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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Zaragoza (1427)

O relato de 1427 guardado no arquivo da cidade, a procissão até a catedral de La Seo e a pintura que ainda recorda o fato.

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Capela do Santo Cristo na catedral de La Seo, em Zaragoza
Capiella d'o Santo Cristo d'a Seu de Zaragoza. Foto: Willtron, licença CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Zaragoza é um relato de 1427 ligado a essa cidade de Aragão, na Espanha. Segundo ele, uma mulher tirou da boca a hóstia que tinha recebido na Comunhão para usá-la num feitiço, e no lugar da hóstia apareceu um menino cercado de luz. O documento com a narração é guardado no arquivo municipal de Zaragoza, e uma pintura antiga do fato está na catedral de La Seo. Não há relíquia material: segundo o relato, o menino voltou a ser hóstia e foi consumido na Missa.

O que aconteceu em Zaragoza?

O catálogo diz que o fato ocorreu quando governava a Igreja de Zaragoza o arcebispo Alonso de Argüello, que esteve à frente da arquidiocese de 1419 a 1429. O catálogo o chama de bispo. Um arquidiácono da cidade deixou um relato escrito dos acontecimentos.

O texto fala de uma mulher casada que vivia com um marido bruto. Em busca de alívio, ela foi pedir uma solução a um homem que fazia feitiços. A receita dele exigia uma hóstia consagrada.

Ela se confessou e comungou na igreja de São Miguel, mas não consumiu a hóstia: escondeu-a numa caixinha e a levou ao feiticeiro. Ao abrir a caixa, os dois teriam encontrado um menino pequeno e luminoso.

A caixa queimada

A ordem seguinte foi pôr tudo no fogo e levar as cinzas. O relato diz que a caixa virou cinza, mas o menino saiu intacto. Com medo, a mulher e o feiticeiro procuraram o arcebispo na catedral, contaram o que tinham feito, se confessaram e pediram o batismo.

A procissão e a Missa

O arcebispo consultou outros prelados e teólogos e decidiu levar o menino em procissão solene da casa da mulher até a catedral. A cidade inteira saiu às ruas. Na catedral, o menino foi colocado sobre o altar da capela de São Valério, padroeiro de Zaragoza. No dia seguinte, o arcebispo celebrou a Missa nesse altar. Depois das palavras da consagração, segundo o relato, no lugar do menino apareceu uma hóstia, que o prelado consumiu. O documento conclui que o fato reavivou em toda a cidade a devoção ao Santíssimo Sacramento.

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Como ler esse relato hoje?

O texto de 1427 descreve o feiticeiro como "mouro", isto é, muçulmano, e herege. Narrativas daquela época muitas vezes atribuíam o papel de vilão a pessoas de outras religiões. É preciso ler esse detalhe como parte da mentalidade do século XV, e não como juízo sobre um povo ou uma fé. O Concílio Vaticano II, na declaração Nostra Aetate (n. 3), pede estima pelos muçulmanos e exorta a superar as hostilidades do passado.

A pintura do milagre fica na capela de Santo Dominguito del Val, na catedral. Esse nome pede um cuidado especial. A tradição local fala de um menino do coro de Zaragoza que, em 1250, teria sido morto por judeus. É a versão espanhola da chamada acusação de crime ritual, que circulou pela Europa medieval contra comunidades judaicas. Segundo o historiador Gonzalo Álvarez Chillida, a primeira notícia escrita do caso é de 1583, mais de três séculos depois da data atribuída à morte. Dominguito nunca foi canonizado formalmente.

Acusações desse tipo não têm base histórica. Alimentaram ódio, perseguições e mortes de judeus inocentes, e hoje são reconhecidas como injustas. A Igreja rejeita todo antissemitismo: o Concílio Vaticano II lembra o patrimônio espiritual comum a cristãos e judeus e deplora os ódios, as perseguições e as manifestações de antissemitismo, em qualquer tempo e por qualquer pessoa (Nostra Aetate, n. 4).

Onde ver a memória do milagre hoje?

Segundo o catálogo, o documento original com o relato do arquidiácono está no arquivo da prefeitura de Zaragoza. Na catedral de La Seo, uma pintura antiga representa o fato e tem ao lado uma descrição detalhada; há também uma lápide que narra o prodígio. O catálogo não menciona festa ou procissão atual ligada ao milagre.

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A Igreja reconheceu o milagre de Zaragoza?

O catálogo informa que o arcebispo consultou teólogos e promoveu a procissão e a exposição do menino na catedral, mas não menciona um decreto formal de reconhecimento. O relato é antigo e documentado, mas o fiel não é obrigado a crer nele, porque prodígios particulares não fazem parte do depósito da fé (Catecismo, n. 67).

O que o milagre de Zaragoza ensina sobre a Eucaristia?

O relato mostra uma hóstia tratada como objeto mágico. A Igreja ensina o contrário: a Eucaristia não é um amuleto, mas o próprio Cristo, presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade (Catecismo, n. 1374). Por isso o Catecismo condena a superstição e a magia, que tentam usar as coisas sagradas para dominar pessoas ou situações (n. 2111 e 2117).

São Paulo adverte que quem come o pão ou bebe o cálice do Senhor indignamente peca contra o Corpo e o Sangue do Senhor (1Cor 11,27). E Jesus diz: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (Jo 6,56). Comungar é acolher Cristo, não usá-lo.

A fé na presença real não depende de visões. Mas o final do relato consola: a mulher e o feiticeiro procuraram a misericórdia de Deus, e a cidade voltou a adorar o Senhor.

Perguntas frequentes

Quando foi o milagre eucarístico de Zaragoza?

Segundo o catálogo, em 1427, quando o arcebispo Alonso de Argüello governava a Igreja de Zaragoza.

Existe relíquia do milagre de Zaragoza?

Não. Segundo o relato, o menino voltou a ser hóstia e foi consumido pelo arcebispo na Missa.

Onde ver a pintura do milagre?

Na catedral de La Seo, em Zaragoza, numa capela lateral, com uma descrição do fato ao lado.

Usar a hóstia para feitiço é pecado?

Sim. É uma grave profanação do sacramento. O Catecismo condena a magia e todo uso supersticioso das coisas sagradas.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 67, 1374, 2111 e 2117); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Concílio Vaticano II, declaração Nostra Aetate, n. 3 e 4; Gonzalo Álvarez Chillida, estudos sobre o antissemitismo na Espanha (sobre Dominguito del Val); lista de arcebispos de Zaragoza (verbete Alonso de Argüello).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.