Tempo Comum, 30ª semana Liturgia de hoje
Católicos Orantes
Salmos

Salmo 65: louvor a Deus pela chuva e pela colheita

Leia Salmo 65 na sua Bíblia e acompanhe aqui a explicação, o que a Igreja ensina e uma reflexão para rezar.

O rei Davi toca a harpa cercado de anjos
Hendrick ter Brugghen, O rei Davi tocando harpa entre anjos, 1628. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O Salmo 65 é um hino de ação de graças que vai do perdão dos pecados até a chuva que faz crescer o trigo. O salmista louva a Deus no Templo de Sião, reconhece o seu poder sobre o mar e sobre as nações e termina com uma descrição alegre da terra fértil, visitada pelo Senhor. É um salmo de gratidão pela graça e pela natureza.

Contexto do Salmo 65

Na numeração litúrgica, que segue a Vulgata e a Bíblia grega, este é o Salmo 64. O título hebraico diz que é um salmo de Davi, um cântico, para o mestre de canto. A atribuição é tradicional e o título não menciona circunstâncias históricas.

É um hino comunitário de ação de graças. A última parte, com imagens de chuva, rios e colheita, leva muitos estudiosos a pensar que ele era cantado em festas agrícolas ou depois de uma estação de boas chuvas. Em Israel, uma terra que depende das chuvas de inverno, a água era sinal visível da bênção de Deus. Na Bíblia da CNBB o título é o versículo 1, e o texto vai do versículo 2 ao 14.

O salmo tem três partes: Deus que acolhe e perdoa no Templo (versículos 2 a 5), Deus que governa o mundo (versículos 6 a 9) e Deus que fecunda a terra (versículos 10 a 14).

Explicação do Salmo 65

Versículos 2 e 3: o louvor em Sião

O salmo começa dizendo que a Deus convém o louvor em Sião, o monte do Templo em Jerusalém. Algumas traduções entendem o texto hebraico como "para ti o silêncio é louvor", ideia bonita de que diante de Deus até o silêncio adora. As duas leituras são possíveis.

Ali se cumprem os votos, as promessas feitas a Deus. E Deus é chamado de aquele que escuta a oração. Por isso toda carne, isto é, todo ser humano, vem até ele. Já aqui se abre uma perspectiva universal: o Deus de Israel ouve a todos.

Versículos 4 e 5: o perdão e a alegria da casa de Deus

O salmista reconhece que as culpas pesam demais sobre o povo, mas Deus perdoa as transgressões. Antes de agradecer pela chuva, ele agradece pelo perdão. É uma ordem significativa: o maior dom é a reconciliação com Deus.

Em seguida vem uma bem-aventurança: feliz aquele que Deus escolhe e aproxima de si para morar nos seus átrios, os pátios do Templo. Lá o fiel se sacia com os bens da casa de Deus, a santidade do seu templo. A alegria de estar perto de Deus é descrita como uma refeição farta.

Versículos 6 a 9: o Senhor do mar e das nações

A segunda parte amplia o olhar. Deus responde com prodígios de justiça, é a esperança dos confins da terra e dos mares distantes. Ele firma os montes com a sua força e acalma o rugido dos mares, o barulho das ondas e o tumulto dos povos.

Na Bíblia, o mar agitado é imagem do caos e das forças que ameaçam a vida. Dominá-lo é sinal do poder do Criador. O salmo coloca lado a lado as ondas e as nações em revolta: Deus acalma ambas. Os Evangelhos mostram Jesus fazendo exatamente isso ao acalmar a tempestade, e os discípulos perguntam quem é esse a quem até o vento e o mar obedecem (Mc 4,39-41).

Os habitantes dos confins se assustam com os sinais de Deus, e o nascer e o pôr do sol, o oriente e o ocidente, explodem de alegria. Toda a criação, de um extremo ao outro do dia, celebra o Criador.

Versículos 10 a 12: Deus visita a terra

A terceira parte é uma das descrições mais belas da natureza nos salmos. Deus visita a terra e a rega, enriquece-a abundantemente. O rio de Deus está cheio de água, imagem da chuva que vem do céu. Assim Deus prepara o trigo para os homens.

