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Salmo 76: Deus é conhecido em Judá, explicação

Leia Salmo 76 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O rei Davi toca a harpa cercado de anjos
Hendrick ter Brugghen, O rei Davi tocando harpa entre anjos, 1628. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O Salmo 76 é um hino à presença de Deus em Sião. Ele celebra o Senhor que mora em Jerusalém, quebra as armas dos inimigos e se levanta para julgar a terra e salvar os humildes. É um canto de vitória que termina num convite: cumprir as promessas feitas a Deus.

Contexto do Salmo 76

Na numeração da liturgia e da Vulgata, este é o Salmo 75. O título hebraico o apresenta como peça para o mestre de canto, com instrumentos de corda, e o atribui a Asaf, nome ligado a uma família de cantores do Templo. Os Salmos 73 a 83 formam a coleção de Asaf, no terceiro livro do Saltério.

Pelo gênero, é um dos chamados cânticos de Sião, como os Salmos 46 e 48: hinos que cantam Jerusalém como lugar escolhido por Deus e protegido por ele. O texto não diz a que batalha se refere. A antiga tradução grega acrescenta ao título uma menção aos assírios, e muitos leitores lembraram a libertação de Jerusalém no tempo do rei Ezequias (2Rs 19,35 a 36). Mas isso é uma leitura possível, não uma informação do próprio salmo.

Explicação do Salmo 76

A numeração segue a da Bíblia da CNBB, em que o título conta como versículo 1. O salmo tem quatro pequenas estrofes.

Versículos 2 a 4: Deus mora em Sião

O salmista começa afirmando que Deus é conhecido em Judá e que seu nome é grande em Israel. Sua tenda está em Salém, nome antigo e poético de Jerusalém (compare com Gn 14,18, onde aparece Melquisedec, rei de Salém), e sua morada em Sião. Ali ele quebrou as flechas, o escudo e a espada, enfim, todas as armas de guerra.

O ponto é forte: o Deus de Israel não é celebrado como um general que multiplica armas, mas como aquele que as despedaça. Sião é o lugar onde a guerra termina.

Versículos 5 a 7: os guerreiros adormecidos

Deus é chamado de resplandecente, mais majestoso que os montes. Os valentes foram despojados e dormem o seu sono; os homens de guerra não encontram mais as próprias mãos. Diante da ameaça do Deus de Jacó, carros e cavalos ficaram paralisados. A imagem é de um exército que se desfaz sem que Israel precise lutar, como na passagem do Mar Vermelho, em que cavalo e cavaleiro foram lançados ao mar (Ex 15,1).

Versículos 8 a 10: o juízo que salva os humildes

A pergunta central do salmo é quem pode ficar de pé diante de Deus quando ele se ira. Do céu ele faz ouvir a sentença, e a terra se cala com temor. Mas o motivo do juízo vem logo: Deus se levanta para julgar e salvar todos os humildes da terra.

Aqui está a chave do salmo. A ira de Deus, na Bíblia, não é capricho nem descontrole. É a sua oposição firme ao mal e à violência dos fortes contra os fracos. O juízo divino tem endereço: os pobres e oprimidos, que Deus defende.

Versículos 11 a 13: o furor humano e o louvor

O versículo 11 é difícil e as traduções variam. Em linhas gerais, diz que até a fúria dos homens acaba servindo ao louvor de Deus: o que os violentos tramam não tem a última palavra, e o Senhor transforma o mal em ocasião de mostrar sua justiça.

Por isso o salmo termina com um convite ao povo e às nações vizinhas: façam promessas ao Senhor e cumpram, tragam ofertas ao Deus que deve ser temido. Ele abate o orgulho dos príncipes e é temível para os reis da terra. Quem se julga poderoso descobre que há alguém acima dele.

O que o Salmo 76 ensina para a fé católica?

O salmo ensina, primeiro, que Deus escolheu habitar no meio do seu povo. Para Israel, isso tinha um lugar concreto: Jerusalém e o Templo. Para os cristãos, essa presença chega à plenitude em Jesus, o Verbo que armou sua tenda entre nós (Jo 1,14), e continua na Igreja e na Eucaristia. A Sião que Deus protege é lida na Tradição também como figura da Igreja.

Ensina também que a justiça de Deus está do lado dos pequenos. O Catecismo lembra que os salmos são o espelho das maravilhas de Deus na história do seu povo e das situações humanas vividas pelo salmista (CIC n. 2588). Este salmo reflete uma dessas maravilhas: o Senhor que defende os humildes e desarma os violentos.

Por fim, a imagem das armas quebradas antecipa a esperança messiânica de paz, quando as espadas serão transformadas em arados (Is 2,4). Cristo, nossa paz, derrubou o muro da inimizade (Ef 2,14). Rezar este salmo é pedir que essa paz venha.

Reflexão para hoje

Vivemos cercados de armas de todo tipo: as guerras entre países, mas também as palavras que ferem dentro de casa, a competição feroz no trabalho, a agressividade nas redes. O Salmo 76 lembra que Deus não está do lado de quem tem mais força, mas de quem sofre a violência.

Isso consola quem se sente pequeno diante de uma situação injusta. Nem sempre veremos a reparação logo, mas o salmo afirma que a fúria humana não tem a última palavra. Deus se levanta, no seu tempo, para julgar e salvar.

O convite final também é concreto: cumprir o que prometemos a Deus. Muitas vezes fazemos promessas em momentos de aperto e depois esquecemos. A fidelidade nas pequenas promessas, como uma oração diária, a Missa de domingo, uma reconciliação adiada, é uma forma de reconhecer que o Senhor agiu em nossa vida.

Para rezar com o Salmo 76

  • Que armas eu carrego, em palavras ou atitudes, que precisam ser quebradas por Deus?
  • Em que situação preciso confiar que Deus defende os humildes?
  • Há alguma promessa feita a Deus que deixei de cumprir?

Sugestão de oração:

Senhor, Deus da paz, tu que quebras as armas da guerra, desarma também o meu coração. Defende os pequenos que sofrem injustiça e ensina-me a estar do lado deles. Dá-me a graça de cumprir com fidelidade o que te prometi. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2588.

Salmo anterior: Salmo 75. Próximo salmo: Salmo 77.

Perguntas sobre Salmo 76

Qual é o tema do Salmo 76?

É um hino a Deus que habita em Sião, quebra as armas dos inimigos e se levanta para julgar a terra e salvar os humildes.

O que é Salém no Salmo 76?

Salém é um nome antigo e poético de Jerusalém. O salmo diz que ali está a tenda de Deus, isto é, sua morada no meio do povo.

Qual é a numeração do Salmo 76 na liturgia?

Na numeração da liturgia e da Vulgata, ele é o Salmo 75. A Bíblia da CNBB segue a numeração hebraica, em que ele é o 76.

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