Tempo Comum, 30ª semana Liturgia de hoje
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2 Pedro

2 Pedro 3: mil anos como um dia e a vinda do Senhor

Leia 2 Pedro 3 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

São Pedro arrependido, de mãos postas, ergue os olhos em lágrimas para o céu
El Greco, As Lágrimas de São Pedro, c. 1587–1596. Domínio público, via Wikimedia Commons.

2 Pedro 3 responde aos que zombavam da promessa da volta de Cristo. O autor explica que para Deus mil anos são como um dia e que a aparente demora é paciência, porque Deus quer que todos se convertam. O dia do Senhor virá como um ladrão, e os cristãos esperam novos céus e uma nova terra, onde habita a justiça.

Contexto de 2 Pedro 3

Os falsos mestres descritos em 2 Pedro 2 também negavam a segunda vinda de Cristo. Os primeiros cristãos esperavam a volta do Senhor para breve, e os anos passavam. Os zombadores aproveitavam isso para dizer que nada ia mudar e que, portanto, não haveria juízo nem motivo para viver com retidão. O capítulo final da carta responde a esse problema e encerra o escrito com uma exortação e um louvor.

Explicação de 2 Pedro 3

Versículos 1 e 2: lembrar as palavras dos profetas e dos apóstolos

O autor diz que esta é sua segunda carta e que ambas querem despertar a mente sincera dos leitores. A primeira provavelmente é 1 Pedro. Ele pede que se lembrem das palavras dos santos profetas e do mandamento do Senhor transmitido pelos apóstolos. Profetas e apóstolos aparecem lado a lado: o Antigo e o Novo Testamento formam um só testemunho.

Versículos 3 a 7: os zombadores

Nos últimos dias virão zombadores, vivendo segundo os próprios desejos, que vão perguntar: onde está a promessa da sua vinda? Desde que os pais morreram, tudo continua como desde o começo da criação. O autor responde que eles esquecem de propósito uma coisa: pela Palavra de Deus existiram os céus e a terra, e pela mesma Palavra o mundo antigo foi destruído pela água do dilúvio. O mundo não é um sistema fechado que gira para sempre; está nas mãos de Deus. A mesma Palavra guarda os céus e a terra atuais para o fogo, no dia do juízo.

Versículos 8 a 10: mil anos como um dia

Uma coisa não pode ser esquecida: para o Senhor, um dia é como mil anos e mil anos como um dia. A frase se apoia no Salmo 90,4. O tempo de Deus não é medido como o nosso. E vem a explicação mais bonita do capítulo: o Senhor não demora a cumprir a promessa, como alguns pensam. Ele é paciente com vocês, porque não quer que ninguém se perca, mas que todos cheguem à conversão (2Pd 3,9). O tempo que passa é tempo de misericórdia.

O dia do Senhor, porém, virá como um ladrão, de surpresa, como Jesus ensinou (Mt 24,43-44; 1Ts 5,2). A descrição usa a linguagem apocalíptica da época: os céus passarão com estrondo, os elementos vão se desfazer no fogo, e a terra com tudo o que nela se fez será posta a descoberto. Mais do que uma previsão física, o texto quer dizer que nada ficará escondido diante de Deus.

Versículos 11 a 13: novos céus e nova terra

Se tudo vai passar, que tipo de pessoas devemos ser? Pessoas de vida santa e piedosa, que esperam e até apressam a vinda do dia de Deus. A ideia de apressar é surpreendente: a conversão e a santidade dos fiéis fazem parte do caminho até o fim. A esperança cristã não é de destruição, mas de renovação: esperamos, segundo a promessa, novos céus e uma nova terra, onde habita a justiça. A promessa vem de Isaías (Is 65,17; 66,22) e reaparece no Apocalipse (Ap 21,1).