O salmista descreve o trabalho de Deus como o de um agricultor: ele encharca os sulcos, aplana os torrões, amolece a terra com as chuvas e abençoa os brotos. Depois coroa o ano com os seus bens, e por onde passa escorre fartura. A expressão sugere a imagem de um carro que passa pelos campos deixando abundância nas marcas das rodas.

Versículos 13 e 14: a criação que canta

No final, a natureza inteira parece vestida para a festa. As pastagens do deserto gotejam, as colinas se cingem de alegria, os prados se cobrem de rebanhos e os vales se vestem de trigo. E tudo grita e canta de alegria. O salmo termina sem um verso final de oração; a última palavra é o canto da própria criação.

O que o Salmo 65 ensina para a fé católica?

O Salmo 65 une duas coisas que às vezes separamos: a graça e a natureza. O mesmo Deus que perdoa os pecados faz chover sobre a terra. A fé católica reconhece que a criação é boa e é dom de Deus, e que o ser humano é chamado a recebê-la com gratidão e a cuidar dela.

O Catecismo ensina que a ação de graças caracteriza a oração da Igreja, sobretudo na Eucaristia, e que todo acontecimento e toda necessidade podem tornar-se oferta de ação de graças (CIC n. 2637 e 2638). Na Missa, ao apresentar o pão, fruto da terra e do trabalho humano, a Igreja faz em pequeno o que este salmo canta em grande.

O perdão das culpas, colocado logo no início, lembra que a alegria de estar na casa de Deus nasce da reconciliação. O cristão vive isso no sacramento da Penitência e na comunhão com Cristo. A Igreja reza este salmo na Liturgia das Horas, louvando a Deus pelo dom da criação.

Reflexão para hoje

Quem vive na cidade quase não percebe de onde vem o pão. Compramos tudo pronto e esquecemos a chuva, a terra e o trabalho de tantas mãos. O Salmo 65 convida a recuperar o olhar agradecido. Uma oração antes das refeições, mesmo breve, é um modo simples de dizer o que o salmo diz: tudo isso vem de Deus.

O salmo também ensina que o perdão vem antes da colheita. Não adianta ter a mesa cheia se o coração está pesado de culpas. A gratidão verdadeira começa quando nos deixamos reconciliar com Deus e com os outros.

E há uma lição de cuidado. Se a terra é visitada por Deus, ela não é lixo nem recurso descartável. Economizar água, não desperdiçar comida e respeitar a natureza são formas concretas de responder ao salmo. Para quem quer transformar isso em hábito, a oração de gratidão a Deus é um bom começo.

Para rezar com o Salmo 65

  • Pelo que posso agradecer a Deus hoje, na natureza e na minha vida?
  • Há alguma culpa que pesa sobre mim e que preciso entregar ao perdão de Deus?
  • Como trato os bens da criação no meu dia a dia?

Sugestão de oração:

Senhor, a ti convém o louvor. Tu perdoas as nossas culpas e nos acolhes na tua casa. Tu acalmas o mar e visitas a terra com a chuva. Obrigado pelo pão de cada dia e pelo trabalho de quem o produz. Ensina-me a viver agradecido e a cuidar da tua criação. Amém.

Fontes

Bíblia Sagrada (tradução da CNBB); Catecismo da Igreja Católica, n. 2637 e 2638.

Perguntas sobre Salmo 65

Qual o tema do Salmo 65?

É um hino de ação de graças. O salmista louva a Deus que perdoa os pecados, acolhe o povo no Templo, governa o mar e as nações e faz a terra produzir com a chuva e a colheita.

O Salmo 65 é um salmo da colheita?

A última parte descreve a terra regada, os campos cobertos de trigo e os rebanhos nos pastos. Por isso muitos estudiosos pensam que ele era cantado em festas ligadas à colheita, embora o texto não diga isso expressamente.

O que significa 'a ti convém o louvor em Sião'?

Significa que o louvor é a resposta justa diante de Deus, e que Sião, o monte do Templo em Jerusalém, é o lugar onde o povo se reúne para oferecê-lo. Alguns tradutores entendem que ali o louvor começa em silêncio.

Está lendo a Bíblia inteira? Acompanhe no Plano de leitura da Bíblia ou reze o texto com a Lectio Divina.