Apocalipse 21 apresenta a meta de toda a história: um novo céu e uma nova terra, e a nova Jerusalém que desce do céu como uma noiva enfeitada. Deus passa a morar com os homens, enxuga toda lágrima e acaba com a morte. Depois, um anjo mostra a cidade santa, com doze portas, doze alicerces e a glória de Deus como luz. É uma das páginas mais consoladoras da Bíblia.
Contexto de Apocalipse 21
Depois da queda da Babilônia e do juízo final (Ap 18 a 20), o livro mostra o que Deus prepara para os seus. O contraste com a Babilônia é proposital: o mesmo tipo de anjo que mostrou a prostituta (Ap 17,1) agora mostra a Esposa do Cordeiro. Uma cidade construída pelo orgulho humano cai; a outra vem de Deus.
O capítulo está cheio de promessas dos profetas, sobretudo de Isaías e Ezequiel. As medidas, as pedras e os números são simbólicos: não descrevem a arquitetura do céu, mas a perfeição da comunhão entre Deus e o seu povo. A Igreja proclama trechos deste capítulo no 5º e no 6º Domingo da Páscoa do Ano C (Ap 21,1-5a e Ap 21,10-14.22-23), e Ap 21,1-5a.6b-7 está entre as leituras propostas nas Missas pelos falecidos.
Explicação de Apocalipse 21
Versículos 1 e 2: novo céu, nova terra e a cidade santa
João vê um novo céu e uma nova terra, porque o primeiro céu e a primeira terra passaram. É a promessa de Isaías (Is 65,17) e de São Pedro (2Pd 3,13). «Novo» não quer dizer que Deus joga fora a criação, mas que a renova por inteiro. E o mar já não existe: o mar era o símbolo do caos e de onde saiu a besta (Ap 13,1). Não há mais lugar para o mal. A cidade santa, a nova Jerusalém, desce do céu, de junto de Deus, preparada como uma noiva enfeitada para o seu marido.
Versículos 3 e 4: Deus mora com os homens
Uma voz forte vinda do trono proclama: «Esta é a tenda de Deus com os homens» (Ap 21,3). Deus vai morar com eles, e eles serão o seu povo. A palavra «tenda» lembra a tenda do deserto e o prólogo de João, onde o Verbo «armou a sua tenda» entre nós (Jo 1,14). O que começou na Encarnação chega à plenitude. Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos, como prometeu Isaías (Is 25,8). Não haverá mais morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque as coisas antigas passaram.
Versículos 5 a 8: Eu faço novas todas as coisas
Agora fala diretamente aquele que está sentado no trono, algo raro no livro: eis que faço novas todas as coisas. E manda escrever, porque essas palavras são dignas de fé e verdadeiras. Depois diz: está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Alfa e Ômega são a primeira e a última letra do alfabeto grego: Deus está no começo e no fim de tudo. A quem tem sede ele dará de graça da fonte da água da vida (Is 55,1). O vencedor receberá essa herança: eu serei o seu Deus e ele será meu filho.
O versículo 8 contrasta com essa promessa: os covardes, os incrédulos, os corrompidos, os assassinos, os impudicos, os feiticeiros, os idólatras e todos os mentirosos terão a sua parte no lago de fogo, que é a segunda morte. A lista não é para provocar medo, mas para lembrar que entrar na cidade é uma escolha de vida. Muitos entendem que os «covardes», no contexto, são os que renegaram a fé por medo da perseguição.
Versículos 9 a 14: a Esposa do Cordeiro, com doze portas e doze alicerces
Um dos sete anjos das taças leva João em espírito a um monte grande e alto, como Ezequiel na sua visão do novo templo (Ez 40,2), e lhe mostra a Esposa do Cordeiro: a cidade santa, Jerusalém, que desce do céu e brilha com a glória de Deus, como pedra de jaspe cristalino. Ela tem uma muralha alta com doze portas, guardadas por doze anjos, e nelas estão escritos os nomes das doze tribos de Israel. São três portas para cada ponto cardeal: o leste, o norte, o sul e o oeste, e assim a cidade está aberta ao mundo inteiro. A muralha tem doze alicerces com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro. O povo de Deus do Antigo e do Novo Testamento forma uma só cidade, construída sobre o fundamento dos apóstolos (Ef 2,20).
