O Salmo 79 é um lamento coletivo pela destruição de Jerusalém e pela profanação do Templo. O povo descreve a tragédia, pergunta até quando durará a ira de Deus, pede perdão pelos pecados e suplica socorro pela glória do nome do Senhor. Termina com a promessa de louvar a Deus para sempre.
Contexto do Salmo 79
Na numeração da liturgia e da Vulgata, este é o Salmo 78. O título diz apenas que é um salmo de Asaf, segundo a tradição, e pertence à coleção de Asaf no terceiro livro do Saltério. Neste salmo o título faz parte do versículo 1.
O gênero é a súplica coletiva, irmã do Salmo 74 e do livro das Lamentações. O texto não diz qual destruição tem em vista. Muitos pensam na tomada de Jerusalém pelos babilônios, em 587 antes de Cristo (2Rs 25). O Primeiro Livro dos Macabeus cita os versículos 2 e 3 a respeito de um massacre no século II antes de Cristo (1Mc 7,16 a 17), o que mostra que o salmo foi rezado em mais de uma tragédia do povo.
Explicação do Salmo 79
Versículos 1 a 4: a cena da destruição
O salmo começa sem rodeios: as nações invadiram a herança de Deus, profanaram o seu santo Templo e reduziram Jerusalém a ruínas. Os corpos dos servos de Deus foram dados como alimento às aves do céu e aos animais da terra. O sangue correu como água ao redor da cidade, e não houve quem os sepultasse.
Para um israelita, ficar sem sepultura era uma desgraça extrema. A descrição é dura e realista, não para chocar, mas para colocar diante de Deus toda a dor do povo. O povo se tornou motivo de zombaria para os vizinhos.
Versículos 5 a 7: até quando, Senhor?
Vem a pergunta típica das súplicas: até quando, Senhor? Ficarás irritado para sempre? Teu zelo arderá como fogo? O povo entende a catástrofe como consequência do seu afastamento de Deus, como os profetas tinham anunciado.
Em seguida pede que a ira se volte contra as nações que não conhecem a Deus e contra os reinos que não invocam o seu nome, porque devoraram Jacó e devastaram sua morada. Uma súplica quase idêntica aparece em Jeremias (Jr 10,25). É um pedido de justiça contra os agressores, feito por quem não tem mais força para se defender.
Versículos 8 a 10: perdão e glória do nome de Deus
Aqui está o coração do salmo. O povo pede que Deus não lembre as culpas dos antepassados e que sua compaixão venha depressa, porque estão muito abatidos. E suplica: ajuda-nos, Deus, nosso salvador, pela glória do teu nome; livra-nos e perdoa nossos pecados por causa do teu nome.
A razão do pedido não é o mérito do povo, mas o nome de Deus. Se Israel for destruído, as nações dirão: onde está o Deus deles? O salmo pede que Deus mostre, diante dos povos, que ele vinga o sangue derramado dos seus servos. A honra de Deus e a salvação do povo andam juntas.
Versículos 11 a 13: os prisioneiros e o louvor final
O salmista pede que chegue a Deus o gemido dos prisioneiros e que o seu braço forte salve os condenados à morte. Depois pede que Deus devolva aos vizinhos, sete vezes, o insulto com que o ofenderam. O número sete indica plenitude: que a justiça seja completa.
O final muda de tom: nós, teu povo, ovelhas do teu rebanho, te daremos graças para sempre e anunciaremos teu louvor de geração em geração. Mesmo na ruína, o povo se reconhece como rebanho de Deus e promete louvar.
O que o Salmo 79 ensina para a fé católica?
O salmo ensina a rezar a partir da tragédia. A Igreja reza os salmos como oração de todo o povo de Deus, e o Catecismo diz que eles nutrem e exprimem a oração do povo enquanto assembleia (CIC n. 2586). Este salmo dá voz às comunidades que sofrem guerra, perseguição e destruição.
Os pedidos contra os inimigos precisam ser lidos com o contexto. São gritos de um povo massacrado, que entrega a Deus o desejo de justiça em vez de fazer vingança com as próprias mãos. O Catecismo lembra que os salmos trazem traços comuns, entre eles o confronto com os inimigos e a confiança em Deus (CIC n. 2589). À luz do Evangelho, o cristão reza essas palavras contra o mal e contra o pecado, e aprende com Cristo a rezar até pelos que o perseguem (Mt 5,44; Lc 23,34).
O salmo ensina ainda que o perdão é sempre graça. O povo não alega méritos; apoia-se apenas na misericórdia e no nome de Deus. É a mesma atitude de quem se aproxima da Confissão.
Reflexão para hoje
As imagens do Salmo 79 lembram notícias que vemos todos os dias: cidades destruídas, igrejas profanadas, cristãos perseguidos, mortos sem sepultura. Rezar este salmo é unir-se a essas pessoas e levar a dor delas diante de Deus.
Ele também ajuda nas ruínas pessoais. Há momentos em que a vida desmorona: uma família desfeita, um negócio perdido, uma confiança traída. A pergunta até quando é legítima. E o pedido de perdão também: às vezes parte do estrago vem das nossas escolhas.
O salmo ainda ensina a entregar a justiça a Deus. Quem sofre uma injustiça grande pode sentir raiva, e o salmo não manda fingir que ela não existe. Mas a coloca nas mãos de Deus, em vez de transformá-la em vingança. E termina com louvor, porque mesmo nas ruínas continuamos sendo ovelhas do seu rebanho.
Para rezar com o Salmo 79
- Por quais povos e comunidades perseguidas eu posso rezar com este salmo?
- Que ruínas na minha vida preciso entregar a Deus?
- Consigo deixar com Deus o meu desejo de justiça, sem alimentar vingança?
Sugestão de oração:
Senhor, pastor do teu povo, olha para as cidades destruídas e para os teus filhos que sofrem perseguição. Não lembres os nossos pecados, mas vem depressa com a tua compaixão. Livra-nos e perdoa-nos pela glória do teu nome. E, mesmo nas ruínas, dá-nos a graça de te louvar. Amém.
Fontes
Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2586 e 2589.
Leia também: O sacramento da Confissão. Salmo anterior: Salmo 78. Próximo salmo: Salmo 80.
Perguntas sobre Salmo 79
Qual é o tema do Salmo 79?
A que destruição o Salmo 79 se refere?
Como um cristão pode rezar os pedidos contra as nações no Salmo 79?
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