A virtude da fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou, e que a Igreja nos propõe para crer, porque Ele é a própria verdade (CIC 1814). É ao mesmo tempo um dom gratuito de Deus e uma resposta livre do ser humano, que se entrega inteiramente a Ele.
A fé não é apenas aceitar uma lista de verdades. É, antes de tudo, confiar em Alguém. Por isso ela envolve a inteligência, a vontade e a vida inteira.
O que significa dizer que a fé é uma virtude teologal?
As virtudes teologais são três: fé, esperança e caridade. Elas se chamam teologais porque têm o próprio Deus como origem, motivo e objeto. Não são conquistadas apenas pelo esforço humano, como as virtudes morais: são infundidas por Deus na alma, especialmente no Batismo (CIC 1812-1813).
Entre as três, a fé vem em primeiro lugar na ordem: é ela que abre a porta para esperar em Deus e amá-lo. Uma visão geral das três está no artigo sobre as virtudes teologais. Aqui o foco é a fé e como vivê-la.
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A fé é dom de Deus ou decisão nossa?
As duas coisas, e o Catecismo explica como elas se unem.
A fé é um dom
Quando São Pedro reconhece Jesus como o Cristo, Jesus responde que não foi a carne nem o sangue que lhe revelaram isso, mas o Pai que está nos céus (Mt 16,17). A fé é uma virtude sobrenatural infundida por Deus. Para crer, o ser humano precisa da graça que o antecede e o ajuda, e dos auxílios interiores do Espírito Santo (CIC 153).
A fé é um ato humano
Ao mesmo tempo, crer é um ato autenticamente humano. Não é contrário à liberdade nem à inteligência confiar em Deus e aderir às verdades que Ele revelou (CIC 154). Ninguém pode ser forçado a crer: a resposta da fé deve ser livre (CIC 160).
A fé busca compreender
A fé não dispensa a razão. Pelo contrário, quem crê deseja conhecer melhor aquele em quem pôs a sua fé. Daí a antiga expressão "a fé procura compreender" (CIC 158). Fé e razão não se opõem, porque ambas vêm do mesmo Deus. O tema está desenvolvido em fé e razão.
Características da fé segundo o Catecismo
| Característica | O que significa |
|---|---|
| Pessoal | É adesão de toda a pessoa a Deus que se revela (CIC 150) |
| Eclesial | Ninguém crê sozinho: recebemos a fé da Igreja e cremos com ela (CIC 166-167) |
| Certa | Funda-se na Palavra de Deus, que não pode enganar (CIC 157) |
| Necessária | Crer em Cristo e naquele que o enviou é necessário para a salvação (CIC 161) |
| Viva | Deve agir pela caridade; a fé sem obras é morta (CIC 1815; Tg 2,26) |
| Início da vida eterna | Faz-nos saborear de antemão a alegria da visão de Deus (CIC 163) |
A Carta aos Hebreus, no capítulo 11, apresenta a fé como a certeza daquilo que se espera e a convicção das realidades que não se veem (Hb 11,1), e em seguida recorda os grandes exemplos do Antigo Testamento: Abel, Noé, Abraão, Sara, Moisés. Eles creram sem ver o cumprimento completo das promessas.
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Quais pecados vão contra a fé?
O primeiro mandamento pede que alimentemos e guardemos a fé com prudência e vigilância, e que rejeitemos tudo o que se opõe a ela (CIC 2088). O Catecismo distingue:
- Dúvida voluntária: negligenciar ou recusar ter por verdadeiro o que Deus revelou e a Igreja propõe.
- Dúvida involuntária: hesitação em crer, dificuldade em superar objeções, inquietação diante da obscuridade da fé. Ela não é pecado em si, mas, se for cultivada de propósito, pode levar à cegueira espiritual (CIC 2088).
- Incredulidade: descuido da verdade revelada ou recusa voluntária de lhe dar assentimento.
- Heresia: negação obstinada, depois do Batismo, de alguma verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou dúvida obstinada a respeito dela.
- Apostasia: repúdio total da fé cristã.
- Cisma: recusa de submissão ao Sumo Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos (CIC 2089).
Essa distinção traz alívio a muita gente. Sentir dificuldades para crer não é o mesmo que rejeitar a fé. Muitos santos passaram por longas noites de escuridão interior e continuaram fiéis.
Como lidar com as dúvidas de fé?
- Não se assuste: a fé convive com perguntas. O pai do menino doente disse a Jesus: "Eu creio! Ajuda a minha falta de fé!" (Mc 9,24).
- Estude: muitas dúvidas nascem de informações incompletas. O Catecismo, bons livros e a orientação de um padre respondem a grande parte delas.
- Reze mesmo sem sentir: a fé não depende de emoções. Continuar rezando na aridez é um ato de fé.
- Converse com alguém: um sacerdote, um catequista bem formado, um diretor espiritual.
- Não se isole: a fé é vivida na comunidade. A Missa dominical e a convivência com outros fiéis sustentam nos dias difíceis.
Como crescer na fé no dia a dia?
A fé recebida no Batismo pode crescer ou enfraquecer. O Catecismo lembra que, para viver, crescer e perseverar na fé até o fim, devemos alimentá-la com a Palavra de Deus e pedir ao Senhor que a aumente (CIC 162). Na prática:
- Ouvir a Palavra: ler um trecho do Evangelho todos os dias, com calma.
- Celebrar os sacramentos: a Eucaristia e a Confissão alimentam e curam a fé.
- Rezar o Credo: rezar com atenção o Credo ajuda a conhecer e amar o que se professa.
- Fazer pedidos de fé: como os apóstolos, dizer ao Senhor: "Aumenta a nossa fé" (Lc 17,5).
- Agir pela fé: uma fé que se traduz em caridade e em escolhas concretas se fortalece.
- Testemunhar: o Catecismo pede que o discípulo de Cristo não apenas guarde a fé, mas a professe, testemunhe com firmeza e a difunda (CIC 1816).
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre fé e crença?
Na linguagem comum, crença pode ser qualquer opinião. A fé teologal é adesão pessoal a Deus que se revela, com base na sua Palavra, e não em impressões pessoais.
Ter dúvidas é pecado?
A dúvida involuntária, que surge sem ser buscada, não é pecado. Torna-se pecado quando a pessoa decide de propósito negar ou recusar o que Deus revelou.
É possível perder a fé?
Sim. O Catecismo adverte que a fé é um dom que podemos perder, e por isso precisamos alimentá-la e pedir a Deus que a aumente (CIC 162).
A fé sozinha salva?
A fé é necessária para a salvação, mas deve ser uma fé viva, que age pela caridade. A fé sem obras é morta (Tg 2,26).
Para aprofundar
- Virtudes teologais: fé, esperança e caridade
- Virtude da esperança
- Virtude da caridade
- Fides et ratio: fé e razão
Fontes
Catecismo da Igreja Católica, números 142 a 167, 1812 a 1816, 2088 e 2089. Bíblia Sagrada (tradução da CNBB). As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.