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Virtude da fé: o que é e como crescer nela

A fé é dom de Deus e resposta pessoal. Entenda essa virtude teologal, como lidar com dúvidas e o que fazer para que ela cresça.

Atualizado em 6 min de leitura
Virtude da fé em obra de Piero del Pollaiuolo
Faith, Piero del Pollaiuolo, 1470. Domínio público, via Wikimedia Commons.

A virtude da fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que Ele nos disse e revelou, e que a Igreja nos propõe para crer, porque Ele é a própria verdade (CIC 1814). É ao mesmo tempo um dom gratuito de Deus e uma resposta livre do ser humano, que se entrega inteiramente a Ele.

A fé não é apenas aceitar uma lista de verdades. É, antes de tudo, confiar em Alguém. Por isso ela envolve a inteligência, a vontade e a vida inteira.

O que significa dizer que a fé é uma virtude teologal?

As virtudes teologais são três: fé, esperança e caridade. Elas se chamam teologais porque têm o próprio Deus como origem, motivo e objeto. Não são conquistadas apenas pelo esforço humano, como as virtudes morais: são infundidas por Deus na alma, especialmente no Batismo (CIC 1812-1813).

Entre as três, a fé vem em primeiro lugar na ordem: é ela que abre a porta para esperar em Deus e amá-lo. Uma visão geral das três está no artigo sobre as virtudes teologais. Aqui o foco é a fé e como vivê-la.

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A fé é dom de Deus ou decisão nossa?

As duas coisas, e o Catecismo explica como elas se unem.

A fé é um dom

Quando São Pedro reconhece Jesus como o Cristo, Jesus responde que não foi a carne nem o sangue que lhe revelaram isso, mas o Pai que está nos céus (Mt 16,17). A fé é uma virtude sobrenatural infundida por Deus. Para crer, o ser humano precisa da graça que o antecede e o ajuda, e dos auxílios interiores do Espírito Santo (CIC 153).

A fé é um ato humano

Ao mesmo tempo, crer é um ato autenticamente humano. Não é contrário à liberdade nem à inteligência confiar em Deus e aderir às verdades que Ele revelou (CIC 154). Ninguém pode ser forçado a crer: a resposta da fé deve ser livre (CIC 160).

A fé busca compreender

A fé não dispensa a razão. Pelo contrário, quem crê deseja conhecer melhor aquele em quem pôs a sua fé. Daí a antiga expressão "a fé procura compreender" (CIC 158). Fé e razão não se opõem, porque ambas vêm do mesmo Deus. O tema está desenvolvido em fé e razão.

Características da fé segundo o Catecismo

CaracterísticaO que significa
PessoalÉ adesão de toda a pessoa a Deus que se revela (CIC 150)
EclesialNinguém crê sozinho: recebemos a fé da Igreja e cremos com ela (CIC 166-167)
CertaFunda-se na Palavra de Deus, que não pode enganar (CIC 157)
NecessáriaCrer em Cristo e naquele que o enviou é necessário para a salvação (CIC 161)
VivaDeve agir pela caridade; a fé sem obras é morta (CIC 1815; Tg 2,26)
Início da vida eternaFaz-nos saborear de antemão a alegria da visão de Deus (CIC 163)

A Carta aos Hebreus, no capítulo 11, apresenta a fé como a certeza daquilo que se espera e a convicção das realidades que não se veem (Hb 11,1), e em seguida recorda os grandes exemplos do Antigo Testamento: Abel, Noé, Abraão, Sara, Moisés. Eles creram sem ver o cumprimento completo das promessas.

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Quais pecados vão contra a fé?

O primeiro mandamento pede que alimentemos e guardemos a fé com prudência e vigilância, e que rejeitemos tudo o que se opõe a ela (CIC 2088). O Catecismo distingue:

  • Dúvida voluntária: negligenciar ou recusar ter por verdadeiro o que Deus revelou e a Igreja propõe.
  • Dúvida involuntária: hesitação em crer, dificuldade em superar objeções, inquietação diante da obscuridade da fé. Ela não é pecado em si, mas, se for cultivada de propósito, pode levar à cegueira espiritual (CIC 2088).
  • Incredulidade: descuido da verdade revelada ou recusa voluntária de lhe dar assentimento.
  • Heresia: negação obstinada, depois do Batismo, de alguma verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou dúvida obstinada a respeito dela.
  • Apostasia: repúdio total da fé cristã.
  • Cisma: recusa de submissão ao Sumo Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos (CIC 2089).

Essa distinção traz alívio a muita gente. Sentir dificuldades para crer não é o mesmo que rejeitar a fé. Muitos santos passaram por longas noites de escuridão interior e continuaram fiéis.

Como lidar com as dúvidas de fé?

  1. Não se assuste: a fé convive com perguntas. O pai do menino doente disse a Jesus: "Eu creio! Ajuda a minha falta de fé!" (Mc 9,24).
  2. Estude: muitas dúvidas nascem de informações incompletas. O Catecismo, bons livros e a orientação de um padre respondem a grande parte delas.
  3. Reze mesmo sem sentir: a fé não depende de emoções. Continuar rezando na aridez é um ato de fé.
  4. Converse com alguém: um sacerdote, um catequista bem formado, um diretor espiritual.
  5. Não se isole: a fé é vivida na comunidade. A Missa dominical e a convivência com outros fiéis sustentam nos dias difíceis.

Como crescer na fé no dia a dia?

A fé recebida no Batismo pode crescer ou enfraquecer. O Catecismo lembra que, para viver, crescer e perseverar na fé até o fim, devemos alimentá-la com a Palavra de Deus e pedir ao Senhor que a aumente (CIC 162). Na prática:

  • Ouvir a Palavra: ler um trecho do Evangelho todos os dias, com calma.
  • Celebrar os sacramentos: a Eucaristia e a Confissão alimentam e curam a fé.
  • Rezar o Credo: rezar com atenção o Credo ajuda a conhecer e amar o que se professa.
  • Fazer pedidos de fé: como os apóstolos, dizer ao Senhor: "Aumenta a nossa fé" (Lc 17,5).
  • Agir pela fé: uma fé que se traduz em caridade e em escolhas concretas se fortalece.
  • Testemunhar: o Catecismo pede que o discípulo de Cristo não apenas guarde a fé, mas a professe, testemunhe com firmeza e a difunda (CIC 1816).

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre fé e crença?

Na linguagem comum, crença pode ser qualquer opinião. A fé teologal é adesão pessoal a Deus que se revela, com base na sua Palavra, e não em impressões pessoais.

Ter dúvidas é pecado?

A dúvida involuntária, que surge sem ser buscada, não é pecado. Torna-se pecado quando a pessoa decide de propósito negar ou recusar o que Deus revelou.

É possível perder a fé?

Sim. O Catecismo adverte que a fé é um dom que podemos perder, e por isso precisamos alimentá-la e pedir a Deus que a aumente (CIC 162).

A fé sozinha salva?

A fé é necessária para a salvação, mas deve ser uma fé viva, que age pela caridade. A fé sem obras é morta (Tg 2,26).

Para aprofundar

Fontes

Catecismo da Igreja Católica, números 142 a 167, 1812 a 1816, 2088 e 2089. Bíblia Sagrada (tradução da CNBB). As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.