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Milagres Eucarísticos

Milagre eucarístico de Montserrat (1657) e o Purgatório

O relato do mosteiro beneditino de Montserrat sobre três Missas de sufrágio e o que ele recorda sobre o valor da Missa pelos falecidos.

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Santuário e mosteiro de Nossa Senhora de Montserrat
Abbey of Montserrat 04. Foto: Bernard Gagnon, licença CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

O milagre eucarístico de Montserrat é um relato de 1657, ligado ao mosteiro beneditino de Nossa Senhora de Montserrat, na Catalunha, Espanha. Segundo a narrativa, uma menina acompanhou três Missas de sufrágio pelo pai falecido e, durante elas, viu a alma dele passar do sofrimento do Purgatório à glória do Céu. Não há relíquia: o que ficou foi o testemunho registrado por um cronista do mosteiro.

Diferente de outros milagres eucarísticos, aqui não há hóstia que se transforma nem sangue no corporal. O relato chama a atenção para o valor da Missa oferecida pelos mortos.

O que aconteceu em Montserrat?

Segundo o catálogo, em 1657 estavam no mosteiro de Montserrat o geral da Ordem Beneditina na Espanha, Bernardo de Ontevieros, e o abade Millán de Miranda, reunidos para algumas conferências. Uma senhora chegou ao convento com a filha pequena e pediu ao abade que celebrasse três Missas pela alma do seu falecido marido, pai da menina. Ela estava convencida de que essas Missas ajudariam o pai a ser libertado das penas do Purgatório.

Comovido com as lágrimas da criança, o abade começou as Missas logo no dia seguinte. Mãe e filha estavam presentes.

As três Missas

  1. Primeira Missa: na consagração, a menina disse ver o pai curvado sobre o degrau do altar, cercado de chamas. O padre geral, para pôr à prova o que ela dizia, pediu que aproximasse um lenço daquele fogo. Segundo o relato, o lenço pegou fogo diante dos monges.
  2. Segunda Missa: a menina contou ter visto o pai de pé, ao lado do diácono, com roupas de cores vivas.
  3. Terceira Missa: o pai apareceu à filha vestido de branco. No fim da celebração, ela disse que o via subir ao Céu.

O catálogo conta ainda que a menina agradeceu aos monges em nome do pai, como ele lhe teria pedido. Teriam presenciado o fato o geral dos beneditinos, o bispo de Astorga e vários moradores do lugar.

A fonte citada pelo catálogo é o padre beneditino Francisco de Paula Crusellas, autor de uma "Nova história do santuário e mosteiro de Nossa Senhora de Montserrat".

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Como é a devoção hoje em Montserrat?

Montserrat é um dos maiores santuários marianos da Espanha. A comunidade beneditina guarda a imagem de Nossa Senhora de Montserrat, muito venerada na Catalunha. O catálogo não menciona festa, capela ou celebração própria ligada a este relato de 1657. Por isso, quem visita o mosteiro encontrará a devoção à Virgem e a vida monástica, mas não um culto específico ao episódio.

A Igreja reconheceu o milagre de Montserrat?

O catálogo não menciona decreto de reconhecimento por parte de um bispo nem investigação canônica. Ele apresenta o fato como narrado por um cronista do próprio mosteiro, com a lista de testemunhas que o texto indica.

Trata-se, portanto, de um relato de tradição. O fiel pode acolhê-lo como estímulo à oração pelos falecidos, sem obrigação de crer nos detalhes da visão, já que relatos desse tipo não pertencem ao depósito da fé (Catecismo, n. 67).

Leia também: Milagre eucarístico de Paris (1290): o relato das Billettes

O que o milagre de Montserrat ensina sobre a Eucaristia?

O catálogo resume a mensagem: cada Missa torna presente o único sacrifício de Cristo no Calvário. Essa é a fé da Igreja. O Catecismo ensina que a Eucaristia é memorial do sacrifício de Cristo e que esse sacrifício é oferecido também pelos fiéis defuntos que ainda não estão plenamente purificados (n. 1365 e 1371).

Sobre o Purgatório, o Catecismo explica que quem morre na graça de Deus, mas ainda não totalmente purificado, passa por uma purificação antes de entrar na alegria do Céu (n. 1030 e 1031). E recomenda o sufrágio pelos mortos, "em particular o sacrifício eucarístico" (n. 1032).

Por isso os católicos pedem Missas por seus falecidos. Não se trata de "comprar" a salvação de ninguém, nem de um número exato de Missas que produz um efeito certo. É um gesto de caridade e de confiança na misericórdia de Deus, unido à oferta de Cristo: "Isto é o meu corpo, que é dado por vós" (1Cor 11,24). Jesus prometeu: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna" (Jo 6,54).

Perguntas frequentes

O milagre de Montserrat tem relíquia?

Não. É o relato de uma visão durante três Missas. O catálogo não menciona objeto guardado do fato.

Missa pelos mortos ajuda as almas do Purgatório?

A Igreja ensina que sim. O Catecismo recomenda o sufrágio pelos falecidos, em especial o sacrifício eucarístico (n. 1032).

Quem registrou o milagre de Montserrat?

Segundo o catálogo, o padre beneditino Francisco de Paula Crusellas, numa história do santuário e mosteiro de Montserrat.

Preciso mandar celebrar três Missas por um falecido?

Não há número obrigatório. Cada Missa tem valor. O importante é rezar pelos falecidos com fé e confiança em Deus.

Para aprofundar

Fontes

Milagres Eucarísticos no mundo: catálogo da exposição de São Carlo Acutis; Catecismo da Igreja Católica (n. 67, 1030 a 1032, 1365 e 1371); Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Francisco de Paula Crusellas, Nova história do santuário e mosteiro de Nossa Senhora de Montserrat (citado pelo catálogo).

As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.