Versículos 15 a 21: as medidas e as pedras preciosas
O anjo mede a cidade com uma vara de ouro. Ela é quadrada, e o comprimento, a largura e a altura são iguais: doze mil estádios. É um cubo, como o Santo dos Santos do templo de Salomão, o lugar mais sagrado, onde ficava a arca (1Rs 6,20). A cidade inteira se tornou o lugar da presença de Deus. A muralha mede 144 côvados, doze vezes doze. A cidade é de ouro puro, semelhante ao vidro transparente.
Os alicerces são enfeitados com doze pedras preciosas, de jaspe a ametista. Muitos estudiosos notam que a lista lembra as doze pedras do peitoral do sumo sacerdote, que traziam os nomes das tribos (Ex 28,17-21). As doze portas são doze pérolas, cada uma feita de uma só pérola, e a praça da cidade é de ouro puro, transparente como cristal. A riqueza que a Babilônia usava para seduzir agora é toda de Deus e serve à beleza da comunhão.
Versículos 22 a 27: a cidade sem templo, iluminada pelo Cordeiro
João não vê templo na cidade, porque o seu templo é o Senhor Deus todo-poderoso e o Cordeiro. Não é preciso um lugar separado para encontrar Deus, porque ele está em tudo e em todos. A cidade não precisa de sol nem de lua, pois a glória de Deus a ilumina e a sua lâmpada é o Cordeiro (Is 60,19). As nações caminharão à sua luz, e os reis da terra levarão a ela a sua glória (Is 60,3.11). As portas nunca se fecham, porque ali não há noite. Mas nada de impuro entra nela, nem quem pratica a abominação e a mentira: só entram os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.
O que Apocalipse 21 ensina para a fé católica?
O capítulo mostra a esperança cristã na sua forma mais completa. Não esperamos apenas a salvação da alma, mas a renovação de toda a criação, a ressurreição dos mortos e a comunhão definitiva com Deus. O Catecismo, ao apresentar as imagens bíblicas da Igreja, cita esta visão da cidade santa que desce do céu (CIC 756), e, ao descrever a liturgia celeste, menciona a Esposa do Cordeiro (CIC 1138, com referência a Ap 21,9). A Igreja que caminha na terra é chamada a se tornar essa Esposa sem mancha.
A cidade sem templo também ensina sobre a liturgia. Hoje precisamos de igrejas, de sacramentos, de sinais. No fim, o próprio Deus e o Cordeiro serão o templo. Cada Missa é um começo dessa realidade: Deus vem morar conosco no sacramento. Sobre a virtude que sustenta essa espera, veja a virtude da esperança.
Reflexão para hoje
«Deus enxugará toda lágrima». Quem já chorou ao lado de um leito de hospital ou no velório de alguém querido sabe o peso dessa promessa. A fé cristã não ignora a dor nem a explica de forma fácil. Ela afirma que a dor não terá a última palavra, e que Deus mesmo, com as suas mãos, vai consolar cada pessoa.
«Eu faço novas todas as coisas» vale também para a vida presente. Deus não espera o fim do mundo para começar a renovar. Uma reconciliação na família, um vício superado, uma confissão bem feita já são pedaços do novo céu e da nova terra.
A cidade tem portas sempre abertas para os quatro lados. A Igreja também é chamada a ser assim: acolhedora, aberta a todos os povos, e ao mesmo tempo fiel. Cada comunidade pode se perguntar se as suas portas estão abertas.
Para rezar com Apocalipse 21
- Que lágrima eu quero entregar hoje a Deus, confiando que ele a enxugará?
- O que Deus quer fazer novo na minha vida neste momento?
- Como posso ajudar a minha comunidade a ser uma casa de portas abertas?
Sugestão de oração:
Senhor Deus, Alfa e Ômega, que fazes novas todas as coisas, enxuga as lágrimas do teu povo e consola os que choram. Faz da tua Igreja uma esposa bela para o Cordeiro e da minha vida uma morada tua. Dá-me sede da água da vida e guarda o meu nome no livro do Cordeiro. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica (n. 756); Catecismo da Igreja Católica (n. 1138).
Perguntas sobre Apocalipse 21
O que é a nova Jerusalém de Apocalipse 21?
O que significa «Eu faço novas todas as coisas»?
Quando Apocalipse 21 é lido na Missa?
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