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Virtude da caridade: o maior mandamento

A caridade é a maior das virtudes. Entenda o que ela é, por que dá forma a todas as outras e como vivê-la com gestos concretos.

Atualizado em 6 min de leitura
Virtude da caridade em obra de Piero del Pollaiuolo
Charity, Piero del Pollaiuolo, 1469. Domínio público, via Wikimedia Commons.

A virtude da caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por Ele mesmo, e ao próximo como a nós mesmos, por amor de Deus (CIC 1822). É a maior das virtudes, porque permanece para sempre e dá forma e vida a todas as outras.

Na linguagem comum, caridade virou sinônimo de dar esmola. Na fé católica, ela é muito mais: é o próprio amor de Deus derramado em nós, que nos faz amar como Ele ama.

Qual é o maior mandamento?

Quando perguntaram a Jesus qual era o maior mandamento da Lei, Ele respondeu unindo o amor a Deus e o amor ao próximo:

"Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas." (Mt 22,37-40)

Os dois amores são inseparáveis. São João é direto: quem diz que ama a Deus, a quem não vê, mas não ama o irmão, a quem vê, não pode amar a Deus (cf. 1Jo 4,20). E Jesus deu um mandamento novo, com uma medida nova: amar uns aos outros como Ele nos amou (Jo 15,12; CIC 1823).

Leia também: Virtudes teologais: fé, esperança e caridade explicadas

O que o Catecismo ensina sobre a caridade?

  • É fruto do Espírito: a caridade é fruto do Espírito e plenitude da Lei, e guarda os mandamentos de Deus e de Cristo (CIC 1824).
  • Ama até os inimigos: Cristo morreu por nós quando ainda éramos inimigos. Ele pede que amemos até os inimigos, que nos façamos próximos dos mais afastados e amemos as crianças e os pobres como a Ele mesmo (CIC 1825).
  • Sem ela, nada vale: sem a caridade, diz São Paulo, nada sou (CIC 1826).
  • Dá forma às virtudes: a caridade anima e inspira o exercício de todas as virtudes; é o vínculo da perfeição (CIC 1827).
  • Dá liberdade: quem ama não age como escravo, por medo, nem como mercenário, por recompensa, mas como filho (CIC 1828).
  • Traz frutos: alegria, paz e misericórdia (CIC 1829).

Como é o amor segundo 1Coríntios 13?

O capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios é conhecido como hino à caridade. São Paulo descreve o amor não por sentimentos, mas por atitudes:

"O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." (1Cor 13,4-7)

Um exercício útil é trocar a palavra "amor" pelo próprio nome e perguntar com sinceridade: eu sou paciente? Eu guardo rancor? Eu procuro só o meu interesse? O resultado mostra onde a caridade precisa crescer.

O hino termina dizendo que agora permanecem a fé, a esperança e a caridade, mas a maior delas é a caridade (1Cor 13,13). No céu, a fé dará lugar à visão e a esperança à posse. Só o amor permanece.

Leia também: Virtude da fé: o que é e como crescer nela

O que ensina a encíclica Deus caritas est?

A primeira encíclica de Bento XVI, Deus caritas est, publicada no início de seu pontificado, tem o título tirado de 1Jo 4,16: "Deus é amor". Alguns pontos ajudam a entender a caridade:

  • O amor humano e o amor de Deus não se opõem: o amor de Deus purifica e eleva o amor humano.
  • O amor ao próximo nasce do encontro com Deus. Quem se deixa amar por Ele aprende a amar os outros.
  • A caridade é uma tarefa de toda a Igreja, e não só de cada fiel: por isso a Igreja tem obras organizadas de serviço aos pobres.

Um resumo do documento está em Deus caritas est.

Quais são as obras de misericórdia?

O Catecismo apresenta as obras de misericórdia como ações caridosas pelas quais socorremos o próximo em suas necessidades corporais e espirituais (CIC 2447). A tradição as reúne em duas listas de sete:

Obras corporaisObras espirituais
Dar de comer a quem tem fomeDar bom conselho
Dar de beber a quem tem sedeEnsinar os ignorantes
Vestir os nusCorrigir os que erram
Dar pousada aos peregrinosConsolar os tristes
Visitar os enfermosPerdoar as injúrias
Visitar os presosSuportar com paciência as fraquezas do próximo
Enterrar os mortosRezar a Deus pelos vivos e pelos mortos

Jesus mostra a seriedade dessas obras no juízo final: tudo o que fizemos a um destes mais pequenos, a Ele o fizemos (Mt 25,40).

Como viver a caridade no dia a dia?

Com Deus

  • Reservar um tempo diário para estar com Ele, como quem visita um amigo.
  • Participar da Missa não por obrigação, mas por amor.
  • Pedir perdão pela indiferença e pela tibieza, que são pecados contra o amor de Deus (CIC 2094).

Com o próximo

  • Em casa: paciência, serviço silencioso, palavras gentis, pedir e oferecer perdão.
  • No trabalho: honestidade, ajuda a colegas, respeito a quem é difícil.
  • Nas redes sociais: não espalhar boatos, não humilhar, não responder com raiva.
  • Com os pobres: doar de forma regular, servir em uma pastoral, visitar quem está sozinho.

Caridade e verdade

Amar não é concordar com tudo. A caridade quer o bem verdadeiro do outro, e por isso às vezes pede uma correção fraterna, feita em particular, com humildade e no momento oportuno (cf. Mt 18,15). Também não é caridade fechar os olhos para injustiças: o amor ao próximo leva a defender os mais fracos e a trabalhar por condições de vida dignas para todos.

A caridade começa pequena. Santa Teresinha ensinava a amar nas pequenas coisas, e Santa Teresa de Calcutá dedicou a vida aos mais pobres entre os pobres. Para examinar como vai a caridade, ajuda fazer um exame de consciência sobre a caridade.

Perguntas frequentes

Caridade é o mesmo que dar esmola?

Não. A esmola é uma expressão de caridade, mas a caridade é o amor a Deus e ao próximo em todas as dimensões da vida.

Por que a caridade é a maior virtude?

Porque ela permanece para sempre e dá vida a todas as outras virtudes. No céu, a fé e a esperança se completam, mas o amor continua (1Cor 13,13).

Preciso sentir amor para amar?

Não. A caridade é sobretudo uma decisão da vontade que quer o bem do outro, mesmo quando os sentimentos não acompanham.

Como amar os inimigos?

Desejando o bem deles, rezando por eles e recusando a vingança. Isso não exige concordar com o mal nem deixar de se proteger.

Para aprofundar

Fontes

Catecismo da Igreja Católica, números 1822 a 1829, 2094 e 2447. Bento XVI, carta encíclica Deus caritas est (2005). Bíblia Sagrada (tradução da CNBB). As explicações deste artigo não substituem o acompanhamento de um sacerdote.