Versículos 14 a 16: a paciência do Senhor e as cartas de Paulo

Enquanto esperam, os fiéis devem se esforçar para ser encontrados por Deus sem mancha, irrepreensíveis e em paz. A paciência do Senhor deve ser vista como oportunidade de salvação. O autor lembra que Paulo, nosso amado irmão, escreveu o mesmo com a sabedoria que lhe foi dada. Nas cartas de Paulo há pontos difíceis de entender, que pessoas sem instrução e instáveis distorcem, como fazem com as demais Escrituras, para a própria ruína. Esse versículo é muito importante: mostra que as cartas de Paulo já eram lidas como Escritura e que podem ser mal interpretadas fora da fé da Igreja.

Versículos 17 e 18: crescer na graça

A carta se encerra com um conselho: já que vocês estão avisados, cuidem para não ser arrastados pelo erro dos ímpios e perder a firmeza. E um convite positivo: crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele a glória, agora e até o dia da eternidade.

O que 2 Pedro 3 ensina para a fé católica?

O capítulo afirma o que rezamos no Credo: Cristo há de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos. Ninguém sabe o dia nem a hora, e a Igreja desaconselha previsões de datas para o fim do mundo. O que importa é estar preparado.

Também ensina que o fim não é aniquilação, mas transformação. O Concílio Vaticano II, na Gaudium et spes (n. 39), fala dos novos céus e da nova terra e diz que a espera da terra nova não deve enfraquecer, mas estimular o cuidado com esta terra. A paciência de Deus revela sua vontade de que todos se salvem (cf. 1Tm 2,4).

Por fim, a carta reconhece os escritos de Paulo como Escritura e mostra que a Bíblia precisa ser lida com a Igreja, para não ser distorcida.

Reflexão para hoje

Muita gente vive como os zombadores do texto, mesmo sem perceber: como se tudo fosse continuar sempre igual, como se não houvesse um encontro final com Deus. A carta não quer assustar; quer acordar. Cada dia é um presente da paciência de Deus, uma chance de reconciliação, de pedir perdão, de mudar o que precisa ser mudado.

A frase de que Deus não quer que ninguém se perca muda o modo de ver a demora. Quando rezamos por um familiar afastado da fé e parece que nada acontece, Deus continua trabalhando no tempo dele. A paciência dele é maior que a nossa.

E esperar a nova terra não nos tira daqui. Ao contrário: quem espera a justiça de Deus trabalha pela justiça agora, em casa, no trabalho, na cidade.

Para rezar com 2 Pedro 3

  • Vivo como quem espera o encontro com o Senhor ou como se ele nunca fosse acontecer?
  • Como estou aproveitando o tempo que a paciência de Deus me dá?
  • De que forma posso contribuir, já agora, para a justiça que espero?

Sugestão de oração:

Senhor Jesus, Senhor do tempo, obrigado pela tua paciência comigo. Não permitas que eu viva distraído, mas que te espere com uma vida santa. Converte o coração dos que estão longe de ti e faze-me crescer na tua graça, enquanto aguardo os novos céus e a nova terra. A ti a glória, agora e para sempre. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB). Concílio Vaticano II, constituição pastoral Gaudium et spes.

Perguntas sobre 2 Pedro 3

O que significa para Deus mil anos são como um dia?

Em 2 Pedro 3,8, o autor usa o Salmo 90,4 para mostrar que o tempo de Deus não se mede como o nosso. A aparente demora da volta de Cristo é paciência de Deus, que quer a conversão de todos.

O que são os novos céus e a nova terra de 2 Pedro 3,13?

É a promessa de que Deus vai renovar toda a criação no fim dos tempos, num mundo onde habita a justiça. A esperança cristã não é de destruição, mas de transformação.

2 Pedro 3 fala das cartas de São Paulo?

Sim. Nos versículos 15 e 16, o autor diz que nas cartas de Paulo há pontos difíceis, que alguns distorcem como fazem com as demais Escrituras. Isso mostra que as cartas de Paulo já eram lidas como Escritura.

Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.