A virtude da caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por Ele mesmo, e ao próximo como a nós mesmos, por amor de Deus (CIC 1822). É a maior das virtudes, porque permanece para sempre e dá forma e vida a todas as outras.
Na linguagem comum, caridade virou sinônimo de dar esmola. Na fé católica, ela é muito mais: é o próprio amor de Deus derramado em nós, que nos faz amar como Ele ama.
Qual é o maior mandamento?
Quando perguntaram a Jesus qual era o maior mandamento da Lei, Ele respondeu unindo o amor a Deus e o amor ao próximo:
"Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas." (Mt 22,37-40)
Os dois amores são inseparáveis. São João é direto: quem diz que ama a Deus, a quem não vê, mas não ama o irmão, a quem vê, não pode amar a Deus (cf. 1Jo 4,20). E Jesus deu um mandamento novo, com uma medida nova: amar uns aos outros como Ele nos amou (Jo 15,12; CIC 1823).
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O que o Catecismo ensina sobre a caridade?
- É fruto do Espírito: a caridade é fruto do Espírito e plenitude da Lei, e guarda os mandamentos de Deus e de Cristo (CIC 1824).
- Ama até os inimigos: Cristo morreu por nós quando ainda éramos inimigos. Ele pede que amemos até os inimigos, que nos façamos próximos dos mais afastados e amemos as crianças e os pobres como a Ele mesmo (CIC 1825).
- Sem ela, nada vale: sem a caridade, diz São Paulo, nada sou (CIC 1826).
- Dá forma às virtudes: a caridade anima e inspira o exercício de todas as virtudes; é o vínculo da perfeição (CIC 1827).
- Dá liberdade: quem ama não age como escravo, por medo, nem como mercenário, por recompensa, mas como filho (CIC 1828).
- Traz frutos: alegria, paz e misericórdia (CIC 1829).
Como é o amor segundo 1Coríntios 13?
O capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios é conhecido como hino à caridade. São Paulo descreve o amor não por sentimentos, mas por atitudes:
"O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." (1Cor 13,4-7)
Um exercício útil é trocar a palavra "amor" pelo próprio nome e perguntar com sinceridade: eu sou paciente? Eu guardo rancor? Eu procuro só o meu interesse? O resultado mostra onde a caridade precisa crescer.
O hino termina dizendo que agora permanecem a fé, a esperança e a caridade, mas a maior delas é a caridade (1Cor 13,13). No céu, a fé dará lugar à visão e a esperança à posse. Só o amor permanece.
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O que ensina a encíclica Deus caritas est?
A primeira encíclica de Bento XVI, Deus caritas est, publicada no início de seu pontificado, tem o título tirado de 1Jo 4,16: "Deus é amor". Alguns pontos ajudam a entender a caridade:
- O amor humano e o amor de Deus não se opõem: o amor de Deus purifica e eleva o amor humano.
- O amor ao próximo nasce do encontro com Deus. Quem se deixa amar por Ele aprende a amar os outros.
- A caridade é uma tarefa de toda a Igreja, e não só de cada fiel: por isso a Igreja tem obras organizadas de serviço aos pobres.
Um resumo do documento está em Deus caritas est.
Quais são as obras de misericórdia?
O Catecismo apresenta as obras de misericórdia como ações caridosas pelas quais socorremos o próximo em suas necessidades corporais e espirituais (CIC 2447). A tradição as reúne em duas listas de sete:
| Obras corporais | Obras espirituais |
|---|---|
| Dar de comer a quem tem fome | Dar bom conselho |
| Dar de beber a quem tem sede | Ensinar os ignorantes |
| Vestir os nus | Corrigir os que erram |
| Dar pousada aos peregrinos | Consolar os tristes |
| Visitar os enfermos | Perdoar as injúrias |
| Visitar os presos | Suportar com paciência as fraquezas do próximo |
| Enterrar os mortos | Rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos |
Jesus mostra a seriedade dessas obras no juízo final: tudo o que fizemos a um destes mais pequenos, a Ele o fizemos (Mt 25,40).
Como viver a caridade no dia a dia?
Com Deus
- Reservar um tempo diário para estar com Ele, como quem visita um amigo.
- Participar da Missa não por obrigação, mas por amor.
- Pedir perdão pela indiferença e pela tibieza, que são pecados contra o amor de Deus (CIC 2094).
Com o próximo
- Em casa: paciência, serviço silencioso, palavras gentis, pedir e oferecer perdão.
- No trabalho: honestidade, ajuda a colegas, respeito a quem é difícil.
- Nas redes sociais: não espalhar boatos, não humilhar, não responder com raiva.
- Com os pobres: doar de forma regular, servir em uma pastoral, visitar quem está sozinho.
Caridade e verdade
Amar não é concordar com tudo. A caridade quer o bem verdadeiro do outro, e por isso às vezes pede uma correção fraterna, feita em particular, com humildade e no momento oportuno (cf. Mt 18,15). Também não é caridade fechar os olhos para injustiças: o amor ao próximo leva a defender os mais fracos e a trabalhar por condições de vida dignas para todos.
A caridade começa pequena. Santa Teresinha ensinava a amar nas pequenas coisas, e Santa Teresa de Calcutá dedicou a vida aos mais pobres entre os pobres. Para examinar como vai a caridade, ajuda fazer um exame de consciência sobre a caridade.
Perguntas frequentes
Caridade é o mesmo que dar esmola?
Não. A esmola é uma expressão de caridade, mas a caridade é o amor a Deus e ao próximo em todas as dimensões da vida.
Por que a caridade é a maior virtude?
Porque ela permanece para sempre e dá vida a todas as outras virtudes. No céu, a fé e a esperança se completam, mas o amor continua (1Cor 13,13).
Preciso sentir amor para amar?
Não. A caridade é sobretudo uma decisão da vontade que quer o bem do outro, mesmo quando os sentimentos não acompanham.
Como amar os inimigos?
Desejando o bem deles, rezando por eles e recusando a vingança. Isso não exige concordar com o mal nem deixar de se proteger.
Para aprofundar
- Virtudes teologais: fé, esperança e caridade
- Deus caritas est: o amor cristão
- São Vicente de Paulo, santo da caridade
- Santa Teresa de Calcutá
Fontes
Catecismo da Igreja Católica, números 1822 a 1829, 2094 e 2447. Bento XVI, carta encíclica Deus caritas est (2005). Bíblia Sagrada (tradução da CNBB). As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.