, correu para avisar os outros em vez de abrir.

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